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Enciclopédia das Testemunhas de Jeová

Ancião

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O atual arranjo de um Corpo de Anciãos [ ou Presbitério ] nas congregações das Testemunhas de Jeová, existe desde 1 de outubro de 1972. Cada congregação deixou de ter um único Superintendente de Congregação, auxiliado por um Superintendente ajudante. Todos os Anciãos na congregação são superintendentes [ gr. episkopon ]. Até setembro de 2014, eram ordenados pelo Escritório da Filial, por meio do Departamento do Serviço. A autoridade para ordenar ou remover foi confiada ao Superintendente do Circuito, seguindo as instruções do Escritório da Filial. Somente o Ancião que serve como Coordenador do Corpo de Anciãos (antes chamado de Superintendente presidente) é nomeado pelo Escritório da Filial.

Seus requisitos

Se um Servo ministerial [ gr. diakonous ] "está esforçando-se para ser superintendente [ ou ter o cargo de superintendência; em gr. episkopees ], está desejando duma obra excelente." Não deve ser recém-convertido. (I Timóteo 3:1, 6) Duas vezes por ano, cada Corpo de Anciãos se reúne com o Superintendente do Circuito para considerar quem preenche satisfatoriamente os requisitos. A idade mínima é 25 anos. A consideração é iniciada e concluída com oração.

O superintendente [ gr. episkopon; o mesmo que Ancião ou Presbítero ] deve ser irrepreensível [ estar livre de acusações fundadas ], marido de uma só esposa [ legal e biblicamente casado ], moderado nos hábitos, sensato [ ter bom critério ], ordeiro, hospitaleiro, qualificado para ensinar [ ser bom instrutor, capaz de exortar e repreender ], não deve ser beberão [ ter moderação no beber ], nem violento [ espancador, agressor ], mas razoável [ equilibrado, não ser inflexível ou obstinado ], não briguento [ conflituoso ] e não amar o dinheiro [ ser ganancioso ou materialista ]. Tem de presidir [ administrar ] de maneira excelente à sua própria família, tendo os filhos em sujeição. Deve ter uma boa reputação entre as pessoas de fora da congregação, isto é, na comunidade local. (I Timóteo 3:2-4, 7; Tito 1:5-9)

Se for casado, sua esposa deve ser séria, não caluniadora, moderada nos hábitos, fiel em todas as coisas. (I Timóteo 3:11; Tito 2:3-5) Se for pai, deve ter os filhos menores de idade "em sujeição com toda a seriedade". Devem ser "crentes, não acusados de devassidão e nem indisciplinados”. Não é necessário que eles sejam batizados. Devem ser educados na Fé da religião e terem uma conduta pessoal exemplar. (Efésios 6:4; Êxodo 20:12)

Se um filho abandonar a religião ou cometer uma transgressão, deve ficar evidente na congregação que o Ancião fez o melhor que pode para ter os "filhos crentes, não acusados de devassidão e nem indisciplinados". (I Timóteo 3:4; Tito 1:6; A Sentinela de 15/10/1996 pág. 21) Se não souber presidir [ administrar ] a sua própria família, "não pode tomar conta da congregação de Deus." (I Timóteo 3:5) Não deve ficar tão ocupado nos seus deveres, que deixe de ter tempo para "a sua própria família". (A Sentinela de 15/10/1996 pág. 23)

Não deve procurar ter destaque, domínio ou poder na congregação. (A Sentinela de 1/8/1999 pág. 14 § 15-16) Ele, sua esposa ou seus filhos, podem cursarem o Ensino Superior. Mas isso depende muito das circunstâncias, atitude pessoal e de como isso é encarado pela congregação. (tga cap. 20 § 34)

Espera-se que todos os Anciãos sejam obedientes e leais ao Corpo Governante e seus representantes designados - a Comissão da Filial e o Superintendente do Circuito. Devem acreditar que em 1919, Cristo santificou um grupo de Anciãos Ungidos [ chamados na época da "classe do Templo" ] e que estes tem usado a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) para prover o ensino religioso verdadeiro. Em 1927, o “escravo fiel e discreto” passou a ser coletivo e não uma pessoa - Charles Russell. (A Sentinela de 1/2/1995 pág. 13 § 15) Em 2013, o “escravo fiel e prudente” de Mateus 24:45-47 é agora o Corpo Governante. (A Sentinela de 15/7/2013 pág. )

Seu treinamento

Desde 9 de março de 1959, cada Superintendente de Congregação (depois de outubro de 1972, todos os Anciãos congregacionais) recebem treinamento periódico na Escola do Ministério do Reino (EMR) para Anciãos. Em 2008, foi fundada uma escola adicional focada na sua sólida doutrinação - a Escola para Anciãos de Congregação (EAC). Se forem Pioneiros Regulares à 2 ou mais anos, podem cursar a Escola para Evangelizadores do Reino (EER).

Cada Ancião designado recebe um exemplar do manual Pastoreiem o rebanho de Deus (2010) para saber como deve cuidar das suas responsabilidades. Atualizações de procedimentos e esclarecimentos adicionais são feitos mediante cartas do Escritório da Filial aos Anciãos. O conteúdo do manual, bem como das cartas, devem ser mantidos confidenciais. (CCTJ 10/1/2011; tga Cap. 16 § 1-4) Este livro veio substituir o livro Prestai atenção a vós mesmos e a todo o rebanho (1991).

Nenhum Ancião congregacional recebe remuneração ou compensação financeira pelo seu cargo e pelas muitas horas dedicadas às suas tarefas. Podem ter responsabilidades adicionais como na organização de Assembleias e Congressos, equipa de Salões de Assembleias, voluntários de Grupos de Construção de Salões do Reino, membros da Comissão de Ligação com Hospitais (COLIH) da região, diretores na Associação Jurídica regional, Servos de Associações jurídicas (SAJ), membros de Comissões de Socorro, voluntários temporários / externos de Betel por Tempo parcial, etc. ...).

Comissão de Serviço

A Comissão de Serviço da Congregação é formada pelos Anciãos que servem como Coordenador do Corpo de Anciãos (CAA), Secretário da Congregação (SEC) e Superintendente do Serviço (SS). O Corpo de Anciãos delega na Comissão de Serviço a execução das tarefas rotineiras ou que exigem uma atenção imediata. Esta está subordinada às decisões do Corpo de Anciãos e às instruções recebidas do Corpo Governante, através das cartas do Escritório de Filial, do Superintendente do Circuito e nas escolas de treinamento para Anciãos. (Pastoreiem o rebanho de Deus, 2010 pág. 22-23; Organizados para fazer a vontade de Deus, 2005, pág. 42)

Coordenador

É o Ancião na congregação mais experiente e que serve lealmente já por muitos anos. É designado pelo Escritório da Filial para Coordenador do Corpo de Anciãos (CCA), por recomendação do Superintendente do Circuito. Ele preside as reuniões do Corpo de Anciãos e da Comissão de Serviço da congregação. Não tem mais autoridade do que os demais Anciãos. Na sua falta ou impedimento, o Corpo de Anciãos pode designar outro Ancião habilitado que o possa substituir. Se for preciso substituir o Coordenador entre as visitas do Superintendente do Circuito, o Corpo de Anciãos pode fazer um ajuste temporário e deve notificar imediatamente o Escritório da Filial e o Superintendente do Circuito. (Pastoreiem o rebanho de Deus, 2010, pág. 14-18)

Desde 1 de outubro de 1972, existia um rodízio anual da presidência do Corpo de Anciãos. Desde de 1983, cada Superintendente presidente passa a ser designado para servir por tempo indefinido. (Proclamadores do Reino de Deus, 1993, pág. 106) Em janeiro de 2009, foi chamado de Superintendente presidente. (CCTJ 16/9/2008; Nosso ministério do Reino 11/2008 pág. 3) Foi imposto o limite máximo de 80 anos para servir como Coordenador. (CCTJ 1/6/2014) Se um ex-Superintendente viajante for designado a servir numa congregação, ele têm preferência para ser o Coordenador. (CCTJ 27/2/2012 aos Sup. de Distrito)

Segredo religioso

Os Anciãos são instruídos a manter em absoluta confidência sobre qualquer assunto judicativo, os documentos produzidos por Comissão Judicativa, o acesso à Intranet JW.ORG, ao arquivo das cartas orientadoras do Escritório da Filial aos Anciãos e o conteúdo do manual para os Anciãos. Se não o fizerem, a sanção é remoção imediata do cargo. Veja "Quando recorrer ao Privilégio eclesiástico", na Carta da STV do Brasil de 10/10/1995 e Carta da STV da Grã-Bretanha de 1/12/2000. ( A liderança religiosa tem usado do privilégio para protegerem-se de eventuais responsabilidades legais e defender a sua boa imagem pública. )

Por exemplo, a Lei portuguesa garante que os ministros do Culto "não podem ser perguntados pelos magistrados ou outras autoridades sobre fatos e coisas de que tenham tido conhecimento por motivo do seu ministério." (art.º 16 da Lei 16/2001, de 22 de junho; art.º 5 da Concordata com a Santa Sé) Isto exclui o dever de cooperarem com a Justiça. Podem pedir escusa de prestar depoimento e de serem jurados, como se escusar a responder sobre os fatos abrangidos por esse segredo. (art.º 18 da Lei n.º 16/2001, de 22 de junho; art.º 135 do Código Proc. Penal Português; art.º 6 da Concordata com a Santa Sé)

Mas o Código Proc. Penal Português acrescenta: "Havendo dúvidas fundadas sobre a legitimidade da escusa, a autoridade judiciária perante a qual o incidente se tiver suscitado procede às averiguações necessárias. Se, após estas, concluir pela ilegitimidade da escusa, ordena ou requer ao Tribunal que ordene, a prestação do depoimento. ... a decisão da autoridade judiciária ou do Tribunal é tomada ouvido o organismo representativo da profissão relacionada com o Segredo profissional em causa [ os diretores da principal associação jurídica no país e sua assessoria jurídica, os membros da Comissão da Filial e o respetivo Superintendente do Circuito ], nos termos e com os efeitos previstos na legislação que a esse organismo seja aplicável."

Não são Ungidos para ser Anciãos

"Essencialmente, as Testemunhas não Ungidas recebem o Espírito santo na mesma medida que as Ungidas." (A Sentinela de 15/6/1996 pág. 31) Não são Ungidos para serem Anciãos. Afirmam que ter o Espírito santo não é o mesmo que ser Ungido com o Espírito. "A unção depende da escolha de Deus". (A Sentinela de 15/12/2011 pág. 25 § 14) Portanto, os verdadeiros Ungidos não devem esperar ser tratados de modo especial. Nem que sua participação na Refeição Noturna do Senhor (Santa Ceia) os coloque acima dos Anciãos congregacionais não Ungidos e nem da hierarquia organizacional. (A Sentinela de 15/6/1996 pág. 31; de 15/6/2009 pág. 23 § 15)

Surgiu uma nova geração de Anciãos que declararam ser Ungidos, contemporâneos dos Ungidos que presenciaram os acontecimentos de 1914. (A Sentinela de 15/4/2010 pág. 10) [ Após 1935, seu número deveria decrescer. Antes de 1966, pensavam que o fim da chamada terminava em 1931. É somente em abril de 1938 é que existe um registo credível. ] A religião justificou isso por dizer que "parece que não podemos especificar uma data para o fim dessa chamada" (A Sentinela de 1/5/2007 pág. 30-31) e "não temos como saber o número exato de Ungidos na Terra, nem precisamos saber." (A Sentinela de 15/8/2011 pág. 22)

Em 1 de maio de 1992, alguns Anciãos foram ajudantes das comissões do Corpo Governante, e deste grupo seleto, saíram os atuais membros do Corpo Governante. Em outubro de 2000, Anciãos não Ungidos habilitados assumiram cargos nas diretorias da Sociedade Torre de Vigia (nos EUA).

Origem do arranjo

Desde 1879 até 1932, os Anciãos e Diáconos eram eleitos cada ano pela congregação [ gr. eclésias ], pelo erguer das mãos dos Estudantes da Bíblia. Russell afirmou: "Não hesitamos em recomendar às Igrejas em toda a parte, quer seus números sejam grandes, quer pequenos, o conselho apostólico de que em todas as companhias [ congregações ] os Anciãos sejam escolhidos entre seu número para apascentarem e supervisionarem o rebanho." (A Torre de Vigia de Sião de 15/11/1895, no artigo intitulado: "Decentemente e em Ordem"; Anuário das TJs 1976 pág. 164-166)

Em 1904, Russell considerou o papel dos Anciãos e como eles deviam ser escolhidos, dando atenção especial a Atos 14:23. Algumas traduções dizem "elegeram-nos pelo levantamento de mãos" ou "eram nomeados pelo voto". Na VUL diz: "os havia ordenado" [ ou escolhidos ]; lit. "por levantamento da mão". (A Nova Criação, vol. 6 de Estudos das Escrituras, 1904, em inglês; Proclamadores do Reino de Deus, 1993, pág. 205-209)

"Na seleção de Anciãos, os consagrados [ batizados ] se devem lembrar de que a responsabilidade recai sobre eles; e não se deve lançar nenhum voto sem uma consideração meticulosa da vontade Divina e a oração pedindo orientação Divina." O artigo salientou caraterísticas dum bom Ancião: (1.º) deve ser hábil no ensino; (2.º) deve ensinar a Verdade e não o erro; e (3.º) a humildade e a piedade deve ser qualificações supremas e primárias para o cargo de Ancião. (A Torre de Vigia de Sião de 1/11/1909 pág. 325, em inglês)

Algumas congregações tiveram problemas sérios devido a Anciãos com motivações erradas, até mesmo, existindo campanhas eleitorais. (A Torre de Vigia de Sião de 15/3/1906 pág. 90, em inglês) Em outros casos, alguns Anciãos de destaque se opuseram à STV devido ao abandono gradual dos ensinos de Russell, às mudanças organizacionais feitas por Rutherford, bem como às expetativas religiosas falhadas para 1914-1918 e 1925.

Evolução organizacional

Em 1919, Rutherford tomou as primeiras medidas para o restabelecer controlo sobre as congregações. Foi designado pela STV um Ancião como Diretor local de Serviço, para tomar a dianteira na pregação pública. Em 1926, Rutherford renovou o serviço dos Peregrinos. Deixaram de ser oradores viajantes da Torre de Vigia para serem Superintendentes viajantes e promovedores da pregação pública nas congregações. (Proclamadores do Reino de Deus, pág. 564) Desde 1927, os Anciãos que não queriam fazer pregação pública eram removidos.

Em outubro de 1932, Anciãos e Diáconos eleitos foram substituídos por uma Comissão de Serviço da congregação, sob a direção do Diretor local de Serviço. A "classe de Jonadabe", identificada em 1923 como a "classe do Templo secundária", deve se associar com a "classe do Templo" - ungida para ser reis e sacerdotes no Reino Milenar de Cristo. (Vindicação, vol. 3 pág. 77) Nesse tempo, não eram considerados Testemunhas de Jeová. Em 1934, foi explicado que "os jonadabes" deveriam ser batizados. (A Sentinela 15/8/1934 pág. 249, em inglês)

Em 1935, "os jonadabes" afinal eram uma "classe terrestre", não sacerdotal. É identificada como a "grande multidão" multinacional (Revelação 7:9-10, 13-17) de "outras ovelhas" (João 10:16). Desde 1937, "os jonadabes" podem fazer parte da Comissão de Serviço da congregação. Podem ser designados Superintendentes de Congregação, se não houver Ungidos habilitados. (Proclamadores do Reino de Deus, 1993, pág. 216; A Sentinela de 1/5/1937 e 1/8/1937, em inglês) Em abril de 1938, são primeira vez convidados a ser observadores na celebração da Refeição Noturna do Senhor.

A partir de outubro de 1938, os membros da Comissão de Serviço da Congregação são todos designados pela STV. Rutherford estabeleceu ainda o arranjo de Superintendentes de Circuito para supervisionar 20 congregações e grupos isolados. Um conjunto de 20 Circuitos formam um Distrito, e cada Distrito, era supervisionado pelo Superintendente do Distrito.


Referências

Saiba mais

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