Charles Russell
De Enciclopédia das Testemunhas de Jeová
Charles Taze Russell nasceu em Allegheny (hoje parte da cidade de Pittsburgo), Pensilvânia, EUA, em 16 de Fevereiro de 1852. Sua família pertencia à Igreja Presbiteriana, mais tarde, da Igreja Congregacional. Jonas Wendell, George Stetson e George Storrs, foram pastores do Segundo Adventismo que muito contribuíram para formação dos seus conceitos religiosos. Tornou-se "editor assistente" da revista adventista, Arauto da Manhã, após se associar com Nelson Barbour, também ele adventista. Em 1879, tornou-se o líder do movimento religioso chamado "Estudantes da Bíblia" ( desde 1931, chamadas de Testemunhas de Jeová ). O movimento é chamado de Russelismo, por vezes, com uso depreciativo. Em Fevereiro de 1881, foi co-fundador da Sociedade Torre de Vigia de Sião e seu Secretário-tesoureiro. Era então Presidente William Henry Conley. A 15 de Dezembro de 1884, obtêm personalidade jurídica, e Charles Russell se torna no primeiro Presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia. Faleceu a 16 de Outubro de 1916. Sucedeu-lhe na presidência, Joseph Franklin Rutherford.
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Sua Formação Pessoal
Era o segundo filho de Joseph L. e Ann Eliza Russell, presbiterianos e de descendência escocesa-irlandesa. Charles, era o segundo de 5 filhos, apenas 2 sobreviveram até a idade adulta. A mãe de Charles faleceu a 25 de Janeiro de 1861, quando ele tinha apenas 9 anos, mas, desde a tenra idade, Charles foi influenciado pelos seus pais que tinham fortes inclinações religiosas. Com 11 anos, Charles passou a ser sócio comercial do pai, o próprio rapazinho escrevendo os artigos do acordo sob o qual operava a empresa deles. Com 15 anos, estava associado ao pai numa crescente rede de lojas de roupas masculinas. Seu pai, Joseph, morreu a 17 de Dezembro de 1897, com a idade de 84.
Com o tempo, possuíam lojas em Pittsburgo, Filadélfia e em outras partes. Por todo esse tempo, o jovem Charles era sincero estudante da Bíblia e desejava servir a Deus. Aderiu a Igreja Congregacional, por causa de seus conceitos mais liberais. Ao tornar-se mais velho, Russell sentia-se perturbado com certas doutrinas religiosas geralmente aceites. Em especial se preocupava com as doutrinas do inferno de fogo literal e da predestinação pessoal. Arrazoava ele: "Um Deus que usasse seu poder para criar seres humanos, os quais sabia de antemão e predestinara que fossem eternamente atormentados, não poderia ser sábio, nem justo nem amoroso."
Em 1869, Charles Russell ao assistir a uma reunião da Igreja do Segundo Advento, onde ensinava o Pastor Jonas Wendell, a sua "fé oscilante" na Bíblia é reestabelecida. Conclui que vivia próximo do "tempo do fim". Porém, Russell nunca tornou-se seguidor do movimento "Segundo Adventismo". Quase imediatamente Russell, seu pai e outros, formam um pequeno grupo de estudo da Bíblia não-setário, em Allegheny, Pensilvânia. Este grupo foi a base de um novo movimento religioso. Empenhando em contrariar os ensinos religiosos em voga que considera erróneos, em 1873, Russell, com apenas 21 anos, escreveu e publicou, às suas próprias custas, um opúsculo intitulado O Objetivo e a Maneira da Volta do Senhor. Cerca de 50 mil exemplares foram publicados e o mesmo gozou de ampla distribuição.
Ele reconheceu francamente a sua "dívida" para com os adventistas, bem como outras denominações, e mencionou duas pessoas, George Stetson e George Storrs, que contribuíram para suas concepções religiosas. Destes dois homens que influenciaram Russell, George Storrs foi de longe o mais importante. Em 1874, Russell lê a revista Arauto da Aurora, editada pelo adventista Nelson H. Barbour. Russell encontra pessoalmente Barbour, e este convence Russell que a Segunda Vinda de Cristo (em gr. parousía, pode ser traduzido por vinda, advento, presença ) seria invisível, e que esta começara em Outubro de 1874. Haveria num período de 40 anos até ao Armagedom, Arrebatamento da Igreja Cristã e o inicio do Reinado Milenar.
Apresentam o conceito de que a da Segunda Vinda de Cristo [ gr. parousía ] de Cristo a partir de Outubro de 1874 e Também acreditava que nesse ano, se iniciava uma obra de evangelização para reunir os cristãos verdadeiros.
Durante a sua vida, ocorreram 2 cismas agudos no movimento dos Estudantes da Bíblia: o primeiro, o Cisma de 1894, que resultou do sentimento entre alguns dos seus co-trabalhadores de que ele era demasiado dominador; o segundo, o Cisma de 1908-9, devido ao assunto doutrinal do Novo Pacto. Muito mais dolorosa, foi a sua separação da esposa em 1897, o julgamento que legalizou essa separação em 1906, e a amargura que se seguiu. A separação de Russell da sua esposa, ocasionou - e continua a ocasionar - duros ataques e largamente injustos à sua reputação. Jornais e membros do clero individualmente insinuaram, depois da sua separação legal em 1906, que ele era um adúltero. Ele foi acusado de fraude financeira, particularmente no que ficou conhecido como o episódio do Trigo Milagroso. Ele foi rotulado de perjuro por um pastor baptista canadiano, o Reverendo J. J. Ross, que afirmou que Russell tinha mentido na posição de testemunha dizendo que sabia grego, quando não sabia. Na realidade, o que Russell disse no julgamento foi que: conhecida o alfabeto grego, mas não falava o idioma grego.
Seu Perfil
Um exame cuidadoso de cada tribulações de Russell indica que, ele era basicamente honesto mesmo quando estava completamente enganado. De facto, a sua vida pessoal foi em geral livre de mácula. Além disso, ele era geralmente um homem atractivo, bondoso, que estava completamente devotado a sua missão religiosa - que acreditava ser a sua. Mas não pode haver dúvida de que ele tinha um pouco de orgulho arrogante e que, por vezes, era sincero ao ponto da ingenuidade. Num relacionamento importante - o seu casamento - faltou-lhe uma maior sensibilidade e afeição. Se tivesse tomado tempo para reflectir, teria se tornado um marido mais do que apenas nominal. Embora sem dúvida ele fosse inocente de fraude no assunto do Trigo Milagroso, devia ter tido melhor senso do que vender grão com esse nome em apoio do evangelismo. (Apocalipse Adiado: A História das Testemunhas de Jeová, Prof. James Penton, University of Toronto Press, 1997, 2.ª edição, em inglês)
Trigo Milagroso
Os inimigos de Russell usaram contra ele não só os seus assuntos familiares, mas também uma suposta desonestidade e ganho de lucro injusto. Por exemplo, seus adversários acusaram-no de vender grande quantidade de trigo comum sob o nome de "Trigo Milagroso" a um dólar a libra, ou sessenta dólares o bushel. Sustentaram que através de uma fraude, Russell granjeou enorme lucro pessoal. Este assunto é bem explicado na pág. 71 do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976.
"O Sr. Stoner não era Estudante da Bíblia nem associado de C. T. Russell, e nem o eram as várias outras pessoas que experimentaram o Trigo Milagroso. Em 1911, contudo, os leitores da Torre de Vigia, J. A. Bohnet, de Pittsburgo, Pensilvânia, e Samuel J. Fleming, de Wabash, Indiana, presentearam à Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA), o total de cerca de trinta bushels [ uns 810 kg ] deste trigo, propondo que fosse vendido a um dólar a libra, e que toda a renda fosse recebida pela Sociedade qual donativo da parte deles, a ser usado em sua obra religiosa.
O trigo foi recebido e enviado pela Sociedade, e a renda bruta dele totalizou cerca de 1.800 USD$. O próprio Russell não recebeu nem sequer um pêni [ equivalente a "um cêntimo" ] deste dinheiro. Simplesmente publicou uma declaração em A Torre de Vigia no sentido de que o trigo fora contribuído e podia ser obtido por um dólar a libra. A própria Sociedade não fez nenhuma exaltação do trigo à base de seu próprio conhecimento, e o dinheiro obtido entrou como donativo para a obra missionária cristã. Quando outros criticaram a venda, todos que haviam contribuído foram informados de que, se estivessem dessatisfeitos, seu dinheiro seria devolvido. Com efeito, o dinheiro equivalente ao recebido pelo trigo foi retido por um ano para esse fim. Mas, nem sequer uma pessoa pediu a sua devolução. A conduta de Russell e da Sociedade em relação ao Trigo foi inteiramente franca e limpa." (Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, pág. 71)
Casamento de Russell
Charles Russell casou-se com Maria Frances Ackley, em 1879. Viria a falecer em São Petersburgo, Florida, em Agosto de 1938, vítima da Doença de Hodgkin. Sendo uma mulher instruída e inteligente, era muito bem recebida ao visitar as congregações locais dos Estudantes da Bíblia. A Sra. Russell era contribuinte regular para as colunas da revista A Torre de Vigia de Sião e, por certo tempo, editora-associada do periódico. Ela foi também membro da Diretora da Sociedade Torre de Vigia e Secretária-tesoureira da mesma.
Com o tempo, a Sra. Russell procurou ter maior poder de decisão no que devia ser publicado na revista A Torre de Vigia de Sião, contrariando dessa forma o entendimento do Presidente da Sociedade. Efetivamente, era foi vítima de conspiradores astutos que usaram a bajulação e argumentos sobre Direitos da Mulher, adicionada à sua ambição pessoal. O ressentimento crescente levou a Sra. Russell a cortar relações com a Sociedade Torre de Vigia e consumar a rutura com seu marido. Sem aviso, Sra. Russell separou-se de seu marido em 1897, depois de quase 18 anos de casada. Por quase 7 anos, Charles Russell proveu-lhe uma casa separada e provisões financeiras para o seu sustento.
Em Junho de 1903, a Sra. Russell deu entrada no Tribunal de Apelações Comuns de Pittsburgo, um processo de Separação Legal. Em Abril de 1906, o caso foi submetido a julgamento perante o Juiz Collier e um júri. Em 4 de Março de 1908, foi expedido um decreto que declarava o seguinte: "Ordena-se, julga-se e decreta-se agora que haja a separação de corpos entre Maria Frances Russell, a Impetrante, e Charles Taze Russell, o Impetrado." Nunca houve divórcio. Charles Russell nunca fora acusado de ter cometido adultério.
Em Outubro de 1916, Maria Russell no funeral do seu marido, usando um véu, ela seguiu pelo corredor até o esquife e depositou ali um buquê de lírios-do-vale. Fixo nele havia uma fita com os dizeres: "Ao Meu Amado Esposo."
Sua Presidência
No decorrer do tempo, Charles Russell escreveu cinco outros livros da série Aurora do Milénio, mais tarde, chamado Estudos das Escrituras (1886 a 1904). Eram: Volume 2, O Tempo É Chegado (1889), Volume 3, Venha o Vosso Reino (1891); Volume 4, A Batalha do Armagedom (1897, originalmente chamado O Dia de Vingança), Volume 5, A Expiação Entre Deus e o Homem (1899); Volume 6, A Nova Criação (1904). Russell não chegou viver para escrever o tencionado Volume 7 desta série.
No início da tarde de terça-feira, 31 de Outubro de 1916, Charles Taze Russell, com 64 anos, morreu em Pampa, Texas. Foram realizados os serviços na Salão de Música Carnegie, em Pittsburgo (Allegheny), Pensilvânia, sendo o enterro feito no lote da Família de Betel nos Cemitérios Unidos de Rosemont. Uma breve biografia de Russell e seu testamento foram publicados na revista A Torre de Vigia de 1/12/1916.
