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Para as Testemunhas de Jeová, a destruição de Jerusalém e seu Templo ocorreu no ano 607 AC e o Exílio em Babilónia decorreu entre 607 AC a 537 AC. Negam que Jerusalém foi destruída em 587/586 AEC, fato que é afirmado pelas atuais evidências históricas. Isto implica um diferencial de 20 anos em sua cronologia bíblica. Alegam ter publicado em suas publicações evidências convincentes em apoio da data de 607 AC. (Venha o Teu Reino, 1981, pág. 127-40, 186-90; Despertai! de 8/11/1972, pág. 27-8) Argumentam como prova incontestável de que o ano 1914 teve um impato mais profundo, mais dramático e mais espetacular na história do mundo. (A Sentinela de 1/11/1986, pág. 6) Veja também as Críticas ao Apêndice do Cap. 14.

No Apêndice do Cap. 14 do livro Venha o Teu Reino, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) fez uma nova defesa da historicidade do ano 607 AC. Esta data continua a ser ensinada em suas publicações como um fato histórico bem comprovado, contrariando todas as evidências históricas. (O Que a Bíblia Realmente Ensina?, 2005, pág. 215-81) A sua única justificação em defender o ano 607 AC, é a importância que 1914 tem na sua Escatologia, apesar das muitas reinterpretações.

Sabemos que o livro Venha o Teu Reino foi escrito por Lloyd Barry, membro do Corpo Governante. Já o "Apêndice ao Cap. 14" terá sido escrito por outra pessoa, possivelmente Marvin Smalley, um dos membros seniores da equipa do Departamento de Redação. Além disso, John Albu se especializou em Cronologia Neo-babilónica no interesse da Sociedade Torre de Vigia. Mais recente tivemos o caso de Rolf Furuli. Segue-se abaixo a citação integral do Apêndice ao Cap. 14" no livro Venha o Teu Reino, pág. 186-190.

Enquanto o Corpo Governante mantiver a importância doutrinal de 1914 na sua teologia, a resposta será sempre a mesma. "Historiadores seculares, concluíram que 604 AEC foi o primeiro ano do reinado de Nabucodonosor. Se isso fosse correto, então a desolação de Jerusalém pelos babilónicos ( no "18.º de reinado de Nabucodonosor" ) cairia em 587 AC. Mas, se um estudante da Bíblia usar essas datas ao calcular o cumprimento de profecias, ele simplesmente ficará confuso. ... a data da primeira destruição de Jerusalém, 607 AC, se baseia na cronologia das Escrituras Sagradas e não em provas arqueológicas. ... A questão aqui é aceitar o que a Bíblia diz com tanta clareza mesmo que haja uma divergência entre a Bíblia com a Arqueologia com as suas interpretações de artefatos arqueológicos feitas por pessoas que não aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus." (Carta da ATCJ do Brasil de 7/3/2008 a particular) Uma eventual mudança na cronologia das Testemunhas de Jeová, implica o risco de colapso da credibilidade do Corpo Governante, bem como da sua legitimidade e autoridade.

Apêndice do Capítulo 14 diz Editar

Os historiadores sustentam que Babilónia caiu diante do exército de Ciro II em outubro de 539 AC. O Rei era então Nabonido, mas seu filho Belsazar era co-regente de Babilónia. Alguns eruditos elaboraram uma lista de reis neo-babilónicos e da duração de seus reinados, remontando desde o último ano de Nabonido até o pai de Nabucodonosor, Nabopolassar.

De acordo com essa cronologia neo-babilónica, o príncipe herdeiro, Nabucodonosor, derrotou os egípcios na Batalha de Carquemis, em 605 AC. (Jeremias 46:1-2) Depois de Nabopolassar falecer, Nabucodonosor voltou a Babilónia para ascender ao trono. Seu primeiro ano de reinado iniciou-se na primavera seguinte (604 AC).

A Bíblia relata que os babilónios sob Nabucodonosor destruíram Jerusalém no seu 18.º ano de reinado (19.º quando se inclui o ano de ascensão). (Jeremias 52:5,12,13,29) Assim, caso se aceite esta cronologia neo-babilónica, então a desolação de Jerusalém ocorreu no ano 587/586 AC. Mas em que se baseia esta cronologia secular, e como se compara ela com a cronologia da Bíblia?

Algumas evidências principais desta cronologia secular são:

Cânone de Ptolomeu: Cláudio Ptolomeu era astrónomo grego, que viveu no 2.º Século EC. Seu Cânone ou lista de reis, é uma obra sobre astronomia. A maioria dos historiadores modernos aceita a informação de Ptolomeu sobre os reis neo-babilónicos e a duração de seus reinados (embora Ptolomeu omita o reinado de Labashi-Marduque). Ptolomeu evidentemente baseou sua informação histórica em fontes que datavam do período selêucida, o qual começou mais de 250 anos depois de Ciro ter capturado Babilónia. Portanto, não surpreende que as cifras de Ptolomeu concordem com as de Beroso, sacerdote babilónico do período selêucida.

Estela de Nabonido, de Harã (NABON H 1,B): Esta estela ou coluna contemporânea com uma inscrição foi descoberta em 1956. Menciona os reinados dos reis neo-babilónicos Nabucodonosor II, Evil-Merodaque e Neriglissar. As cifras para estes três concordam com as do Cânone de Ptolomeu.

VAT 4956: Trata-se duma tabuinha cuneiforme que fornece informações astronómicas datando até AC. Diz que as observações eram desde o 37.º ano de Nabucodonosor II. Isto corresponderia à cronologia que coloca seu 18.º ano de reinado em 587/586 AC. Todavia, essa tabuinha é admitidamente uma cópia feita no 3.º século AC, de modo que é possível que sua informação histórica seja simplesmente a que era aceita no período selêucida.

Tabuinhas comerciais: Milhares de tabuinhas cuneiformes, neo-babilónicas, contemporâneas, foram encontrados com simples registos de transações comerciais, mencionando o ano do rei babilónico em que ocorreu a respectiva transação. Tabuinhas desta espécie foram encontradas para todos os anos de reinado dos reis neo-babilónicos conhecidos na cronologia aceita do período.

Do ponto de vista secular, tais tipos de evidência talvez pareçam confirmar a cronologia neo-babilónica que fixa o 18.º ano de Nabucodonosor (e a destruição de Jerusalém) em 587/586 A.E.C.. No entanto, nenhum historiador pode negar a possibilidade de que o atual quadro da história babilónica pode ser enganoso ou errado. Por exemplo, sabe-se que os antigos sacerdotes e reis às vezes alteravam os registos para os seus próprios fins. Ou mesmo quando a evidência descoberta é exata, poderá ser interpretada mal pelos eruditos modernos ou ser incompleta, a ponto de que matéria ainda a ser descoberta poderá alterar drasticamente a cronologia do período em questão.

Evidentemente por reconhecer tais fatos, o Professor Edward F. Campbell Jr. apresentou uma tabela que inclui cronologia neo-babilónica com a cautela: "Nem se precisa dizer que estas listas são provisórias. Quanto mais se estuda a complexidade dos problemas cronológicos no antigo Oriente Próximo, tanto menos se está inclinado a pensar numa apresentação como sendo definitiva. Por este motivo, o termo cerca de poderia ser usado ainda mais liberalmente do que é." (The Bible and the Ancient Near East, ed. 1965, pág. 281)

Os cristãos, que crêem na Bíblia, tem vez após vez encontrado que a palavra dela suporta a prova de muita crítica e tem-se mostrado exata e fidedigna. Reconhecem que, sendo a Palavra inspirada de Deus, ela pode ser usada como medidor na avaliação da história e dos conceitos seculares. (II Timóteo 3:16,17) Por exemplo, embora a Bíblia falasse sobre Belsazar como governante de Babilónia, os eruditos, durante séculos, estavam confusos sobre ele, porque não existia nenhum documento secular que falasse de sua existência, identidade ou posição. Finalmente, porém, os arqueólogos descobriram registros seculares que confirmaram a Bíblia. Sim, a harmonia interna da Bíblia e o cuidado exercido pelos seus escritores até mesmo em questões de cronologia, recomendam-na tão fortemente ao cristão, que ele coloca a autoridade dela acima das opiniões de historiadores seculares, que sempre mudam.

Mas, como nos ajuda a Bíblia a saber quando Jerusalém foi destruída, e como se compara isso com a cronologia secular?

O profeta Jeremias predisse que os babilónios destruiriam Jerusalém, e transformariam a cidade e o país numa desolação. (Jeremias 25:8,9) Ele acrescentou: "E toda esta terra terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao Rei de Babilónia por setenta anos." (Jeremias 25:11) Os 70 anos expiraram quando Ciro, o Grande, no seu primeiro ano, libertou os judeus e estes voltaram à sua pátria. (II Crónicas 36:17-23) Cremos que a leitura mais direta de Jeremias 25:11 e de outros textos é que os 70 anos contam desde quando os babilónios destruíram Jerusalém e deixaram a terra de Judá desolada. - Jeremias 52:12-15, 24-27; 36:29-31.

Todavia, os que se estribam principalmente na informação secular quanto à cronologia daquele período dão-se conta de que, se Jerusalém tivesse sido destruída em 587/586 AC, certamente não se teriam passado 70 anos até Babilónia ser conquistada e Ciro deixar os judeus voltar à sua pátria. Na tentativa de harmonizar as questões, afirmam que a profecia de Jeremias começou a cumprir-se em 605 AC. Escritores posteriores citam Beroso como dizendo que Nabucodonosor, após a Batalha de Carquemis, estendeu a influência babilónica sobre toda a Síria-Palestina, e que, quando voltou a Babilónia (no seu ano de ascensão, 605 AC), levou cativos judaicos ao exílio. Assim calculam os 70 anos como período de servidão a Babilónia, começando em 605 AC. Isto significaria que o período de 70 anos expiraria em 535 A.

Mas, esta interpretação traz vários problemas grandes:

Embora Beroso afirme que Nabucodonosor levou cativos judaicos no seu ano de ascensão, não há nenhum documento cuneiforme que confirme isso. O que é ainda mais significativo, Jeremias 52:28-30 relata cuidadosamente que Nabucodonosor levou cativos judaicos no seu sétimo ano, no seu 18.º ano e no seu 23.º ano, não no seu ano de ascensão. Também, o historiador judaico Flávio Josefo declara que, no ano da Batalha de Carquemis, Nabucodonosor conquistou toda a Siria-Palestina, "exceto a Judeia", contradizendo assim Beroso e entrando em conflito com a afirmação de que os 70 anos de servidão judaica começaram no ano de ascensão de Nabucodonosor. (Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, Vol. 10, pág. 6)

Além disso, em outro lugar, Josefo descreve a destruição de Jerusalém pelos babilónios e diz então que "toda a Judeia e Jerusalém, e o templo, continuaram a ser um deserto por setenta anos". (Antiguidades Judaicas, Vol. 10, pág. 9) Declarou especificamente que "nossa cidade ficou desolada durante o intervalo de setenta anos, até os dias de Ciro". (Contra Apião, Vol. I, pág. 19) Isto concorda com II Crónicas 36:21 e Daniel 9:2, de que os preditos 70 anos foram 70 anos de desolação total do país. O escritor Teófilo de Antioquia, do 2.º Século EC), também mostra que os 70 anos começaram com a destruição do templo, após o reinado de 11 anos de Zedequias. Veja também II Reis 24:18 a 25:21.

Mas a própria Bíblia fornece evidência ainda mais marcante contra a alegação de que os 70 anos começaram em 605 A.E.C. e que Jerusalém foi destruída em 587/586 AC. Conforme já mencionado, se fôssemos contar a partir de 605 AC, os 70 anos chegariam a 535 AC. Mas, o inspirado escritor bíblico Esdras relatou que os 70 anos se estenderam até o "primeiro ano de Ciro, Rei da Pérsia", que emitiu o decreto que permitiu aos judeus voltar à sua pátria. (Esdras 1:1-4; II Crónicas 36:21-23) Os historiadores aceitam que Ciro conquistou Babilónia no outubro de 539 AC. e que o primeiro ano de reinado de Ciro começou na primavera (setentrional) de 538 AC. Se o decreto de Ciro foi emitido mais para o fim de seu primeiro ano de reinado, os judeus podiam ter estado facilmente de volta na sua pátria por volta do sétimo mês (Tisri), conforme diz Esdras 3:1; isto seria em fins de setembro e prncipios de outubro de 537 AC.

Todavia, não há maneira razoável de esticar o primeiro ano de Ciro de 538 até 535 AC. Alguns tentaram eliminar o problema de modo forçado alegando que Esdras e Daniel, ao falarem do "primeiro ano de Ciro", estavam usando algum conceito judaico peculiar, que diferia da contagem oficial do reinado de Ciro. Mas isto não pode ser sustentado, porque tanto um governador não-judaico como um documento dos arquivos persas concordam em que o decreto foi emitido no primeiro ano de Ciro, assim como os escritores bíblicos relatam com cuidado e especificamente. - Esdras 5:6,13; 6:1-3; Daniel 1:21; 9:1-3.

A "boa palavra" de Jeová está relacionada com o período predito de 70 anos, porque Deus disse: "Assim disse Jeová: De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilónia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar." (Jeremias 29:10) Daniel estribou-se nesta palavra, confiando em que os 70 anos não fossem um inúmero redondo, mas uma cifra exata em que se podia confiar. (Daniel 9:1-2) E assim veio a ser.

De maneira similar, estamos dispostos a ser guiados principalmente pela Palavra de Deus, em vez de por uma cronologia que se baseia primariamente em evidência secular ou que discorda das Escrituras. Parece evidente que o entendimento mais fácil e mais direto das diversas declarações bíblicas são que os 70 anos começaram com a desolação completa de Judá, depois de Jerusalém ter sido destruída. (Jeremias 25:8-11; II Crónicas 36:20-23; Daniel 9:2) Assim, contando para trás 70 anos a partir de quando os judeus voltaram à sua pátria em 537 AC, chegamos a 607 AC. como data, no seu 18.º ano de reinado, destruiu Jerusalém, tirou Zedequias do trono e acabou com a linhagem de reis judeus no trono, na Jerusalém terrestre. - Ezequiel 21:19-27.

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