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Jerusalém, cidade situada num planalto com 770 metros de altitude (a 1145 metros do nível médio das águas do Mar Morto) na região montanhosa meridional, entre o litoral mediterrâneo e o Mar Morto. Está a uma distancia de 35 Km de Jericó, 20 Km de Betel e 30 km de Hébron. Na etimologia popular hebraica, Yerusalayim significa "dupla Paz". É transliterada na LXX por Hierosólyma, de hiéro, "sagrada", e Sólyma, Salém. Para o islão, é Urshaliym al-Quds, "Jerusalém, a Sagrada", do aram. karta Qudsha, a "cidade do Santuário".

Atualmente, além de ser a capital do estado de Israel, é a maior e mais populosa cidade do país. A Autoridade Nacional Palestina (ANP) pretende fazer de Jerusalém Oriental a capital do futuro estado da Palestina (árabes muçulmanos), mas Israel não abdica da sua soberania na cidade. Têm locais sagrados para as três religiões abraamicas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Para o Islão, o Monte do Templo [ Har ha-Bayit, em ár. Al-Haram ash-Sharif, "Nobre Santuário" ] é o terceiro lugar santo em importância para o mundo islâmico.

Sua fundação Editar

Escavações a sul da Plataforma do Templo provam que começou a ser habitada à mais de 4500 anos, mas habitada de um modo permanente, por volta de 2600 AEC (Idade do Bronze). Nos Textos de Execração egípcios do XIX século AEC, contém a mais antiga referência conhecida da cidade. É chamada de Urusalimum. No panteão de Ugarit (Ras Shamra), Shalim é a divindade do anoitecer.

No tempo de Abraão, a cidade era chamada de Salém [ hebr. shalom, de shalam, "Paz" ]. Melquizedeque [ "Rei da Justiça" ] era sacerdote de Deus Altissímo e Rei de Salém. (Génesis 14:18; Hebreus 7:1-2) Foi fundada na colina de Sião [ hebr. Tsion, "colina" ] pelos jebuseus [ hebr. yabusium ], uma das tribos de Canaã. (Génesis 10:16) É chamada também de Jebusi ou Jebus. (Josué 18:21) A terra de Moriá [ hebr. "visão" ] não era habitada no tempo de Abraão. Seria um local isolado, adequado para a realização de um sacrifício. (Génesis 22:2)

Na conquista de Canaã sob Josué, o jebuseu Adoni-Zedeque [ "Senhor da Justiça" ] era o Rei de Jerusalém. Era uma importante cidade-estado de Canaã sob a proteção do Faraó do Egito. Na batalha de Gibeão, Josué derrotou a coligação de cananeus liderada por Adoni-Zedeque. Todos os reis são capturados e executados. (Josué 15:1, 23) As cartas de Amarna (EA 286) do XIV século AEC, mencionam Abdu-Heba como o Rei de Jerusalém [ em arcadiano Urushalayim ] durante as incursões dos Hapirú em Canaã.

A cidade pertencia ao território da tribo de Benjamim, mesmo junto à divisa com o território de Judá. O vale de Hinom [ hinnóm; gr. géenna ] fica a oeste e a sul da cidade. (Josué 15:8; 18:16; 19:2, 6) Após a morte de Josué, a tribo de Judá conquistou Jerusalém. Foram executados os jebuseus e a cidade incendiada. (Juízes 1:8) Tanto a tribo de Judá como a de Benjamim não exterminm os jebuseus da terra. Por isso, eles retornaram e reconstruíram a cidade. Permaneceram na Fortaleza de Sião até ao reinado de David. (Josué 15:63; Juízes 1:21; 19:10)

Sob a dinastia davidica Editar

A Fortaleza de Sião foi conquistada aos jebuseus no 7.º ano do Rei David, por Joabe, chefe do exército. Foi construído edifícios em seu redor, desde do Aterro [ millo ] para dentro e suas muralhas reforçadas. Ficou conhecida como a Cidade de David. Tornou-se na capital do reino de David, onde reinou por 33 anos sobre as 12 tribos. A Arca da Aliança foi carregada pelos levitas para Jerusalém. É construído o Palácio de David, revestido com madeira de cedro. (I Samuel 5:9-11) Os filhos de David que nasceram em Jerusalém foram: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, e Eliadá e Elifelete. (I Samuel 5:14-16)

O Templo de YHWH foi construído na colina de Moriá, no terreno do jebuseu Araúna (Ornã) que David havia antes comprado. No 4 .º ano de Salomão, filho de David, principiou a construção do Templo, precisamente no 480.º ano após do Êxodo do Egito. A construção teve uma duração de 7 anos. (I Reis 6:1) No 11 .º ano de Salomão, começou a construção do Palácio de Salomão, do Palácio da Filha da Faraó, do Palácio dos Cedros do Líbano, o Pórtico das Colunas e o Pórtico do Trono. Concluídas as edificações governamentais 13 anos depois da conclusão do Templo, Jerusalém recebeu a visita da rainha de Sabá ( Iémen meridional ).

Reino de Judá Editar

Após o cisma das tribos e divisão do reino, Jerusalém era a capital do Reino de Judá. No 5 .º ano de Roboão, filho de Salomão, Sheshonk I invadiu o Reino de Judá. (I Reis 14:24-25) Hazael, Rei da Siria, foi subornado por Jeoás de Judá, com os tesouros do Templo e do Palácio Real, para não sitiar Jerusalém. (II Reis 12:17-18) Após a batalha de Bete-Sames de Judá, Jeoás de Israel, derrotou Judá e capturou o Rei Amazias. Em seguida, sitiou Jerusalém e abriu uma brecha de 400 côvados nas muralhas, desde do portão de Efraim até ao portão do ângulo. (II Reis 14:13) Recim, Rei da Síria, e Peca, Rei de Israel, no início do reinado de Acaz, sitiaram Jerusalém sem sucesso. (II Reis 16:5) Quando Sargão II conquistou Samaria, no 9.º ano de Ezequias, Jerusalém foi fortalecida por um grande afluxo de refugiados provenientes do norte.

No 14.º ano de Ezequias, Senaquiribe, Rei da Assíria, uma divisão de Laquis sob comando de Rabsaqué foi enviada para cercar Jerusalém. A cidade não foi conquistada. (II Reis 18:17) Construção do túnel do Reservatório de Siloé, para fornecer água à cidade desde da fonte de Giom. Manassés, Rei de Judá, foi capturado por chefes militares assírios e levado cativo para Babilónia. Depois, foi restabelecido no trono de Judá. O vale de Hinom se tornou depósito e incinerador do lixo da antiga Jerusalém.

Nabucodonosor II, Rei da Babilónia, sitiou Jerusalém, em 598 AEC, e levou consigo utensílios do Templo e Jeoaquim, filho do Rei Jeoiaquim, como prisioneiro. Em seu lugar, estabeleceu Zedequias, filho de Josias, como Rei de Judá. Zedequias manteve-se no poder por 11 anos. Ele se rebelou contra Nabucodonosor. Em 587 AEC, a cidade foi completamente destruída pelos babilónios, suas muralhas demolidas e o Templo incendiado.

Sob domínio persa e grego Editar

No 1.º ano de Ciro II após a conquista de Babilónia (538/537 AEC), judeus foram autorizados a regressar a Judeia e a reconstruir o Templo. Foi inaugurado no 6.º ano de Dario I (516/515AEC). No 7.º ano de Artaxerxes I (457 AEC), o sacerdote e copista Esdras, restabeleceu os serviços no Templo. Foi designada uma estrutura administrativa e judicial. No 20.º ano de Artaxerxes I (445 AEC), Neemias, ex-copeiro do rei, foi nomeado governador de Judá. São reconstruídas as muralhas da cidade e colocados os portões. Em 198 AEC, Ptolomeu V, Rei do Egito ( ou Rei do Sul ), perdeu a Judeia para o Império Selêucida sob Antíoco III, Rei da Síria ( ou Rei do Norte ). Revolta dos Macabeus (168-165 AEC) contra Antíoco Epifanes, Rei da Síria. Em 152 AEC, foi fundado o Reino Asmoneu da Judeia, tendo Jerusalém como capital.

Era Crista Editar

Será pisada pelos gentios Editar

No fim do I século EC, Jerusalém foi sitiada pelo general romano Tito, no ano 70 EC. A cidade e seu Templo são novamente destruídos. Em 123 EC, o Imperador Adriano mandou reconstruir a cidade com um novo nome - Aelia Capitolina. Judeia passa a ser chamada de Síria Palestina. Revolta de Bar Kokhba (133-135 EC). Durante o IV século, o Imperador Constantino I mandou construir igrejas.

No cerco de Jerusalém em 614 EC, Jerusalém foi conquistada pelos sassânidas. Ficou anexada por 15 anos ao Império Sassânida até o imperador bizantino Heráclio a conquistou em 629 EC. Em 638 EC, o califado islâmico alargou a sua soberania para Jerusalém. Neste momento, Jerusalém foi declarada a terceira cidade mais sagrada do Islão após Meca e Medina, e referido como al Bait al-Muquddas. Mais tarde, era conhecida como al-Quds al-Sharif. Com a conquista árabe, os judeus foram autorizados a regressar à cidade.

Em 1099, Jerusalém foi conquistada pelos Cruzados, que massacraram a maior parte dos habitantes muçulmanos e os poucos judeus que restavam. A população da cidade diminuiu de 70 mil para menos de 30 mil. Os sobreviventes judeus foram vendidos na Europa como escravos ou exilados na comunidade judaica do Egito. Tribos árabes cristãs se estabeleceram nas ruínas da Cidade Velha de Jerusalém. Em 1187, a cidade foi conquistada aos Cruzados por Saladino, que permitiu os muçulmanos e os judeus retornarem à cidade. Em 1244, Jerusalém foi saqueada pelos Tártaros Kharezmian, que dizimaram a população cristã da cidade e afastou os judeus. Entre 1250 e 1517, Jerusalém foi governada pelos Mamelucos do Egito.

Em 1517, Jerusalém e região ficou sob domínio Império Turco Otomano até 1917. Com a derrota dos turcos na I Guerra Mundial, a Palestina ficou sob domínio da Grã-Bretanha através de mandato recebido da Liga das Nações, na Conferência de Lausanne, em 1922. De 1922 a 1948 a população residente da cidade passou de 52 mil para 165 mil, sendo 2/3 de judeus e 1/3 de árabes (muçulmanos e cristãos). Em 1948, Israel tornou-se um Estado independente e Jerusalém foi proclamada a capital do Estado, em 1950.

Santuário do Islão Editar

O Monte do Templo [ hebr. Har Habait; em ár. Haram esh-Sharif, "o Nobre Santuário"), no local do Primeiro Templo e do Segundo Templo, fundado no monte Moriá, onde Abraão iria oferecer seu filho Isaque em sacrifício (Génesis 22:1-18; Corão, surata Al-Safat 37:102-10) Na tradição islâmica, o local é considerado como sendo "o mais remoto santuário" [ ár. masjid al-aksa ] (Corão, surata Al-Isra 17:1) A Cúpula da Rocha [ ár. Kubat al-Sakhra ] é um santuário sobre a Rocha Sagrada. O profeta Muhammad (Maomé) terá sido transportado em visão até ao Monte do Templo, acompanhado pelo anjo Gabriel, de onde ascendeu aos céus. É o terceiro lugar mais sagrado da Terra para o islão, depois da Kaaba [ ár. Kabah, “o Cubo”], em Meca, e a Mesquita do Profeta [ ár. al-Masjid al-Nabawi ], em Medina.

Jerusalém figurativa Editar

O novo Israel é constituído pelos cristãos fiéis, judeus ou não-judeus. No cristianismo, a circuncisão é realizada no coração. A Jerusalém figurativa é o vindouro Reino de Deus. Messias (Cristo), o Filho de Deus, é rei e sumo-sacerdote. Seus 12 apóstolos são governantes no Reino de Deus e colunas no Templo figurativo.

O apóstolo Paulo explica aos cristãos do I século, "a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós." (Gálatas 4:25-26; Hebreus 12:22) Nas visões dadas ao apóstolo João, foi descrita do seguinte modo: "E eu, João, vi a santa cidade, a Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido." (Revelação 21:2, 10) "A quem vencer, eu o farei coluna no Templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a Nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome." (Revelação 3:12)

Bibliografia Editar

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar

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