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Apostasia [ gr. ἀποστασία, apostaía, de apóstata, apostásis, "estar longe de", que se afastou ] é um abandono definitivo e deliberado de uma instituição, irmandade ou grupo, renúncia de uma ideologia ou doutrinação. Não é um mero desvio ou afastamento. Pode ser público ou não. (Estudo perspicaz das Escrituras, vol. 1 pág. 158, 556-7; Raciocínios à base das Escrituras, pág. 41) Em sentido religioso, um apóstata é sinónimo de herege, cismático, dissidente e rebelde. Pode ser ainda o abandono de um(a) religioso(a) sem autorização superior, do sacerdócio ou da ordem religiosa a que pertence. Quando um Testemunha de Jeová decide que tem de mudar de convicções (ou algumas convições), ela está a exercer o seu direito à Liberdade de Crença. Regra geral, ela é vítima de preconceito, de intolerância religiosa, até mesmo de difamação caluniosa.

Apostasia organizacional

Visto que as Testemunhas de Jeová se consideram "a religião Verdadeira", "os verdadeiros cristãos" ou "o povo de Deus", usam seus ensinos para definir o que é apostasia da Fé cristã. Todo aquele que apostata da religião passa a ser apóstata da Fé cristã, sendo por isso julgado severamente. Existe grande diferença entre apostasia da Fé cristã e apostasia organizacional. Existem diversos motivos para a apostasia organizacional, bem como diferentes formas de exteriorizar as suas divergências.

"Pessoas que deliberadamente disseminam - apegando-se de forma obstinada e divulgando - ensinos contrários à verdade bíblica conforme ensinada pelas Testemunhas de Jeová [ pelo Corpo Governante e publicadas pela Sociedade Torre de Vigia ], são apóstatas. ... trata-se de uma ação deliberada para quebrar a unidade da congregação ou minar a confiança dos irmãos no arranjo de Jeová [ isto é, no Corpo Governante e seus representantes ]. Se a pessoa não mudar de proceder após receber um ou dois avisos, deve-se formar uma Comissão Judicativa." (Pastoreiem o rebanho de Deus, 2010, pág. 65-6; Carta da Sociedade do Brasil de 20/7/1997 e Nosso ministério do Reino de 1/1987 pág. 8; veja também A Sentinela de 1/10/1989 pág. 19; de 1/4/1986 pág. 30-1; de 15/3/1986 pág. 15)

A apostasia organizacional inclui ainda:

  • Manter um emprego em que a entidade patronal seja outra religião; ter um emprego que mostre apoio ou promova de algum modo outra religião e suas celebrações. Costuma a ser dado um tempo suficiente para a pessoa fazer os ajustes necessários - geralmente até 6 meses. (A Sentinela de 15/4/1999 pág. 28-30; Nosso ministério do Reino de 11/1976 pág. 3-6)
  • Todas as formas de idolatria. Inclui a veneração de imagens e relíquias religiosas, bem como a idolatria de pessoas e a idolatria de organizações humanas. A celebração do aniversário do nascimento de uma pessoa é vista como uma forma de idolatria.
  • Celebrar festividades e feriados religiosos. Nem todos os feriados têm uma origem religiosa e, por isso, nem sempre exige uma ação judicativa. É fundamental determinar qual é a sua origem.
  • Participar em atividades ecuménicas. Inclui curvar-se diante de altares e imagens religiosas. Assistir ou participar em celebrações religiosas (culto) ou encontros inter-religiosos, inclusive participar em cânticos e orações em conjunto com os lideres de outras religiões.

Diabolizando os dissidentes

"Sobre estes, o salmista disse: “Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó Jeová, e não tenho aversão aos que se revoltam contra ti? Odeio-os com ódio consumado. Tornaram-se para mim verdadeiros inimigos.” (Salmo 139:21-22) Foi por odiarem intensamente a Jeová que David os encarava com repugnância. Os apóstatas estão incluídos entre os que mostram seu ódio por Jeová por se revoltarem contra ele. A apostasia é, na realidade, uma rebelião contra Jeová. Alguns apóstatas professam conhecer e servir a Deus, mas rejeitam ensinos ou requisitos delineados na Sua Palavra. Outros afirmam crer na Bíblia, mas rejeitam a organização de Jeová e tentam ativamente obstaculizar a sua obra. Quando eles deliberadamente escolhem tal maldade depois de conhecerem o que é correto, quando o mal se torna tão entranhado que se torna parte inseparável de sua constituição, o cristão precisa odiar (no sentido bíblico da palavra) os que se agarraram inseparavelmente à maldade." (A Sentinela de 1/10/1993 pág. 19 § 15)

As publicações da Torre de Vigia afirmaram que "os apóstatas estão "mentalmente doentes", e tentam contaminar outros com seus ensinamentos desleais. Jeová, o Grande Médico, nos diz que devemos evitar o contato com os apóstatas." (Edição de Estudo de A Sentinela de 15/7/2011 pág. 16) A estratégia é desqualificar os dissidentes, sem nunca precisar quem são e os motivos das divergências. "Os apóstatas também falam palavras sem valor, afirmando ter mais sabedoria do que o designado Escravo fiel e discreto. ... Como podemos evitar que eles nos desencaminhem? ... não vão além dos conselhos baseados na Bíblia contidos nas publicações do Escravo fiel e discreto." (A Sentinela de 15/4/2008 pág. 6)

"A fim de continuar a fazer parte desta fraternidade, os verdadeiros cristãos evitam toda a associação com todos aqueles no seu meio que se tornam promotores de ensinos falsos, divisórios. ... Cumprimentar a tais indicaria certa medida de aprovação e tornaria a pessoa participe das "suas obras iníquas". (Estudo perspicaz das Escrituras, vol. 1, pág. 259-60) Todos contatos e relacionamentos que não possam ser legalmente evitados, devem ser reduzidos ao mínimo. Isso independente de qual tenha sido o(s) seu(s) motivo(s).

Descriminação religiosa

No Brasil, o Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE), moveu uma ação - com base no art.º 5 da Constituição Federal e na Lei 7716/89 - contra a Associação da Torre de Vigia de Bíblias & Tratados do Brasil por esta incentivar no país notória descriminação religiosa. (Processo n.° 0009385-57.2011.4.05.8100) O MPF exigia que fosse impedida de publicar ou divulgar por todos os meios, qualquer material que promova a intolerância e descriminação contra ex-membros. A 16 de novembro de 2011, Ricardo Cunha Porto, Ex.º Juiz Federal da 8.ª Vara, entendeu indeferir a ação usando no art.º 267, VI, e no art.º 295, I, do Código do Proc. Civil, declarando o processo extinto sem julgamento de mérito.

No artigo de estudo da revista A Sentinela de 15/7/2011 pág. 16 - a edição que não se destina ao público - a STV afirmou que os que apostataram são "mentalmente doentes". Orienta os fiéis a permanecer na religião e a não terem nenhuns contatos com tais pessoas. Um grupo de ex-Testemunhas na Grã-Bretanha apresentou queixa às autoridades judiciais por tais declarações. (The Telegraph online de 27/9/2011) Este facto também recebeu atenção na Finlândia, Espanha e outros países.

Reforçando o estereótipo

Os dissidentes críticos foram qualificados de "mentalmente doentes" pelo Corpo Governante, no artigo de estudo da A Sentinela de 7/2011. Em I Timóteo 6:4, o gr. noseo, que deriva de nosos, significa "doença", "ficar doente". Metafóricamente, é alguém mentalmente perturbado, com um interesse doentio ou que vive obcecado por algo. (James Strong, Concordância bíblica exaustiva de Strong) Não se trata de doença mental! Isso é confirmado pela própria Tradução interlinear do Reino das Escrituras Gregas.

  • Note as diferentes traduções do § 4: “é um obcecado pelo orgulho, um ignorante, doentio por questões ociosas e contendas de palavras” (ACF); “é um obcecado pelo orgulho, um ignorante, um espírito doentio dado a querelas e contendas de palavras” (MC); “é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras” (NVI); “é cego, não entende nada, é doente à procura de discussões e brigas de palavras” (BJ).

A Comissão de Tradução do Novo Mundo traduz na Tradução do Novo Mundo o hebr. khanef [ חָנֵף ] por apostasia. Mas khanef significa "hipocrisia" ou "um hipócrita". Isto é, alguém enganoso, simulado, um falso, que usa de fingimento. A raiz da palavra khanef significa profanação, completamente profanado, poluído ou corrompido. Pode ser um iníquo ou a pessoa que rejeitou a Deus. (James Strong, Concordância bíblica exaustiva de Strong) "Levar a apostasia" é uma possível consequência de khanef, não é o seu significado.

  • A explicação da STV: "A palavra hebraica khanef é usada, significando [ alguém ] alienado de Deus, isto é, um apóstata. O verbo aparentado, khanef, significa estar inclinado para longe da relação correta com Deus, ou poluir religiosamente, levar à apostasia." (Estudo perspicaz das Escrituras, vol.1 pág.158; citanto L. Koehler e W. Baumgartner, Léxico dos livros do Antigo Testamento, Leiden, 1958, pág. 317, em inglês) Força assim o sentido original do hebraico na Tradução do Novo Mundo, devido à aversão da STV e do Corpo Governante para com os "apóstatas" organizacionais.

Se confrontado com apóstatas

"Se a pessoa não for sincera, usualmente é melhor que nos escusemos e sigamos para a próxima porta. Os apóstatas e os opositores não estão interessados na Verdade, mas apenas servem aos objetivos de Satanás. Mas, quando alguém faz perguntas sinceras, podemos apegar-nos a estas e responder à base das Escrituras." (Nosso ministério do Reino de 1/1987 pág. 8) "Em vez de considerar o que apóstatas escreveram ou disseram, devem se concentrar no ponto de vista bíblico dos assuntos conforme delineado nas publicações da Sociedade". (A Sentinela de 15/4/2001) "... a abordagem negativa e crítica dos apóstatas. Por rejeitarmos a maneira apóstata de pensar e a matéria que publicam, mostramos nossa lealdade a Jeová e à Sua organização visível." (Nosso ministério do Reino de 5/1992 pág. 2)

"Ora, o que fará então quando se vir confrontado com ensinos apóstatas - raciocínios subtis - afirmando que aquilo que Você crê como Testemunha de Jeová não é a verdade? Por exemplo, o que fará se receber uma carta ou alguma literatura, e, abrindo-a, vê logo que procede dum apóstata? Será induzido pela sua curiosidade a lê-la, só para ver o que ele tem a dizer?" (A Sentinela de 15/3/1986 pág. 12 §7) "Assim como o cirurgião age depressa para cortar fora uma gangrena, aja depressa para eliminar da mente qualquer tendência de queixa, de dessatisfação com o modo em que as coisas são feitas na congregação cristã. Corte fora tudo o que promova tais dúvidas." (A Sentinela de 1/2/1996 pág. 24)

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