Wikia

Enciclopédia das Testemunhas de Jeová

Alternativa à Transfusão de sangue

Comentários0
438 pages em
Este wiki

Soluções alternativas à transfusão de sangue têm sido estudadas desde a década de 1950. A transfusão de sangue total era prática usual das décadas de 1960 e 1970. Até algum tempo atrás, havia escassez de alternativas às transfusões. "Se a transfusão era perigosa, mas insubstituível, não havia outro remédio senão se submeter a ela. A dicotomia se apresentava assim: transfusão ou morte, numa situação de estado de necessidade". No entanto, "nas últimas décadas [ 1980-1990 ] a ciência médica desenvolveu técnicas e tratamentos destinados a tornar possível a cirurgia e o cuidado médico sem sangue de outra pessoa." (Dr. Ricardo Rabinovich-Berkman, Responsabilidade do Médico, 1999, Editoral Astera, pág. 345, 348, em espanhol)

As expressões "substitutos do sangue" e "sangue artificial" são erradas e induzem em equívocos. Nenhuma das alternativas à transfusões mostrou-se ser uma verdadeira alternativa. Não existe quaisquer substitutos para o sangue. Persiste a esperança de alcançar verdadeiras "alternativas" seguras e eficazes. Quando utilizados isoladamente, não substituem na totalidade os componentes do sangue. Na maioria dos casos, seus efeitos adversos ainda ultrapassam os riscos do uso de componentes sanguíneos.

A escolha da melhor alternativa depende de cada situação clínica e da formação dos profissionais de saúde - médicos, enfermeiros e paramédicos. É necessário o envolvimento interativo com a comunidade em geral, e com os doentes em particular, nas problemáticas da Medicina transfusional. É imprescindível a reflexão clínica e jurídica sobre os riscos / benefícios do seu uso.

Expansores plasmáticos

São fluidos usados para expandir e/ou manter o volume liquido do sangue, evitando o choque hipovolémico e morte por falência múltipla de órgãos. São ainda usados para tratar a desidratação e fazer irrigação local de órgãos. Estancando a hemorragia e repondo o volume líquido do sangue, as restantes células sanguíneas já podem continuar a circular.

Existe 2 tipos de soluções:

  • cristaloides (lactato de Ringer, cloreto de sódio)
  • coloides que podem ser naturais (albumina humana) ou de síntese (Dextrano salino, Dextrano glicose, Pentastarch, Hidroxietil de amido, Haemaccel, Gelofusine)

Não possuem caraterísticas que lhes permitam executar outras funções. Não aumentam a capacidade transportadora de oxigénio do sangue. Não são verdadeiras alternativas ao plasma sanguíneo. Sua escolha é feita em função das suas propriedades, do contexto clínico e dos eventuais efeitos adversos. Presentemente, a escolha é difícil "devido à ausência de estudos comparativos randomizados no ser humano, e em alguns estudos, não há homogeneidade nas populações estudadas." E os efeitos terapêuticos são de curta duração.

Transportadores de oxigénio

A biotecnologia procura um fluido clinicamente seguro e eficaz na oxigenação dos tecidos. Seria realmente "um substituto" das funções das hemácias (ou eritrócitos, glóbulos vermelhos). As perspetivas dos transportadores de oxigénio são extremamente atrativas. Existe a necessidade de provar a sua superioridade como alternativa segura e eficaz à transfusão de concentrados de hemácias (CH).

Não é prudente o médico submeter um paciente em hipoxia tecidular a um novo produto, sem que este esteja completamente conhecido e compreendido. É necessário acautelar a estabilidade da hemoglobina, equilíbrio hidro-eletrolítico e eventuais efeitos adversos nos rins e fígado. Tem de ser um produto sujeito a rigorosa vigilância farmacobiológica, e em termos de custos, semelhantes aos concentrados de hemácias.

  • Transportadores à base da Hemoglobina (Hgb)
    • Hemopure™, da Biopure Corporation, de Cambridge, Massachusetts, Hgb bovina polimerizada gluteraldeido (suspenso pela FDA nos EUA em 2009; em uso na África do Sul e Rússia)
    • Hemospan™, da Sangart, Hgb humana conjugada com polietilenoglicol (PEG)
    • Oxy-0301™, da Oxygenix, Hgb humana encapsulada liposoma com PEG
    • PHP™, da Apex, Hgb humana conjugada com PEG piridoxilado
  • Transportadores à base de Perfluorocarbonos (PFC)
    • Oxyfluor™, da HemaGen
    • Oxygent™, da Alliance Pharmaceutical
    • PHEr-2™, da Sanguine Corporation
    • Oxycite™, da Synthetic Blood International

As tentativas de criar Hemoglobina recombiante (rh-Hgb) obteve algum êxito, embora esteja em causa a sustentabilidade económica do processo de produção. O tempo previsível para a concepção laboratorial e a regulamentação do processo de produção, é longo. A investigação e desenvolvimento têm custos elevados. Algumas substâncias estão em fase de investigação e desenvolvimento (I&D). Outras estão em diferentes fases de ensaios clínicos. Devido a reações adversas, foram abandonados o HemAssist™, da Baxter Healthcare Corporation, e o PolyHeme™, dos Laboratórios Northfield.

Polémicas com o Hemopure

O Hemopure ™ foi usado experimentalmente nos EUA por um paciente Testemunha em 2000, conforme noticiado no jornal californiano Sacramento Bee de 24/9/2000. (Lerry Louderback-Wood, advogada, no artigo "Jehovah's Witnesses, Blood Transfusion and the Tort of Misrepresentation" no Journal of Church and State, vol. 47, 2005) É submetido a um processo de ultra purificação que remove o potencial de agentes infeciosos, como por exemplo, a doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), ...

O Hemopure ™ foi aprovado para uso humano na África do Sul, em 10/4/2001. Em outubro de 2002, a FDA (Autoridade Federal dos Medicamentos e Alimentar) aprovou o seu uso nos EUA. A Biopure solicitou ao FDA autorização para a sua comercialização para tratamento da anemia aguda em pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas, bem como eliminar, postergar ou reduzir a necessidade de transfusão autóloga (autotransfusão) neste grupo de pacientes.

Em abril de 2003, o FDA colocou uma restrição aos ensaios clínicos com Hemopure ™ nos casos de trauma - devido a preocupações com a segurança. Em julho de 2003, a Biopure informou que a FDA não tinha aprovado o seu uso em cirurgia ortopédica, sem informar as preocupações com a segurança. Entre o final de outubro e o final de dezembro de 2003, a Biopure fez declarações enganosas - uma série de informações incompletas e deturpadas. Surgiram questões de alegada fraude na investigação e de mortes. No final de 2008, a FDA não autorizou o Centro de Pesquisas Médicas da Marinha dos EUA a realizar um ensaio clínico do produto. Em 2009, o uso clínico do Hemopure ™ foi suspenso pela FDA nos EUA.

Alternativas

Eritropoiese

No caso de anemias prolongadas ou agudas, em alternativa à transfusão de concentrados de hemácias (CH), pode usar expansores plasmáticos para repor o volume líquido do sangue. Os rins e a medula óssea vermelha reagem à hipoxia dos tecidos produzindo mais hemácias. Ocorre o aumento da tensão arterial e da vasoconstrição para direcionar o sangue para fígado, rins, cérebro e coração - órgãos vitais.

Para acelerar o processo, são administrados agentes hematínicos (sulfato ferroso, vitamina B12, ácido fólico, ...) e agentes estimulantes da eritropoiese (AEE). Estes podem ser secundados com oxigenioterapia e algumas técnicas anestésicas e cirúrgicas visando reduzir controladamente a tensão arterial e a necessidade de oxigenação, minimizar as hemorragias e recuperação de sangue intraoperatório.

Os AEE foram desenvolvidos para reduzir a dependência do sangue alogénico de doentes com insuficiência renal crónica, anemia em resultado de tratamento quimioterápico e de doentes submetidos a cirurgia programada. Relevo para a eritropoietina recombinante humana (rh-EPO) que se carateriza pela eficiência, grande segurança e meia-vida curta. A maior parte das reações adversas são bastante conhecidas e dependente do tratamento e das doses empregues.

A darbepoetina têm maior estabilidade metabólica e meia-vida mais longa que a rh-EPO. Outras recentemente desenvolvidas são o cera (ativador contínuo recetor da EPO), que apresenta meia-vida ainda maior do que as anteriores, e ainda, o dynepo (EPO delta), do Laboratório Shire. Em 2007, a EMEA aprovou o dynepo para o tratamento de pacientes que sofrem de anemia em decorrência de deficiência renal crónica.

Estudos recentes provam que a terapia de transfusão regular reduz significativamente a incidência de recorrência de infarto cerebral (AVC) silencioso em crianças com anemia falciforme. (Fonte: NEJM, vol. 371, nº 8, de 21/8/2014)

Trombocitopoiese

As plaquetas (ou trombócitos) são fragmentos dos megacariócitos - células existentes na medula óssea. Fazem parte do processo para estancar a hemorragia no local de origem. Agregam-se formando um rolhão para selar a rutura do vaso sanguíneo, e assim, parar a hemorragia. Ao mesmo tempo, ativam os fatores de coagulação. A quantidade normal de plaquetas é de 140 a 450 mil por microlitro no sangue. O aumento excessivo das plaquetas se chama trombocitose. Sua diminuição excessiva se chama trombocitopenia.

As alternativas à transfusão de concentrados de plaquetas (CP) executam apenas uma (ou algumas) das funções necessárias, o que motiva a necessidade de usar vários tipos de substitutos, tal como acontece com outros produtos de substituição. Muitos agentes estimuladores de trombocitopoiese (AET) estão em fase de ensaio pré-clínico, sendo por isso difícil a avaliação da eficácia hemostática e do risco de toxicidade.

A ação da trombopoietina recombinante humana (rh-TPO) é idêntica à trombocitopoietina endógena e têm uma semivida de 20-40 horas. Também as interleucinas ( IL-3, IL-6 e IL-11 ) estimulam a produção e ação das plaquetas. Tanto o ácido aminocapróico como o ácido tranexâmico são agentes antifibrinoliticos usados para situações hemorrágicas em hiperfibrinólise. Pode ser administrados desmopressina ou aprotinina. O uso da aprotinina foi retirado dos protocolos cardiocirúrgicos.

Imunoterapia celular

Imunoterapia é um tratamento que usa leucócitos (células imunológicas) ou anticorpos que combatem a leucemia ou impedem que esta se agrave. O objetivo é eliminar as células de leucemia num tratamento menos tóxico (químico e/ou radiativo) para as células normais. Medicamentos podem bloquear a proteína anormal presente nas células de leucemia, o que as mata.

As vacinas para leucemia introduz uma molécula chamada antígeno no corpo. O sistema imunológico reconhece o antígeno como um invasor e o ataca. Pesquisadores estão estudando uma vacina na qual o antígeno seja a mesma proteína anormal que os remédios para leucemia atacam. A vacina faria com que as células imunológicas saudáveis destruíssem as células imunológicas que contêm essa proteína.

Pesquisadores também estão investigando formas de melhorar as técnicas de transplante de células tronco, como escolher melhor o doador para cada paciente. Uma forma modificada de transplante de células-mãe, chamada mini-transplante, tem sido desenvolvida. Comparada com os transplantes atuais, essa nova técnica requer radioterapia e quimioterapia menos intensa antes do paciente receber a doação das células. Essa técnica pode ser especialmente útil para idosos.

No caso da Leucemia, uma doença complexa, combinar diferentes terapeuticas pode elevar os efeitos de cada uma. Por exemplo, pacientes recebendo Transplante de Células-mãe podem passar por Quimioterapia ou Radioterapia para preparar o corpo às novas células.

Leucemia aguda geralmente precisa ser tratada imediatamente. Há vários tipos de Leucemia aguda, sendo que alguns respondem bem ao tratamento e podem ser curados, enquanto outros são mais difíceis de ser tratados. Tratamento para Leucemia crónica pode frequentemente controlar a doença e seus sintomas, mas raramente a cura.

  • Leucemia Mieloide (a medula óssea fabrica leucócitos anormais)
  • Leucemia Linfoide (a medula óssea fabrica muitos linfócitos imaturos)

Leucemia Linfoide crónica, Leucemia Mieloide crónica e Leucemia Mieloide aguda são diagnosticadas mais frequentemente em adultos. Destas a leucemia Linfoide crónica é a mais comum. Leucemia Linfoide aguda é encontrada mais frequentemente em crianças.

Na Leucemia Linfoide aguda em crianças, muitas células tronco se desenvolvem em linfoblastos e não amadurecem para se tornar linfócitos. Esses linfoblastos são chamados células de leucemia, as quais não funcionam como linfócitos normais e são incapazes de combater bem as infeções. Além disso, a quantidade de células de leucemia aumenta no sangue e medula óssea, de modo que deixa menos espaço para leucócitos, hemácias e plaquetas saudáveis. Tudo isso pode ocasionar infeção, anemia e fácil hemorragias. Algumas vezes na Leucemia Mieloide aguda muitas células tronco se desenvolvem em hemácias ou plaquetas anormais.

As células de leucemia ou linfoblastos podem acumular-se na medula óssea e no sangue, fazendo com que haja pouco espaço para as células sanguíneas saudáveis. Quando isso acontece, pode ocorrer infeção, anemia ou sangramento fácil. Células de leucemia podem se espalhar para outras partes do corpo.

Anemia na gravidez é uma condição frequente e também perigosa. Anemia pode ocorrer durante a gravidez devido a alterações no sangue e baixos níveis de ferro e ácido fólico. Durante os 6 primeiros meses de gravidez o volume de plasma aumenta mais rapidamente do que o número de hemácias. Isso pode ocasionar anemia por causa da diluição do sangue.

"Em países desenvolvidos, estima-se que aproximadamente 18% das gestantes apresentem anemia durante a gravidez. Segundo o especialista, casos severos de anemia na gravidez estão associados a uma acentuada taxa de mortalidade entre as gestantes. Mas graus leves e moderados parecem não aumentar tal risco. Mas nos países em desenvolvimento, o índice aumenta de maneira significante, variando de 35% a 75%", afirma o hematologista Dr. Sandro Melim, da DASA. Grande parte dos casos está relacionada a questões socioeconómicas, como falta de nutrição adequada e dificuldade de acesso a assistência médica pré-natal.

Entre os principais motivos está o aumento na demanda de ácido fólico pelo organismo materno - devido à produção dos tecidos e órgãos do feto. Baixos níveis de ácido fólico colocam a gestante em risco de desenvolver Anemia megaloblástica. Isso pode acarretar problemas irreversíveis para o feto, como defeitos na formação do tubo neural - espinha bífida e anencefalia. Há ainda o aumento na demanda de ferro pelo organismo materno. Ausência de ferro aumenta o risco de desenvolvimento de Anemia ferropriva - que pode levar ao desenvolvimento inadequado da placenta, gerando problemas durante a gestação e na hora do parto.

A prevenção da anemia na gestação pode ser feita com suplementação de ferro e ácido fólico, além de orientação nutricional para comer de forma saudável. As grávidas com anemia moderada e severa podem necessitar de doses maiores de ferro. "Em alguns casos, pode ser necessário usar reposição intravenosa de ferro ou mesmo hemotransfusões para o tratamento" para correção dos valores da anemia.

A transfusão de concentrado de granulócitos e de concentrado de linfócitos só é feita para tratar pacientes com leucemia que se submetem a um transplante (imunossupressão) ou uma septicemia (ou sepses) que não responde aos antibióticos. É usada quando o valor dos leucócitos é muito baixo ou leucopenia [ inferior a 3.500 por microlitro de sangue ], quando um determinado tipo de leucócito é muito baixo, ou ainda, quando seu funcionamento é anormal. Sua compatibilidade está ligada à histocompatibilidade - ao tipo HLA (antígeno leucocitário humano).

Esta terapia é raramente usada e sua eficácia é muito controversa. Reduz-se enormemente a necessidade de tais transfusões com o uso de medicamentos antibióticos, soros hiperimunes e fatores GM-CSF (estimulante de granulócitos-macrófagos) e G-CSF (estimulante de granulócitos). Já existe fatores GM-CSF recombiante e G-CSF recombinante. A estimulação da produção e amadurecimento dos linfócitos são feitos pelas interleucinas (IL).

Alguns bebés nascem com a medula óssea incapaz de fabricar hemácias suficientes. Isso é chamado de Anemia aplástica. Geralmente precisam de transfusões de sangue para elevar a quantidade de hemácias / taxa de hemoglobina. Alta taxa de destruição de hemácias e um valor de anemia muito baixo ou crítico é uma Anemia hemolítica.

Fatores de risco para valores baixos de anemia, podendo evoluir para valores muito baixos ou críticos:

  • dieta pobre ou carência em ferro, ácido fólico, vitaminas e sais minerais
  • hemorragia aguda ou prolongada decorrente de cirurgia (programada ou de Urgência) ou por acidente
  • doença grave ou crónica como doença oncológica, leucemia, diabetes, doença renal, artrite reumatoide, imunodeficiência, doença inflamatória do intestino, doença hepática, doença vascular, insuficiência cardíaca e doença na tireoide
  • histórico familiar de hemoglobinopatias e coagulapatias

Referências cientificas

Saiba Mais

Ligações Externas

Rede da Wikia

Wiki Aleatória