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Enciclopédia das Testemunhas de Jeová

Desassociação

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Desassociação é a sanção disciplinar mais severa que uma Comissão Judicativa congregacional [ ou Comissão de Disciplina religiosa, eufemismo para Tribunal Eclesiástico das Testemunhas de Jeová ] aplicada a um(a) batizado(a) que seja um(a) transgressor(a) não arrependido(a). É o mesmo que excomunhão do infrator(a). Acontece quando os anciãos que servem na Comissão Judicativa não ficaram convencidos da genuinidade do seu arrependimento. Ele será ostracizado pelos seus familiares e amigos seguidores fieis da religião e enquanto estiver nessa condição, independente do(s) motivo(s) que levou a decisão da desassociação. (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 2 pág. 82-8) Tratamento idêntico é dispensado na prática aos dissociados, independente do(s) motivo(s) que levou um batizado(a) a querer dissociar-se [ deixar de ser membro, desfiliar-se ].

Tem por objetivo induzir o transgressor a se arrepender e pedir a sua readmissão, se isso for possível, e proteger os membros fieis da congregação contra a sua má influência. A liderança garante que são os fieis que decidem cessar em definitivo a associação religiosa com o infrator. Associação deliberada, continuada e desnecessária com tais pessoas, após as advertências dos anciãos, pode resultar na repreensão judicativa, ou mesmo, na desassociação do infrator. (Mantenha-se no Amor de Deus, 2008, pág. 34-5, 207-9; Nosso Ministério do Reino de 8/2002 pág. 3-4)

Com base nos poucos dados das publicações da Torre de Vigia, estima-se que 1% dos batizados são desassociadas cada ano (A Sentinela de 1/7/1992 pág. 19), e destes, somente 1/3 procuram a readmissão. (A Sentinela de 1/8/1974 pág. 466 e de 1/12/1960 pág. 728, em inglês) Com base nisso, estima-se que existe mais de um milhão de desassociados.

No caso de alegados erros no processo judicativo, o visado têm o direito de recorrer da decisão no prazo de 7 dias. O recurso é avaliado por uma Comissão de Apelação, nomeada pelo Superintendente do Circuito. (Pastoreiem o Rebanho de Deus, 2010, pág. 60; Organizados para fazer a Vontade de Jeová, 2015, pág. __) Os publicadores não batizados [ estudantes aprovados como publicadores ], embora sujeitos a ação judicativa no caso de erros sérios, não são desassociados.

Pastoral dos desassociados

Anualmente, desde abril de 1991, o Corpo de Anciãos de cada congregação verifica se existe desassociados e dissociados morando no seu território. Consideram os desassociados há mais de 1 ano. Antes eram os interessados que tinham de pedir a readmissão. Segundo as circunstâncias, se for apropriado, o Corpo de Anciãos designa dois anciãos experientes - de preferência os que foram membros da Comissão Judicativa - para visitar tal pessoa para saberem do seu interesse em retornar. Não visitam quem manifeste uma atitude crítica, quem seja um apóstata ativo ou quem já tenha avisado que não deseja ser visitado. (A Sentinela de 15/4/1991 pág. 22)

“A Comissão Judicativa deve certificar-se de que tenha passado tempo suficiente, talvez muitos meses, 1 ano ou até mais, para que o desassociado prove que seu arrependimento é genuíno. ... Por outro lado, deem pronta atenção a qualquer pedido de readmissão. Mesmo que ... não se passaram ainda muitos meses, eles devem se reunir o mais breve com o solicitante para lhe explicar bondosamente os motivos de não aceitarem seu pedido no momento." (Carta da ATCJ de 28/3/2013 a todos os CA; Pastoreiem o Rebanho de Deus, 2010, pág. 119)

Já não é mais necessário que o desassociado que se sente na última fila de cadeiras ou num canto no Salão do Reino. Desde que se comporte adequadamente, pode ficar sentado em qualquer lugar no Salão, até mesmo ficar junto de seus familiares que são Testemunhas fieis. Ninguém o cumprimentará. Seus familiares não devem ter associação com familiar no Salão. (A Sentinela de 15/8/2013 pág. 8; note a anterior politica na A Sentinela de 1/5/1954 pág. 79-80)

Seu começo

Em 1904, Charles Russell, ao falar sobre os batizados praticantes de pecado, escreveu que “a Igreja deve privar dele associação e todo e qualquer sinal ou manifestação de fraternidade.” (A Nova Criação, vol. 6 de Estudos das Escrituras, pág. 290, em inglês) Em harmonia com o entendimento que tinham de Mateus 18:15-17, os Estudantes da Bíblia [ desde 1931, Testemunhas de Jeová ] realizavam os julgamentos nas igrejas, apresentando as evidências da transgressão.

Sobre os que abandonaram a Torre de Vigia (dos EUA) e tornam-se seus críticos, Russell escreveu: "Em vez de dizerem na atitude briosa do mundo: Achei algo que prefiro; Adeus!, eles manifestam ira, malícia, ódio, luta, obras da carne e do Diabo tais como nunca vimos pessoas do mundo exibir. Parecem contaminados com demência, com hidrofobia satânica. Alguns deles nos espancam e depois afirmam que nós o fizemos a eles. Estão prontos para dizer e escrever falsidades desprezíveis e se rebaixam a usar maldades.” (A Sentinela de 1/10/1909 pág. __ , em inglês)

Olin Moyle vs Torre de Vigia

Olin Moyle, betelita de Brooklyn e advogado da STV (dos EUA) entre 1935 a 1939, processou judicialmente a Diretoria por difamação caluniosa. Joseph Rutherford, seu presidente, usou a revista A Sentinela de 15/10/1939 para atacar publicamente o carácter de Moyle. Rutherford optou por ignorar as críticas e advertências de Moyle à sua pessoa e ao estilo da sua presidência feitas numa carta particular.

Em 1944, a STV (dos EUA) foi condenada a pagar 15 mil dólares (USD) de indemnização por danos morais, além das custas judiciais - 2 anos após a morte de Rutherford. (Carta de Moyle para Rutherford de 21/7/1939; A Sentinela de 15/10/1939 pág. 316-7, em inglês; de 15/9/1941 pág. 285-6, em inglês; Consolação de 20/12/1944 pág. 21, em inglês) Foram processados: Frederick Franz, Nathan Knorr, Grant Suiter, Thomas Sullivan, W. P. Heath , Hugh Reimer, William van Amburgh, M. Goux , Charles Wise, Charles Woodworth e Joseph Rutherford.

Comissão Judicativa

Em 1944, surge o atual arranjo da Comissão Judicativa congregacional. Artigos na edição em inglês da revista A Sentinela de 15/5/1944 pág. 151-5 consideram Mateus 18:15-17 e I Coríntios 6:1-8 e II Tessalonicenses 3:14. Agora as transgressões religiosas não são mais julgada pela inteira congregação [ como era feito até então ], mas pela Comissão de Serviço da Congregação. A partir de setembro de 1977, outros anciãos experientes servem em Comissões Judicativas.

Em 1952, a desassociação de transgressores de pecados sérios não arrependidos foi posta em prática. (Anuário TJs 1976, pág. 225-6; Proclamadores do Reino de Deus, 1993, pág. 186-7) Isto foi explicado nos artigos da revista A Sentinela de 1/3/1952, em inglês (em dezembro de 1952 e janeiro de 1953, em português): “Manter limpa a Organização”, “A desassociação é correta” e “O pecado que impossibilita o restabelecimento”. Desde 1967, os superintendentes (anciãos) devem certificar-se de que os candidatos ao batismo aceitaram suas doutrinas singulares e as normas morais bíblicas. Isso impossibilita uma tentativa posterior de tentar declarar invalidez ou nulidade do batismo.

Não se proíbe ao desassociado assistir às reuniões públicas no Salão do Reino enquanto se comportar corretamente. Ninguém o cumprimentará, ... e ele não poderá frequentar as reuniões realizadas em lares particulares." (Organização para pregar o Reino e fazer discípulos, 1972, pág. 172; Nosso Ministério do Reino de 2/1975 pág. 3) Deve sentar-se na última fila de cadeiras ou num canto no Salão. (A Sentinela de 1/5/1954 pág. 79-80; de 1/4/1953 pág. 223, em inglês)

Em 1974, surgiu um conceito mais equilibrado na atitude das Testemunhas fieis com os seus parentes desassociados. Veja os artigos “A misericórdia Divina indica ao errante o caminho de volta” e “Mantenha um conceito equilibrado sobre os desassociados”, publicados em A Sentinela de 1/8/1974, em inglês (de 15/11/1974, em português). Na pág. 685, diz que uma Testemunha pode cumprimentar o desassociado que não é apóstata da Fé Cristã, mas não irá além duma palavra de cumprimento.

Em 1981, o então Corpo Governante restabeleceu a regra anterior - de nem mesmo um mero cumprimento. Mesmo que não seja mais praticante da transgressão, enquanto permanecer desassociado ou dissociado, o severo ostracismo social e familiar continua. (Carta da STV aos Sup. Viajantes de 1/9/1980, em inglês; A Sentinela de 15/9/1981 pág. 16-31; de 15/12/1981 pág. 19; de 15/4/1988 pág. 27-8) Antes do artigo “Ajudemos outros a adorar a Deus” de A Sentinela de 15/11/1988, os publicadores não batizados praticantes de pecados sérios eram ostracizados. Depois, eram encarados como "más associações" que devem ser evitadas. (A Sentinela de 15/2/1989 pág. 29)

É impróprio orar por alguém que foi desassociado ou que se dissociou. (A Sentinela de 1/1/1972 pág. 30) "Se for induzido a orar por um familiar desassociado que não seja praticante de pecado e que esteja arrependido, poderá fazer isso em particular". (A Sentinela de 1/12/2011 pág. 31) Não deve convidado para estar presente numa festa de casamento. Se ele comparecer, e o anfitrião não o mandar embora, as Testemunhas presentes, "por não desejar a sua presença, podem abandonar a festa." (A Sentinela de 15/12/1981 pág. 26)

Atualmente, desde que se comporte adequadamente, pode sentar em qualquer lugar no Salão do Reino, mesmo junto dos seus familiares que são Testemunhas fieis. Ninguém o irá cumprimentar. Seus familiares não devem ter associação com ele no Salão. (A Sentinela de 15/8/2013 pág. 8; note A Sentinela de 1/5/1954 pág. 79-80)

É impróprio providenciar um serviço fúnebre para um desassociado. (A Sentinela de 1965 pág. 288) Se ele tiver dado evidência de arrependimento, a consciência de alguns anciãos pode permitir proferir um discurso bíblico na casa funerária ou no cemitério, visando o conforto dos familiares. Não é autorizado o uso do Salão do Reino. (A Sentinela de 15/12/1981 pág. 27; de 1/12/1977 pág. 731-2) "Antes de tomar essa decisão, seria sensato o ancião consultar o Corpo de Anciãos ... talvez seja apropriado um batizado, que seja membro da família do falecido, fazer um discurso para confortar os parentes." (Nosso Ministério do Reino de 8/1997 pág. 7)

Textos bíblicos usados

O severo ostracismo social e familiar que é praticado pela liderança das Testemunhas de Jeová é supostamente apoiado em textos bíblicos. Seus críticos dizem que isso não tem apoio bíblico, que ameaça os relacionamentos familiares, que comporta de descriminação e intolerância religiosa, que constitui uma violação dos Direitos Humanos. Mas, o que nos diz realmente a Bíblia?

Mateus 18:17 (TNM) - Jesus Cristo disse que batizados praticantes de pecados sérios devem ser excluídos da Igreja Cristã. Eles deixam de ser cristãos. "Seja para ti [ a pessoa expulsa ] apenas como homem das nações [ gr. ethnikos, não judeu, gentio ] e como cobrador de impostos [ ou publicano, gr. telones ]". Os judeus não se associavam com os gentios e repudiavam os cobradores de impostos. I Coríntios 5:9-11 (TNM) diz: "Escrevi-vos para não vos relacionardes com fornicadores. ... Escrevi que não deveis associar-vos [ ou ter companheirismo, lit. "não vos mistureis", gr. me synanamígnysthai ] com alguém que traz o nome de irmão, e no entanto é imoral, avarento, idólatra, caluniador, beberrão ou ladrão. Com pessoas assim, não deveis nem sequer sentar-vos à mesa [ ser hospitaleiro, tomar uma refeição juntos ]." Eles "não herdarão o Reino de Deus". Note Gálatas 5:19-21 e I Coríntios 6:9-10. Deve cessar todo o companheirismo com tais pessoas. Então, o que é contestado?

II João 9-11 (TNM) diz: "Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras [ dá-lhe um sinal de aprovação ]."

Se uma pessoa ou uma liderança religiosa "não traz" a doutrina de Cristo [ Cristianismo ] ou "não persevera na doutrina de Cristo"? O que deve fazer um cristão? "não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis." O apóstolo Paulo disse que "mesmo que nós [ os apóstolos ] ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado [ lit. “anátema”, ou alguém amaldiçoado ]." (Gálatas 1:8)

  • Promotores de heresias e sectários, depois da segunda admoestação dos anciãos (ou presbiteros), eram excluídos da Igreja Cristã. (Tito 3:10; I Coríntios 11:19) Ao falar aos Anciãos de Éfeso, o apóstolo Paulo disse: "Dentre vós mesmos [ dos Anciãos ] surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos [ de Cristo ]." (Atos 20:30) Alertou os cristãos de Roma a "ficarem de olho nos que causam divisões e motivos para tropeço contra o ensino que aprendestes, e que os eviteis." (Romanos 16:17-18)

Lealdade à liderança

"Vez ou outra, é necessário parar de nos associar com alguém que deixa de fazer parte da congregação. Isso acontece quando a pessoa viola a Lei de Deus, não se arrepende é desassociada, ou quando rejeita a fé por ensinar doutrina falsa ou por se dissociar da congregação. ... devemos cessar de ter convivência com essas pessoas. Pode ser muito difícil fazer isso quando se trata de um amigo ou parente. ... Lembre-se que Jeová valoriza muito a lealdade e a obediência." (Mantenha-se no Amor de Deus, 2008, pág. 34-5) Nem mesmo um mero cumprimento. Não o fazendo é um ato de rebeldia. (A Sentinela de 15/12/1981 pág. 19, 22-7) Toda a obrigação jurídica que não for possível evitar ou eliminar - terá de ser o mínimo possível.

Perante as autoridades e a Opinião pública, a liderança da religião garante que só o vínculo religioso é cortado, não os vínculos familiares. "A base da associação aprovada com as Testemunhas de Jeová não pode ser apenas uma crença em Deus, na Bíblia, em Jesus Cristo ... requer a aceitação de todas as crenças bíblicas singulares [ ou seja, a doutrinação tendenciosa e seus ensinos equivocados ]". (A Sentinela de 1/4/1986 pág. 31) Mas se "a aceitação de todas as crenças bíblicas singulares" não forem o ensino de Cristo? Se um batizado discernir isso posteriormente, passa uma crise de consciência entre a Lealdade a Deus e a liderança religiosa.

Se um Ancião, Servo ministerial ou Pioneiro deixar que familiares imediatos desassociados morem em sua casa, "o Corpo de Anciãos têm de reavaliar as suas qualificações. Se levantarem sérias questões e se a pessoa "deixou de ser respeitada na congregação", não está mais qualificada. Enquanto a situação desfavorável existir, não podem ser usados em designações que exija ser um exemplo na congregação. Os anciãos devem confirmar seu amor por ela e ajudá-la a entender que ela ainda é útil na congregação." (CCTJs EUA de 21/1/2010, em inglês)

A religião admite que os relacionamentos familiares são "um verdadeiro teste à lealdade a Deus e a Sua organização". Quer o desassociado ou dissociado retorne quer não, todos os membros da congregação – e não apenas os Anciãos – devem reanimar a família do desassociado. (A Sentinela de 1/10/2001 pág. 17 § 16) Eles não devem se sentir rejeitados ou isolados. (Dia de Jeová, 2006, pág. 149 § 18) O artigo de estudo de A Sentinela de 15/1/2013 nas pág. 15-6, comentando a situação difícil das Testemunhas com filhos adultos desassociados ou que se dissociaram, afirmou:

"Respeite o arranjo de Jeová para prover disciplina. Tome sua posição contra o Diabo - não contra os pastores que agem para proteger a congregação. ... Realmente, o que seu querido membro da família precisa ver em Você é sua firme determinação de colocar Jeová acima de tudo o mais - incluindo o vínculo familiar. Não procure desculpas para se associar com um membro da família desassociado [ isto é, que não seja um cônjuge, filho menor de idade ou outro familiar próximo que more na casa ] como, por exemplo, trocando correio eletrónico. Envolva-se em atividades espirituais."
  • Estas ideias foram reforçadas no discurso intitulado "A Verdade traz Não a Paz, mas a Espada", proferido nos congressos de 2013 em toda a Terra. Note o esboço do discurso em PDF. Veja a A Sentinela de 15/1/2007 pág. 17-20 e o Nosso Ministério do Reino de 8/2002 pág. 3-4 - Demonstre Lealdade Cristã quando um parente é desassociado.

Estigmatizam quem recusa o convite para uma audiência judicativa. "Por causa do que eles percebem como defeitos no anciãos, alguns indivíduos que se envolvem em grave transgressão na congregação se recusaram a comparecer perante uma Comissão de anciãos designados para ajudá-los." (A Sentinela de 15/10/2012 pág. 13) Quem na congregação questionar a doutrina dos Últimos Dias [ escatologia ], é uma má associação, pode ser visto como tendo ideias apóstatas. Não são permitidas dúvidas e questionamentos à liderança entre as Testemunhas fieis. (A Sentinela de 15/12/2013 pág. 9)

Desassociação e a Lei

Apostasia organizacional é encarada pelo Corpo Governante como sendo o mesmo que apostasia da Fé Cristã, sendo por isso severamente punida. Do ponto de vista legal, quem desassocia é uma Comissão Judicativa da congregação local das Testemunhas de Jeová, nunca a(s) entidade(s) jurídica(s) usada(s) no País pela religião. Existe o princípio de que as autoridades judiciais não se envolvem nos assuntos disciplinares das igrejas.

Todo o processo desassociatório é concebido de modo a ser muito difícil fazer prova de violação de direitos ou da existência de abusos. Escudam-se no seu conceito de Segredo religioso. Em 2014, a religião modificou o formulário S-77 (Aviso de notificação de Desassociação e Dissociação) com novas instruções de uso. Seu envio é agora por meio da Intranet JW.ORG. Isso vem dificultar ainda mais uma eventual investigação criminal. E se forem encontrados ou exigidos judicialmente, são agora meras notificações informais que não comprometem a liderança da religião no País e nem os membros da Comissão Judicativa congregacional.

  • A liderança da religião não pode desencorajar a notificação às autoridades competentes de um alegado crime. Tampouco pode fazer obstrução à Justiça ou encorajar o uso da simulação da vontade para induzir o julgador em erro. Os anciãos que servem em Comissões Judicativas não têm competência para investigação criminal, nem para julgar violação da Lei penal. Isso é uma prerrogativa dada por Deus às "autoridades superiores" que, neste caso, são as autoridades judiciais. Note Romanos 13:1-7.
  • A desassociação [ ou excomunhão religiosa ] por si só não é contrária à Constituição ou que tal fato, por si só, não constitui um crime. Fundamenta-se no princípio de que ninguém pode ser obrigado a ficar associado [filiado] e de que nenhuma associação pode ser obrigada a manter como membro quem não cumpre ou quem recusa aceitar as suas regras.
  • Ninguém deverá ser coagido para permanecer ou para retornar. Ninguém deve ser perseguido, discriminado, sofrer de difamação caluniosa ou chantagem emocional por motivos religiosos. Ninguém deve ser sujeito a interferências na sua vida privada, familiar, domicílio ou correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. O direito à Liberdade Religiosa inclui a liberdade de mudar de crença, não seguir qualquer religião, questionar ou mesmo duvidar da existência de Deus.
  • Nulidade das obrigações decorrentes da filiação quando esta é conseguida com ensinamentos tendenciosos ou distorcidos, com omissão de factos relevantes no processo de decisão, ou ainda, mediante imposição ou coação, direta ou indireta. Não é aceitável obter a filiação dum menor de 16 anos, alguém com anomalias psíquicas ou interdito judicialmente. Embora os pais [ o pai e a mãe ] possam educar seus filhos na Fé religiosa e transmitir os seus valores religiosos, eles não devem impor uma Fé religiosa ou adesão a uma religião.
  • Uma liderança religiosa não pode exercer condicionamento ilegal, restrição ou privação dos direitos constitucionais dos crentes. A promoção de intolerância religiosa, direta ou indireta, verbal ou impressaé criminalizada
  • Para evitar processos judiciais adversos e uma imagem negativa na opinião pública, agora argumentam que "são os membros fieis que não querem mais se associar com os que abandonaram a religião", independentemente do(s) motivo(s). Posição que mantêm enquanto não forem readmitidos. Lançam a responsabilidade pelas consequências do severo ostracismo social e familiar nas pessoas desassociadas e dissociadas, independente do(s) motivo(s). Seus familiares e amigos devem apoiar fielmente o ostracismo.
  • Agora um(a) batizado(a) que aceitar sangue e não se arrepender ou violar seu conceito de neutralidade cristã, não é mais desassociado. Na nova terminologia, "suas ações manifestaram a sua vontade de se dissociar da religião". Na prática, o resultado é o mesmo. Atualmente, os anciãos evitam a expressão "expulsão"

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