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Em 7 de Maio de 1989, "A Torre de Vigia" do México foi reconhecida pela a Diretoria-Geral de Assuntos Religiosos como uma Associação Religiosa, sem fins lucrativos. Antes disso, durante 50 anos, foi uma entidade cultural. (Despertai! de 22/7/1994)

Em 1927, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia (IBSA, uma entidade jurídica usada pelas Testemunhas de Jeová) obteve permissão do Governo do México para existir legalmente no país. Em 1932, mudou sua designação para "A Torre de Vigia". A 10 de Junho de 1943, "devido a leis que limitavam as atividades religiosas no país", a "A Torre de Vigia" foi registrada na Secretaria de Relações Exteriores, como "associação civil fundada para a Divulgação Científica, Educadora e Cultural, não lucrativa". (Despertai! de 22/7/1994, pág. 12-4) Quais eram essas leis limitativas e a sua natureza?

A Constituição do México ( promulgada em 5/2/1917 e anterior às emendas de 1989 ), no seu Artigo 24, dizia: "Todo homem é livre de professar a crença religiosa que mais lhe agradar e de praticar as cerimónias, devoções ou atos do culto respetivo, nos templos ou em seu domicílio particular, sempre que não constituam delito ou falta puníveis pela Lei." Isto nos mostra que a Constituição garantia liberdade religiosa! Nos § 2 e 3 do Artigo 27 acrescentava: "As associações religiosas denominadas Igrejas, seja qual for o seu credo, não poderão em caso algum ter capacidade para adquirir, possuir ou administrar bens de raiz, nem capitais invertidos neles; os que tiverem atualmente, por si ou por pessoa intermediária, passarão para o domínio da Nação ... Os templos que no futuro se erigirem para o culto público serão de propriedade da Nação."

Questões Éticas e Religiosas Editar

As Testemunhas mexicanas realizavam sua obra [ religiosa mundial ] em conformidade com as leis que regiam as associações culturais locais. Apenas tinham de se manter dentro dos limites de uma associação cultural - ao menos na "aparência". Se fosse revelado o caráter religioso da entidade "A Torre de Vigia" à qual pertenciam, isso resultaria no confisco dos bens, os quais passariam - por força de Lei - a propriedade do Estado.

Só que manter a "aparência cultural" durante 50 anos, teve um tributo ético e religioso. "Obter o registro legal permite a entrada de missionários, realização de assembleias e congressos, importação de publicações, obter benefícios fiscais, aquisição de propriedades, ... Naturalmente, nunca devem comprometer os princípios da Adoração Pura para obterem o registo legal." (Procedimentos do Escritório de Filial, 2003, Cap. 9 § 10)

A partir de 1989, as Testemunhas de Jeová, passaram a ter o direito de usar a Bíblia em sua obra de pregação e nas suas reuniões públicas congregacionais passou a existir cânticos de louvor e oração. (A Sentinela de 1/1/1990) Além do não uso da Bíblia, de cânticos de louvor e orações nas reuniões púbicas, as Congregações locais chamavam-se "Companhias", os Salões do Reino chamavam-se "Salões culturais", as reuniões bíblicas também se chamavam "Reuniões culturais" e, por fim, o Batismo chamava-se "Símbolo". Até mesmo, a extensão da escola missionária da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foi denominada de Escola Cultural de Gileade. (A Sentinela de 1/1/1990; Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 466) Veja também Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia.

"Cartillas" Fraudulentas Editar

Pela Lei do México, todo jovem em idade de alistamento militar deve comparecer a uma Junta de Recrutamento Militar, onde recebe um certificado ("cartilla") no qual se acham espaços para anotação de seu comparecimento aos exercícios militares, pelo período mínimo de um ano. A bem conhecida posição das Testemunhas de Jeová, por décadas, era de recusar o Serviço Militar, bem como o Serviço Cívico alternativo ao Serviço Militar. Este último, disponível em alguns países aos Objetores de consciência era proibido, até a recente mudança de entendimento em 1996. Tal postura resultou em muitos encarceramentos, sanções e até perseguição e execuções.

No Brasil, alguns dos que hoje ocupam posição de destaque nas congregações das Testemunhas de Jeová, obtiveram a carteira de reservista burlando a Lei por meio da mediação de algum conhecido "influente", escapando ao juramento à bandeira (ou "fingindo" jurar).

No Malawi, ondas de perseguição varreram as comunidades de Testemunhas de Jeová nas décadas de 1960 e 1970. Quando o Governo do Malawi exigiu que seus cidadãos comprassem "cartões de membro do partido [único]," seria equivalente a uma Carteira de Identidade, a Sociedade Torre de Vigia tomou firme posição contra isso. Por aderirem a esta posição, famílias inteiras foram massacradas, as mulheres estupradas e milhares tiveram de fugir para países vizinhos. (Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 674) Também na República Dominicana, muitos jovens passaram os melhores anos de suas vidas em prisões por terem recusado o Serviço Militar.

Por volta desta mesma época, no México, as Testemunhas subornavam funcionários militares para que emitissem um certificado no qual constava que o jovem estava em dia com suas obrigações militares. Isto envolvia até mesmo superintendentes nas congregações e superintendentes de Circuito. (Crise de Consciência, Raymond Franz, Editora Hagnos, São Paulo, 1999) O Corpo Governante conclui que foi por meio deste arranjo ilegal que "Jeová abençoou a obra que as Testemunhas de Jeová vinham realizando ao longo dos anos". (Despertai! de 22/7/1994, pág. 12-4)

Direção teocrática Editar

Em 1962, o Escritório da Filial do México enviou uma carta a Nathan Knorr, Presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), dando conta do suborno e falsificação de documentos entre as Testemunhas mexicanas para obter isenção dos deveres militar. Na carta, o Superintendente da Filial solicitava uma direção teocrática quanto a postura que deveria adotar em relação ao fato. (Carta da A Torre de Vigia do México de 4/2/1960, n.º 123)

"Uma outra coisa que tem de ser discutida aqui é a lei de marchar como parte do programa de treinamento militar. Depois de "marchar' por um ano, consegue-se a carteira provando que cumprimos com nosso ano de marcha e esta carteira é nosso documento básico para garantir-nos um passaporte, carteira de motorista e, de fato, muitas transações legais. Os irmãos compreendem a posição cristã de neutralidade com relação a tais assuntos, mas muitos irmãos fazem o pagamento em dinheiro a certos funcionários e eles põem em ordem sua carteira de marcha. É este procedimento honesto? Se um irmão realmente marchar, aplicamos a norma de que eles têm transigido e não os designaremos como servos na congregação [ isto é, para cargos congregacionais ] durante, pelo menos, três anos. Mas, aqui, um irmão que provavelmente é Superintendente de Congregação ou Superintendente de Circuito, têm sua carteira de marcha, a qual usa de vez em quando em suas transações legais, mas sem ter marchado. O que é correto neste respeito? O costume entre os irmãos é e tem sido pagar por isto uma quantia em dinheiro e garantir sua carteira de marcha, e muitos deles estão servindo atualmente como superintendentes de Circuito ou superintendentes de Congregação. Estão eles representando uma farsa? Ou é simplesmente uma dessas coisas deste sistema fraudulento? Devemos deixar que passe ou deve ser feita alguma coisa quanto a isso? ... Seu conselho sobre isso será apreciado." A resposta veio na Carta da Sociedade dos EUA de 2/6/1960, n.º 157.

"Com relação aos que são isentos do treinamento militar por meio de uma transação monetária [ eufemismo para suborno ] com os funcionários envolvidos, isto é semelhante ao que é feito em outros países latino-americanos, nos quais os irmãos têm gratificado [ eufemismo para suborno ] algum funcionário militar pela isenção [ eufemismo para falsificação de documentos ], a fim de preservar sua liberdade para as atividades teocráticas. ... Se a consciência de certos irmãos lhes permite participar de tal arranjo [ eufemismo para fraude ] em favor de sua contínua liberdade, não temos nenhuma objeção. Evidentemente, caso fiquem em dificuldades por causa de seu modo de agir, então terão de arcar eles mesmos com tais dificuldades, e nós não poderemos prestar-lhes nenhuma assistência. Mas se o arranjo é comum aí e é aceito pelos fiscais, os quais não fazem nenhuma investigação sobre a veracidade do assunto, então o problema pode ser ignorado por suas vantagens de crescimento. Caso surja uma emergência militar e sejam estes irmãos confrontados com sua carteira de marcha, serão obrigados a tomar uma decisão da qual não poderão safar-se por meio de pagamento em dinheiro, e a sua integridade será provada, tendo de demonstrar prontamente qual é a sua posição e provar que são a favor da Neutralidade Cristã em um teste decisivo."

Em 1969, o Superintendente da Filial questiona novamente a condição das Testemunhas titulares das "cartillas" que se tornaram reservistas de primeira classe. (Carta da A Torre de Vigia do México de 27/8/1969, n.º 182) A resposta veio na Carta da Sociedade dos EUA de 5/9/1969.

"A carta citada por vocês, de 4/2/1960, n.º 123, abrange todo o assunto. Não há mais nada a dizer. A responsabilidade recairá sobre estes indivíduos quanto ao que pretendem fazer, no caso de serem alguma vez convocados, e é bastante cedo para se tomar qualquer atitude. No ínterim, estes irmãos que se alistaram e que pagaram uma taxa [ eufemismo para suborno ], estão livres para ir em frente com seu serviço. Não que estejamos dando a nossa aprovação sobre esse assunto, mas é a consciência deles, não a nossa, que lhes tem permitido seguir este modo de agir que adotaram. Se a consciência deles lhes permite fazer o que têm feito e se não estão transigindo de maneira alguma [ quer dizer, no sentido de portarem armas e não estarem "transformem suas espadas em podadeiras" ], então simplesmente deixem o assunto de lado. Não há motivo algum para vocês responderem quaisquer perguntas ou fazerem comentários às pessoas nem para se envolverem em uma discussão. ... Se a consciência destas pessoas lhes permite fazer o que fazem e alistarem-se como reservistas, cabe a eles se preocuparem com isso, caso estejam preocupados. Não compete ao Escritório da Sociedade preocupar-se com isso. A Sociedade tem sempre dito que as pessoas devem agir de acordo com a Lei, ... é bastante cedo para que os superintendentes na congregação adotem alguma medida. Portanto, deixem as coisas ficarem como estão e tem estado desde Fevereiro de 1960, sem mais comentários."

É certo que a Sociedade tem ensinado "que as pessoas devem agir de acordo com a Lei", mas apenas quando isso lhe convêm. Realmente "não há nenhum motivo para decidirmos pela consciência de outro homem", mas apenas quando isso lhe convêm.

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