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Cronologia bíblica da STV usada nas publicações da Sociedade Torre de Vigia (STV) é elaborada segundo a interpretação da Bíblia feita pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Sua cronologia bíblica, deriva da cronologia elaborada pelo reverendo Christophen Bowen e adotada por Nelson Barbour, embora tenha sofrido importantes revisões. Subsiste ainda com algumas ideias equivocadas e erros históricos. A STV e sua liderança, descreve-se a si própria nas suas publicações como a figura central de várias profecias referentes ao "tempo do fim" ou "últimos dias". As conclusões da STV são apresentadas como fatos certos e incontestáveis. Forçam a interpretação de alguns textos da Bíblia para se ajustar as suas ideias pré-concebidas. Não existe margem para questionamentos ou críticas aos seus argumentos, visto que isso coloca em causa a estrutura doutrinária, a credibilidade da religião e a legitimidade da liderança e sua autoridade. As datas atualmente sobreviventes - 1914 e 1918 - se apoiam numa cronologia fragíl cada dia mais difícil de sustentar pela STV, e seus eventos, assim como os das datas já descartadas, jamais puderam ser comprovados, a não ser pela "fé".

Expetativas equivocadas

Tanto Nelson Barbour como Charles Russell, podiam ter usado uma cronologia bíblica mais correta, se tivessem dado a devida atenção a toda a informação relevante então disponível. Os anos 1873 e 1874 baseavam-se em suposições e interpretações fantasiosas de textos bíblicos. O mesmo aconteceu a outros ensinos associados referentes aos anos de 1878, 1881, 1915, 1918. Todos estes ensinos errados foram publicados como sendo ensinos bíblicos, como sendo certos, como a Verdade.

Durante as primeiras décadas do século XIX, a segunda Vinda [ gr. parousia ] de Cristo de modo visível e corpórea, era anunciada abertamente tanto na Europa como na América do Norte. Nesse tempo, muitos estudiosos cristãos em vários países e de diferentes denominações, chegaram à conclusão pelos seus estudos das profecias de Daniel, que a segunda Vinda de Cristo estava próxima. Eles tomaram este assunto muito a sério. Não pretendiam ser uma nova religião, mas um despertar dos cristãos para iminente segunda Vinda de Cristo. O movimento adventista liderado pelo pregador batista William Miller, fez vibrar a América do Norte com a mensagem de que Cristo apareceria no outono setentrional de 1843. As igrejas fora desse movimento representavam a Babilónia, a Grande. Cristo não apareceu no outono de 1943, e muito menos em 1844, na primavera, e depois, no outono. Isso originou a Grande Deceção. Muitos procuraram perceber o erro nos cálculos.

2 300 dias

As "2 300 tardes e manhãs" de Daniel 8:14, os "1 260 dias" de Revelação 11:3, os "1 290 dias" de Daniel 12:11 e os "1 335 dias" de Daniel 12:12 todos representam anos e correspondem, respetivamente, a 2 300 anos, 1 260 anos, 1 290 anos e 1 335 anos. "Até 2 300 tardes e manhãs [ 1 150 dias ou 3 anos e meio ]; e o Santuário será purificado". Até meados do século XIX, os adventistas interpretavam as "2 300 tardes e manhãs" como 2 300 anos. Era o tempo marcado para o Santuário ser purificado.

A visão aconteceu "no 3º ano do reinado de Belsazar". (Daniel 8:1) O contexto mostra que a profecia envolveria o reino da Pérsia e da Grécia (8:20-21), e um reino que viria depois destes (8:22-25). O poder do chifre de Daniel 8:9 foi Antíoco IV Epifanias, rei selêucida da Síria. Por decreto proibiu o culto no Templo e perseguiu os judeus. Profanou o Templo com uma imagem-ídolo em 6 de dezembro de 167 AEC. O Templo foi conquistado e santificado e os serviços do Templo retomados três anos depois, em 14 de dezembro de 164 AEC. (I Macabeus 4:52-54; II Macabeus 10:1-8)

Historicamente falando, William Miller foi um dos primeiros a trazer Daniel 8:14 da obscuridade. O começo da datação dos 2 300 anos baseava-se no decreto do 7º ano de Artaxerxes I, em 457 AEC. As 70 semanas (ou 490 dias) de Daniel 9:24-25 decretadas para o povo judeu, fazem parte dos 2 300 dias. Como o povo judeu passou 70 anos no Exilio em Babilónia, por causa de sua rebelião contra Deus, concluiram que Deus estava dizendo que os judeus tem 490 anos para se redimir. Se subtrairmos 490 anos de 2 300 anos, nós temos 1 810 anos. Adicionando 1 810 anos ao ano 34 EC, o fim dos 490 anos, chegamos ao ano de 1844 EC como conclusão dos 2 300 anos proféticos de Daniel 8:14. Em 34 EC, foi alegadamente o ano em que o povo judeu selou a rejeição de Cristo (Messias) pelo apedrejamento de Estevão. (Atos 7:54-59) Em 1844, era o fim dos 2 300 dias e a purificação do Santuário pela exposição - por parte dos Adventistas - de falsas doutrinas da cristandade. Essa data seria igualmente esquecida. (Prestai atenção à profecia de Daniel, pág. 177-179)

Outro grupo adventista, liderado por Jonas Swendahl, tentou segurar o ano de 1844. Eles acreditavam que 1844 não marcou a data da Volta de Cristo, mas do início da última geração. Swendahl ensinou que Jesus iria retornar em 1874.

Segunda Vinda de Cristo

Em 1859, Nelson Barbour revê os cálculos para os "1 290 dias" e de "1 335 dias" de Daniel 12:11-12, e os cálculos para "um tempo, tempos e metade de um tempo" (ou 1 260 dias) de Daniel 12:6-7; 7:25. Barbour imaginou ter descoberto o erro de William Miller . O ano de 508 EC - o ponto de partida depara a contagem de Miller, estava errado. Por isso, o ano de 1843 estava errado.

Todos os cálculos deveriam iniciar em 538 EC, ano da conquista de Roma aos ostrogodos por Flávio Belisário, general do Império Bizantino. Calculando 1 335 anos desde 538 EC, a segunda Vinda [ gr. parousia ] de Cristo seria no outono [ do hemisfério setentrional ] de 1873. Mais tarde, Charles Russell escreveu: "A aplicação que o Sr. Miller fez dos três tempos e meio [ ou 1 260 anos ] foi praticamente a mesma que nós fizemos, mas ele cometeu o erro de não começar os períodos de 1 290 e 1 335 no mesmo ponto". (Venha o Teu Reino, vol. 3 de Estudos das Escrituras, 1891, pág. 85-93, em inglês)

O cálculo de "um tempo, tempos e metade de um tempo" ou 1 260 anos (Daniel 7:25; 12:6-7; compare com Revelação 11:2-3; 12:6, 14), começava em 538 EC, e terminava em 1798. Em 1798, o fim da grande tribulação teria ocorrido com a prisão do Papa Pio VI por Napoleão Bonaparte. O general Berthier marchou para Roma sem oposição em 10 de fevereiro de 1798 e proclamou a República Romana, exigindo do Papa a renúncia de seus poderes temporais. Perante a recusa, o Papa foi feito prisioneiro, e em 20 de fevereiro foi escoltado do Vaticano para o Exilio. Morreu em Valença, seis meses depois de sua chegada, em 29 de agosto de 1799.

(*) Segundo livro de Revelação, "um tempo, tempos e metade de um tempo" é o mesmo que "1 260 dias", "42 meses" ou "3 anos e meio". Na Bíblia, são indicados anos, meses e dias lunares. "Um tempo" é 360 dias lunares.

Os 1 260 dias representam 1 260 anos. Seriam o tempo do domínio da Igreja Papal, desde 538 EC até 1798 EC. (A Torre de Vigia de Sião de 12/1881, pág. 7, em inglês) Em 1890, esta interpretação foi ajustada para 539 EC, e o térmito do período, para 1799 EC. (A Torre de Vigia de Sião de janeiro-fevereiro de 1889, pág. 4, em inglês; Russell, Venha o Teu Reino, vol. 3 dos Estudos das Escrituras, 1891, pág. 58, 63, 64, em inglês)

(*) Na nova interpretação em 1930, os "1 260 dias" afinal eram dias literais. Estendem-se desde a publicação de um artigo específico na A Sentinela de 7/11/1914 até 7 de maio de 1918, data em que foi dada ordem de prisão ao presidente da Sociedade Torre de Vigia e a outros diretores. Esta interpretação é apresentada como evidência de que o "tempo do fim" chegou e as palavras da profecia podem ser entendidas. (Rutherford, Luz, vol. 1, 1930, pág. 199; Seja Feita a Tua Vontade na Terra, pág. 181, 331) No entendimento atual, o período se estende de 28 de dezembro de 1914 até 21 de junho de 1918, ou seja, desde o momento em que os Estudantes da Bíblia esperavam ser perseguidos (?) até Rutherford e outros sete diretores serem presos em 1918. (A Sentinela de 1/11/1993, pág. 9-10; Nosso iminente Governo Mundial, 1977, pág. 127-133)

No fim dos "1 290 dias" simbólicos um trabalho de purificação começaria dentre o povo santo no tempo do fim. Contando de 538 EC [ desde 1890, 539 EC ], os "1 290 dias" simbólicos terminaram em 1828 [ desde 1890, 539 EC ]. Nesse ano, um movimento religioso conhecido como Segundo Advento ou Milenaristas, começou um "trabalho de purificação". (Venha o Teu Reino, vol. 3 de Estudos das Escrituras, 1891, pág. 83-4, 88, em inglês)

Em 1868, Nelson Barbour começou a anunciar a segunda Vinda [ gr. parousia ] de Cristo "visível" e corpórea no outono de 1873. Em 1870, publicou o panfleto Evidências da Vinda do Senhor em 1873. A previsão não se cumpriu. Depois, seria ajustada para 1874, primeiro, na primavera, e depois, no outono. Ambas previsões não se cumprem. Barbour insiste no ano, mas altera a "forma" do cumprimento. Conclui que a segunda Vinda foi "invisível" no outono de 1874. (Três Mundos e a colheita deste Mundo, 1877) Serviu-se da tradução de Benjamim Wilson traduz o gr. parousia por "presença". (Mateus 24:37, 39, Diaglott) O termo gr. parousia significa chegada ou vinda de uma pessoa importante, advento, aparecimento, estar presente.

Barbour proclamou a expetativa no arrebatamento celestial na primavera de 1878. Nesse ano, Cristo tornaria-se Rei e que os santos que viviam na Terra seriam arrebatados fisicamente para estarem com Cristo no seu Reino no céu para sempre. (Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992 pág. 632-3; Charles Russell, Sombras do Tabernáculo dos melhores sacrifícios, 1881, em inglês) Este ensino foi abandonado em 1925.

Em 1877, Russel publicou O objeto e maneira da Volta de Nosso Senhor. Antes de 1877, Russell não publicou nada que provasse que acreditava numa Vinda [ gr. parousia ] invisível. Só começou a acreditar nisso, depois do fracasso da Vinda visível. Em 1878, o tão esperado arrebatamento celestial não aconteceu. Barbour desiste de fazer novas previsões. (A harpa de Deus, 1921, pág. 238; James Penton, Apocalipse Adiado, pág. 310, nota 19; Carl Jonsson, Os Tempos dos Gentios reconsiderados, pág. 26-7) Barbour revê a doutrina do resgate de Cristo. Russell discordou da interpretação de Barbour e a parceria chegou ao fim (1876-1878).

Acreditavam em paralelos proféticos

Acreditavam em paralelos proféticos entre os eventos bíblicos do I século EC com o "tempo do fim". Concluíram que, se o batismo e a unção de Jesus no outono de 29 EC tivesse paralelo com o começo de uma presença invisível em 1874, sua entrada em Jerusalém como Rei, montado num jumento, na primavera de 33 EC, indicaria a primavera de 1878 como o tempo em que ele assumiria seu poder como Rei celestial. Eles pensavam que receberiam nesse ano sua recompensa celestial. Quando isso não aconteceu, concluíram que a ressurreição para a vida espiritual dos que já dormiam na morte começara. Pensavam que o fim do favor especial de Deus para os judeus até 36 EC pudesse apontar para 1881 como a época em que a oportunidade especial de se tornar parte do Israel figurativo terminaria.

Acreditavam que a referência ao "o dobro" [ hebr. mishnéh, "montante duplo", "o dobro", "pleno montante" ] de Jacó na Jeremias 16:18 (KJV) provaria isso. Calculavam que passara 1 845 anos da morte de Jacó [ na cronologia elaborada por Christophen Bowen ] até 33 EC [ 1845 + 33 ], quando Israel como povo foi rejeitado por Deus, e que o dobro desse tempo, se estendia da primavera de 33 EC a primavera de 1878. Foi ainda ensinado que a desolação de Jerusalém em 70 EC - 37 anos depois que Jesus fora aclamado como rei quando entrou em Jerusalém montado num jumento - pudesse apontar para primavera de 1915 - 37 anos após 1878 - como ponto culminante de levante anárquico que Deus permitiria como meio de acabar com as existentes instituições do mundo.

Armagedom e início do 7.º milénio

Em 1860, Barbour leu os volumes de Horae Apocalypticae (Hora Apocalíptica) do reverendo Edward Bishop Elliott. A cronologia bíblica usada, elaborada pelo reverendo Christophen Bowen, apontava para outono de 1873 como o fim dos 6 000 anos desde da suposta Criação de Adão, no outono de 4128 AEC. Isto parecia concordar com os cálculos de "1 290 dias" e de "1 335 dias" de Daniel 12:11-12. Depois disso, a humanidade entrava no 7.º período de mil anos de história humana - o alvorecer do predito Milénio.

Mais tarde, Russell explicou: "embora a Bíblia não contenha nenhuma declaração direta dizendo que o sétimo milénio será a época do Reino de Cristo, o grande Dia Sabático de restituição para o mundo, ainda assim a venerável tradição não é desprovida de fundamento razoável." (O Tempo está Próximo, vol. 2 de Estudos das Escrituras, 1889, pág. 39, em inglês; contabilizam cada "dia" como sendo de mil anos, com base em Salmos 90:4 e II Pedro 3:8.)

(*) Compare com Mateus 24:36 - "Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente o Pai." 24:42, 44 - "... o Filho do homem vem numa hora em que não pensais." 25:13 - "... mantende-vos vigilantes, porque não sabeis nem o dia nem a hora." Atos 1:6-7- "Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição ...")

Duração dos "tempos dos gentios"

Nelson Barbour usou dos cálculos John Acquila Brown - publicados em 1823 - para relacionar a duração dos "tempos dos gentios" de Lucas 21:24 com os "sete tempos" da grande árvore de Daniel cap. 4. Começavam em 604 AEC e subtraindo 2 520 anos, terminavam em 1917 EC. Acquila Brown não relacionou os 2 520 anos com a duração dos "tempos dos gentios". Em 1875, publicou os cálculos na sua revista Arauto da Manhã. Barbour escreveu: "Foi em 606 AEC que terminou o Reino de Deus, que se removeu o diadema e toda a Terra foi entregue aos gentios. Os 2 520 anos contados desde [ do outono de ] 606 AEC terminarão em [ do outono de ] 1914 EC." (Três Mundos e a colheita deste Mundo, 1877, pág. 83, em inglês) Conclusão, Charles Russell não foi o pioneiro desta doutrina.

Em 1876, Russell escreveu no periódico de George Storrs que os "tempos dos gentios" [ ou "tempos designados das nações", TNM ] terminavam em 1914. (Examinador da Bíblia, outubro de 1876, Nova Iorque, pág. 27-8, em inglês) Os Estudantes da Bíblia esperavam a vinda do Armagedom no outono de 1914. (A Torre de Vigia de Sião de 12/1879, pág. 3; de 3/1880, pág. 2, em inglês) "... a batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso ... com a vitória completa sobre os governos terrestres". (Venha o Teu Reino, vol. 3 de Estudos das Escrituras, 1905, Editorial 26, em inglês) Isto compreenderia "a completa destruição dos poderes ... deste mundo maligno - político, financeiro, eclesiástico". ("O Dia da Vingança" - mais tarde chamado de "A Batalha do Armagedom", vol. 4 de Estudos das Escrituras, 1897, pág. 604, 622, em inglês)

Russell escreveu: "Nossos leitores estão nos escrevendo para saber se pode não haver um erro na data de 1914. Nós não vemos razão para mudar os cálculos nem os poderíamos alterar se o quiséssemos. Eles são, acreditamos, datas de Deus, não nossas. Mas tenha em mente que o ano de 1914 não é a data para ... o fim do tempo dos problemas". (A Torre de Vigia de Sião de 15/7/1894, pág. 226, em inglês) Russell nunca predisse a I Guerra Mundial (1914-1918), nem tampouco o que iria lhe suceder.

(*) A duração dos "sete tempos" da grande árvore inicialmente, eram 7 anos lunares nos quais Nabucodonosor II seria rebaixado por Deus. “Um tempo” era 1 ano lunar de 360 dias. No suposto cumprimento maior, “um tempo” seria 360 anos.

Sobre o ano 1925

"... há evidência de que o estabelecimento do Reino [ de Cristo ] na Palestina será provavelmente em 1925, dez anos mais tarde do que nós uma vez tínhamos calculado [ isto é, 1915 ]." (Clayton Woodworth e George Fisher, "O Mistério Consumado", vol. 7 de "Estudos das Escrituras", 1917, pág. 128, em inglês, com anuência de Rutherford à revelia da maioria da Diretoria da STV)

O discurso "O Mundo acabou - Milhões que agora vivem talvez jamais morram" foi proferido pela primeira vez por Joseph Rutherford em fevereiro de 1918. Uma nova especulação da STV ensinava que o ano de 1925 era o fim de um ciclo de 70 jubileus típicos [ 70 x 50 = 3 500 anos ]. Esse ano seria o início do grande Jubileu antitípico, o Reinado Milenar de Cristo. (Levítico 25:8-10) Em que se baseavam para acharem que o ano de 1925 era significativo? Foi explicado que "se 70 plenos jubileus [ 70 x períodos de 50 anos ou 3 500 anos ] fossem calculados a partir da data em que Israel, segundo se entendia, entrou na Terra Prometida [ em 1575 AEC, na cronologia bíblica elaborada por Christophen Bowen ], ... isso poderia apontar para o ano de 1925.”

Os Estudantes da Bíblia aguardavam nesse ano receber a recompensa celestial. Esperavam que os "fieis da Antiguidade" fossem ressuscitados como príncipes sobre a Terra. Esperavam tambem a restauração do Israel natural na Palestina. (Rutherford, Milhões que agora vivem jamais morrerão, 1920, publicado em português em 1923, pág. 88-90) Num período de dois anos, grandes cartazes e jornais, junto com uma ampla campanha de publicidade mundial, anunciaram este discurso e o subsequente tratado. (Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 632)

"O ano de 1925 é uma data definitivamente e claramente marcada nas Escrituras, ainda mais claramente do que 1914." (A Sentinela de 1924, pág. 211, em inglês) "O ano de 1925 chegou ... Com grande expetativa... Muitos têm crido que todos os membros do corpo de Cristo serão trasladados para a glória celestial durante este ano. Isto pode se cumprir. Pode não se cumprir ..." (A Sentinela de 1/1/1925, pág. 3, em inglês) Mas isso não sucedeu.

Em 1925, no artigo “Nascimento de uma Nação” na A Sentinela de 1/3/1925 apresentou um novo ensino sobre Revelação cap. 12. Este ensinava que em outubro de 1914, Satanás e seus anjos foram expulsos do céu e Cristo foi entronizado rei. Isso combinava com o fim dos "tempos dos gentios" e a presença [ gr. parousia ] invisível de Cristo. (Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 138-9; veja Rutherford, Libertação, 1926)

"Embora equivocada [ isto é, mais um ensino errado ], eles ansiosamente partilharam-na com outros. Eram corretas as crenças das Testemunhas de Jeová nesses assuntos? ... Mas alguns de seus cálculos de tempo [ na realidade, eram todos ] e as expetativas que ligavam a estes causaram sérios desapontamentos ... Depois de 1925, a assistência às reuniões caíram drasticamente em algumas congregações” e houve um grande número de dissidentes, especialmente na América do Norte e em alguns países europeus. (Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 632) Estima-se que cerca de 2/3 dos Estudantes da Bíblia originais abandonaram a Sociedade Torre de Vigia dos EUA. Os que permaneceram fieis, em 1931, foram chamados de Testemunhas de Jeová.

Crença na piramidologia

Em 1876, o prof. Charles Piazz Smyth, astrónomo e piramidólogo escocês, publicou um artigo sobre as medições da grande pirâmide de Gizé (ou Giza) no periódico de George Storrs, O Examinador da Bíblia, suscitando o interesse do seu editor no assunto, o qual compartilhou com Charles Russell. A crença na piramidologia era ensinada no final de 1800 por escritores cristãos como John Taylor, Charles Piazzi Smyth e Seiss Joseph. Pensavam ter sido os hiksos [ "governantes estrangeiros" ] que por muito tempo governaram no Egito, quem construíram a grande pirâmide de Gizé, sob a direção de Deus, e ele estava de pé como uma testemunha muda, mas poderosa a Deus. Usou-se Isaías 19:19-20 em apoio da crença: "Naquele dia haverá um altar a YHWH no meio da terra do Egito e um pilar na fronteira da mesma a YHWH. E será um sinal e de testemunho a YHWH dos Exércitos na terra do Egito." (TNM)

Os volumes 1, 2, 3 e 7 de Estudos das Escrituras, pelo menos, contêm ensinos sobre a grande pirâmide de Gizé, conhecida como a pirâmide do faraó Khufu, em egípc. antigo, ou Quéops, em grego. Os ensinos de Russell sobre a grande pirâmide de Gizé, aceites pelos Estudantes da Bíblia durante cerca de 50 anos, foram violentamente rejeitados em 1928 por Rutherford. Após a morte de Russell, continuou-se a ensinar que as medidas da grande pirâmide, "confirmam o ensino bíblico de que 1878 marcou o começo da colheita [ dos verdadeiros cristãos ]". (A Sentinela de 1/10/1917, pág. 6149, em inglês). Era uma "testemunha silenciosa e inanimada do Senhor." (A Sentinela de 15/5/1925, pág. 148, em inglês)

Em 1992, a STV refere o seu envolvimento com a piramidologia, mas omite que este ensino manteve-se até 1928. (Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 201; A Sentinela de 1/1/2000, pág. 9-10)

"... a grande pirâmide deve ser posta fora da mente de todos aqueles que servem Deus. ... Se, por conseguinte, a Palavra de Deus não menciona a pirâmide, nem o seu ensino, nem a respeito dela, e das suas medidas, então tirar conclusões a partir dela é não só contrário às Escrituras e fora de ordem, mas é também presunçoso perante o Senhor. ... ensinar isso na igreja é, no mínimo, uma perda de tempo. ... É afastar a mente da Palavra de Deus e do seu serviço. Se a pirâmide não é mencionada na Bíblia, então seguir os seus ensinos é ser levado por filosofia vã e ciência falsa e não é seguir Cristo." (A Torre de Vigia de 15/11/1928, pág. 341, § 14-15, 18-19, em inglês) "É mais razoável concluir que a grande pirâmide de Gizé, bem como as outras pirâmides ali à volta, e também a Esfinge, foram construídas pelos governantes do Egito e sob a direção de Satanás o Diabo." (pág. 344 § 35)

"... a grande pirâmide de Gizé como sendo, não "a testemunha de pedra de Deus" ou "a Bíblia em pedra", mas antes um monumento de demonismo para glorificar a crença na imortalidade da alma ou "sobrevivência após a morte"." (A Sentinela de 15/11/1955, pág. 697 § 32, em inglês) "... estas [ medições da pirâmide ] levaram a esperanças falsas resultando em desapontamentos e nenhuma delas serve qualquer propósito em magnificar o nome de Jeová ... [ a pirâmide ] certamente não foi construída por aqueles envolvidos na verdadeira adoração de Jeová Deus ..." (A Sentinela de 15/5/1956, pág. 298-300, em inglês)

Revisões na cronologia

Em 1943, a Sociedade Torre de Vigia (da EUA) anunciou importantes revisões na sua cronologia bíblica. (A Verdade vos tornará livres, 1943, publicado em português em 1946, pág. 171-6; Está próximo o Reino, 1944, publicado em português em 1953, pág. 151-6) Uma revisão no entendimento de Atos 13:19-21 e I Reis 6:1, a duração do período dos Juízes foi reduzida em 100 anos. O 7.º ano do 1.º ano de Ciro II foi ajustado de 536 AEC para 537 AEC. Isso eliminou outubro de 1874 como a data da presença [ gr. parousia ] invisível de Cristo e o início do sétimo milénio. A presença invisível de Cristo afinal iniciou no principio de outubro de 1914. O início do sétimo milénio foi deslocado para o outono de 1974, e se estendendo, para ano de 1975.

Aspetos da sua cronologia bíblica

Cálculo da destruição de Jerusalém pelos babilónios até Roboão

  • A Bíblia fornece um sincronismo direto entre o reinado de Nabucodonosor II e a destruição de Jerusalém e seu Templo. Em II Reis 25:8, o profeta Jeremias disse que isso ocorreu no "19.º ano de Nabucodonosor II". Aqui foi usado seu ano de ascensão como o 1.º ano de reinado.
  • Ezequiel 4:4-6 - "E no que se refere a ti, deita-te sobre o teu lado esquerdo, e tens de deitar sobre ele o erro da casa de Israel. Pelo número dos dias que ficares deitado sobre ele levarás o erro deles. E eu é que tenho de te dar os anos de seu erro no número de 390 dias, e tens de levar o erro da casa de Israel. E tens de completá-los. E tens de deitar-te sobre o teu lado direito, no segundo caso, e tens de levar o erro da casa de Judá por 40 dias. Um dia por um ano, um dia por um ano é o que te dei." (TNM) Obs. O calendário usado pelos judeus é lunisolar. Um ano lunar corresponde a 360 dias.
  • Nota de Ezequiel 4:5 (MC) sobre os 390 anos. No texto massorético, lê-se 390 anos. Na LXX, lê-se 190 anos. A tradição judaica diz que são os anos entre a morte do rei Salomão e a execução do rei Zedecias. Ou seja, é a duração do Reino de Judá.
  • Calculam que da destruição de Jerusalém pelos babilónios [ em 607 AEC segundo a STV ] até início do reinado de Roboão, filho de Salomão, decorreram 390 anos. Somando 390 anos a 607 AEC, obtemos o ano 997 AEC como o início do reinado de Roboão, bem como do Cisma das Tribos e divisão do Reino Davídico.

Cálculo do Êxodo do Egito até ao 4.º ano de Salomão.

  • I Reis 6:1 - No 480.º ano depois que Israel saíram do Egito, no 4.º ano do reinado de Salomão, no mês de zive [ que corresponde a abril/maio ], começou-se a edificar o Templo de Jerusalém. Depois disso, Salomão reinou por 36 anos. (I Reis 11:42) No texto original hebraico, os números dos anos estão escritos por extenso. A Bíblia fornece outro um sincronismo direto. Na parte final do seu reinado, Sheshonk I [ na Bíblia, Sisaque ], fundador da XXII dinastina egipcia, já reinava no Egito. (11:40)
  • I Reis 14:25-26 e II Crónicas 14:1-3 - No 5.º ano de Roboão, Sheshonk I conquistou cidades na terra de Canaã. Tomou como tributo os tesouros do Templo e do Palácio Real. Os historiadores fixaram o reinado Sheshonk I entre 945-924 AEC. Osorkon I (924-889 AEC), seu filho, sucedeu-lhe no trono.
  • I Reis 6:1 contradiz algumas traduções bíblicas de Atos 13:19-21. Estas baseiam-se no entendimento erróneo de que os "450 anos" seriam a duração total do período dos Juízes. Em 1943, este anterior entendimento da STV de Atos 13:19-22 foi abandonado. Isso causou um erro 100 anos na cronologia da STV. Em 1944, a STV explicou que o somatório dos reinados de Judá em I e II Reis - escritos pelo profeta Jeremias, era mais credível do que II Crónicas - escritos pelo sacerdote e copista Esdras. Alegam que isso resultou na redução em 2 anos na cronologia bíblica da STV. Omite terem deixado de contabilizar os 2 anos do reinado de Dario, o medo, no distrito juridiscional de Babilónia. Isso antecipou o 1.º ano de Ciro II após a conquista de Babilónia, para 538/537 AEC.
  • Atos 13:19-21 (MC) - "A seguir, exterminando sete nações na terra de Canaã, conferiu-lhes a posse do seu território, por cerca de 450 anos. Depois disso, deu-lhes juízes até ao profeta Samuel. Em seguida, pediram um rei, e Deus concedeu-lhes, durante 40 anos, Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim."
  • Juízes 11:26 - Jefté derrotou Amon 300 anos depois das tribos de Israel cruzarem o rio Jordão e entrar em Canaã, sob a liderança de Josué.

Cálculo da entrada de Abraão em Canaã até ao Êxodo.

  • Êxodo 12:40-41 diz que a residencia dos filhos de Israel na terra do Egito foi de 430 anos. Está de acordo com Gálatas 3:17. Este período não é o total de anos que foram residentes no Egito, na terra de Gosén. É a duração total de anos que residiram sob o domínio do Egito. Começou quando Abraão [ com 75 anos ] deixou Harã, cruzou o rio Eufrates e entrou em Canaã. Terminou no Êxodo do Egito, sob a liderança de Moisés.

Cálculo no Período antediluviano

  • Segundo a interpretação literal de Génesis 5:3-29 e 7:6, 11, desde do início do Dilúvio bíblico até à criação do Adão decorreu 1 656 anos. Na cronologia bíblica da Sociedade Torre de Vigia, revisada em 1943, o Dilúvio começou em 2370 AEC. E a criação de Adão ocorreu [ no outono hemisfério setentrional ] em 4026 AEC. Em Génesis 6:3, Deus anunciou um período de 120 anos antes do Dilúvio.

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