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Carl Olof Jonsson, ex-Testemunha de Jeová de Goteborg, Suécia. Foi um ancião congregacional e Pioneiro de Tempo Integral. Em 1977, foi autor do tratado intitulado Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, revisto e ampliado durante o ano de 1981, que serviu de base para seu livro. Seria desassociado como "Apóstata" em 9 de Junho de 1982, sendo decisão confirmada a 7 de Julho. É autor do livro Os Tempos dos Gentios Reconsiderados - Cronologia e a Volta de Cristo, publicado pela primeira vez em 1983. Teve uma segunda edição em 1986, e uma terceira edição, revista e aumentada em 1998. Foi ainda co-autor com Wolfgang Herbsto, do livro O "Sinal" dos Últimos Dias - Quando?.

Questionando a Cronologia Editar

No decorrer do seu ministério, em 1968, um senhor a quem Jonsson dirigia um estudo bíblico o desafiou a provar que estava certa a data que a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tinha escolhido para a desolação de Jerusalém pelos babilónios, isto é, 607 AEC. Tal como as outras Testemunhas, supunha que a datação que a Sociedade faz da destruição de Jerusalém em 607 AEC era baseada na Bíblia, e portanto, não podia ser abalada por aquelas fontes seculares. Contudo, prometeu que iria analisar o assunto. Em resultado disso, Jonsson fez uma investigação que continuou de 1968 até ao fim de 1975. Nesta altura, o crescente peso das evidências contra a data 607 AEC. forçou a concluir, relutantemente, que o Corpo Governante estava errado. Um tratado sobre toda esta questão foi preparado e enviado para o Corpo Governante em 12/12/1977.

A Resposta da Sociedade Editar

"Apreciamos a sua sinceridade em querer tornar conhecidos os seus pontos de vista. Contudo, independentemente de quão forte a argumentação em apoio desses pontos de vista possa ser, eles têm de, por agora, ser encarados como a sua opinião pessoal. Não é algo de que o irmão deva falar ou tentar divulgar entre outros membros da congregação. ... o que o irmão declara no seu tratado representa um abandono radical do entendimento atual que as Testemunhas de Jeová têm da cronologia. ... Estamos também certos que compreenderá que se indivíduos promovessem e advogassem essas mudanças, isso iria ter, não um efeito unificador, mas um efeito de divisão que produziria confusão. ... Pode estar certo que os seus pontos de vista serão examinados por irmãos responsáveis e que se em algum momento for necessário fazer uma mudança doutrinal, esta virá através dos canais próprios. Isto é importante para preservar a unidade da organização de Jeová. Esperamos que o irmão acate o conselho dado acima. Na altura própria, esperamos analisar o seu tratado e avaliar o que está contido nele." (Carta da Sociedade dos EUA de 17/1/1978; conforme publicada na introdução do livro Os Tempos dos Gentios Reconsiderados O autor desta carta foi Lloyd Barry, então membro do Corpo Governante.)

"Estamos certos que o irmão compreende que não seria apropriado da sua parte começar a divulgar os seus pontos de vista e conclusões sobre cronologia que diferem daqueles publicados pela Sociedade, de modo a causar questões e problemas graves entre os irmãos." (Carta da Sociedade dos EUA de 15/5/1980; conforme publicada na introdução do livro Os Tempos dos Gentios Reconsiderados. O autor desta carta foi Fred Rusk, do Departamento de Redação.)

Interrogatório e difamação Editar

No início de agosto de 1978, Albert Schroeder, membro do Corpo Governante, teve uma reunião na Europa com representantes dos escritórios das filiais da STV da Europa. Nessa reunião, disse à audiência que estava em andamento uma campanha, tanto no interna como externa, para derrubar a Cronologia da Sociedade a respeito de 607 AEC / 1914 EC. No entanto, a Sociedade não tinha qualquer intenção de abandonar essa cronologia, declarou ele.

Três semanas mais tarde, a 2 de setembro, fui convocado perante uma Comissão de Avaliação designadas pelo Escritório da Filial da Suécia, formada por Rolf Svensson, Superintendentes de Distrito, e Hasse Hulth, Superintendente de Circuito. Fui informado o Corpo Governante estava profundamente preocupados com as consequencias do seu tratado. Jonsson é novamente avisado que não devie divulgar a informação que tinha reunido. Rolf Svensson disse que a STV não precisava, nem queria, que Testemunhas de Jeová individuais se envolvessem em investigações deste tipo.

Em parte devido a esta reunião, Jonsson renunciou a sua posição como ancião congregacional, bem como as demais tarefas e designações na congregação local e no circuito a que pertencia. Fiz isto sob a forma de uma longa carta, dirigida ao Corpo de Anciãos local, e ao Superintendente de Circuito. Nos meses seguintes, Jonsson e outros que tínhamos questionado a cronologia, começaram a ser condenados e difamados em privado, bem como em público, nas suas reuniões congregacionais e em assembleias e congressos. Que essa obvia difamação não era apenas um fenómeno local, mas tinha a aprovação do Corpo Governante, tornou-se evidente a partir do fato de declarações similares terem sido impressas na revista A Sentinela.

Posteriormente, a Sociedade tentou refutar as evidências contra a data 607 AEC, mas isto só aconteceu depois de o Coordenador da Comissão da Filial da Suécia, Bengt Hanson, ter escrito ao Corpo Governante pedindo-lhes que providenciassem uma resposta ao conteúdo do tratado que lhes fora enviado, dizendo-lhes que o autor ainda estava à espera de uma resposta.

Hanson fez uma visita em 11/12/1979, para discutir a situação que se desenvolveu. Durante a nossa discussão, ele foi forçado a ver que as evidências eram contra a data 607 AEC. Se a evidência contra a data 607 AEC era válida, isto seria um motivo de real preocupação para todas as Testemunhas. Como resultado disto, no início de 1980, Hanson escreveu uma carta ao Corpo Governante, explicando a situação, dizendo-lhes que Jonsson ainda estava à espera de uma resposta para as evidências que reunira contra a Cronologia da Sociedade. E foi assim que, cerca de três anos depois de eu lhes ter enviado o material da pesquisa, numa Carta da Sociedade dos EUA de 28/2/1980, eles fizeram uma tentativa de lidar com a questão, em vez de se ocuparem com quem questionava.

A argumentação apresentada era em grande parte uma repetição de argumentos anteriores, encontrados em vários sítios na literatura da Sociedade, argumentos esses que já tinham sido provados insatisfatórios no tratado. (Ajuda ao Entendimento da Bíblia, Vol. 1, pág. 601-622) Numa carta datada de 31/3/1980, Jonsson respondeu aos argumentos usados pela Sociedade e ainda acrescentei duas novas linhas de evidência contra a data 607 AEC. Assim, a Sociedade não só falhou em defender a sua posição, mas a evidência contra ela também se tornou consideravelmente mais forte.

A Sociedade não fez qualquer tentativa adicional de lidar com a questão até 1981, quando apareceu uma resposta acerca do assunto no "Apêndice" do livro Venha o Teu Reino, nas pág. 186-190. Esta última discussão não acrescenta nada de novo aos argumentos usados anteriormente, e para qualquer pessoa que tenha estudado cuidadosamente o assunto, é uma débil tentativa de defender uma posição historicamente insustentável através da distorção e ocultação dos fatos. O conteúdo do "Apêndice", citado acima, convenceu Jonsson que o Corpo Governante não estava disposto a deixar os fatos históricos interferir com suas doutrinas fundamentais.

Jonsson recebe uma carta do Escritório da Filial da Suécia, datada de 4/5/1982. Esta carta era uma convocação para comparecer perante uma Comissão Judicativa formada por quatro anciãos, designados para determinar qual era a atitude de Jonsson em relação as crenças das Testemunhas de Jeová. O único assunto judicativo considerado foi, se Jonsson concordava totalmente ou não com os ensinos do Corpo Governante publicados pela STV. A questão de saber se as razões para a minha posição eram válidas, foram simplesmente tratadas como irrelevantes na ação judicativa.

"Os que expressam tal objeção salientam que muitas organizações religiosas que afirmam ser cristãs permitem conceitos dissidentes. ... Entretanto, tais exemplos não constituem nenhuma base para nós fazermos o mesmo. ... Ensinar conceitos dissidentes ou divergentes não é compatível com o verdadeiro cristianismo. (A Sentinela de 1/4/1986, pág. 30-1)

Tempos dos Gentios Reconsiderados Editar

A ideia de que o "Tempo dos Gentios" [ ou "tempos designados das nações" na NM ] a que se refere Lucas 21:24 forma um período de 2520 anos, conduziu a especulação e decepções entre muitos que esperaram segunda vinda [ ou presença; gr. parousía ] de Cristo durante os últimos dois séculos.

O livro Tempos dos Gentios Reconsiderados apresenta evidências históricas, junto com um estudo notavelmente extenso dos antigos registros assírios e babilónicos que datam da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor II, como também um estudo acurado sobre as profecias bíblicas relativas aos "setenta anos" de dominação Neo-babilónica de Judá. Também mostra de maneira clara que a data de 607 AEC - na qual o Corpo Governante se tanto apoia doutrináriamemte - não passa de mais uma falsa interpretação das Escrituras, além de uma detrupação da História. Quanto à qualidade da investigação sobre o período Neo-babilónico, Luigi Cagni, Prof. de Assíriologia na Universidade de Nápoles, escreveu:

"Várias vezes durante a minha leitura [ do livro de Jonsson ] fui sobrepujado por sentimentos de admiração e profunda satisfação pela forma como o autor lida com argumentos relacionados com o campo da Assíriologia. Isto é particularmente verdade no caso da discussão que ele faz da astronomia de Babilónia e do Egito, e da informação cronológica encontrada em textos cuneiformes do primeiro milénio AEC, fontes que desempenham uma posição central na argumentação de Jonsson. ... A sua seriedade e meticulosidade são evidentes no fato de ter contatado frequentemente assíriologistas com uma competência especial nos campos da astronomia e da cronologia babilónicas, como os professores H. Hunger, A. J. Sachs, D. J. Wiseman, o Sr. C. B. F. Walker do Museu Britânico e outros. No que diz respeito ao campo com o qual estou mais familiarizado, os textos económico-administrativos dos períodos Neo-babilónico e Achemita, posso dizer que Jonsson interpretou-os de forma muito correta. Eu testei Jonsson durante a leitura do livro. Quando acabei de o ler, tive de admitir que ele passou o teste de forma esplêndida."

(Prefácio da edição italiana do livro Os Tempos dos Gentios Reconsiderados. Entre outras coisas, o Prof. Luigi Cagni era um dos maiores especialistas nas Tabuinhas de Ebla. Faleceu em Janeiro de 1998.)

Evidencias Omitidas Editar

Vários anos antes do tratado ter sido enviado para o Corpo Governante, alguns membros do Departamento de Redação tinham começado a ver as fragilidades das interpretações proféticas ligadas à data 1914. Estes incluíam Edward Dunlap e Raymond Franz, membro do Corpo Governante. Estes investigadores concordavam com a conclusão de que a data 607 a.C. para a destruição de Jerusalém é históricamente insustentável. Até Lyman Swingle, membro do Corpo Governante, se expressou perante outros membros do Corpo, dizendo que a Sociedade tinha obtido a data 1914 - de que depende o cálculo da data 607 a.C. - inteiramente do Segundo Adventismo. Apesar das tentativas de Raymond Franz e de Lyman Swingle de trazer o assunto para discusão no Corpo Governante, os restantes membros acharam não ser apropriado discutir o assunto. Decidiram continuar a advogar a data 1914 como um fato histórico. (Crise de Consciência, Hagnos Editora, São Paulo, pág. 140-3, 214-6; Ajuda ao Entendimento da Bíblia, Vol. 1, Vol. 1, pág. 601-622)

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar

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