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Jesus Cristo ou Jesus, o Cristo (Belém, na Judeia, outubro de 2 AEC - Jerusalém, 3 abril de 33 EC), o primogénito de Maria. Era também conhecido por Jesus de Nazaré ou Jesus, o nazareno. Nasceu pouco antes da morte do Rei Herodes I. (Mateus 2:1) Segundo a grande maioria dos historiadores, ele viveu entre 4 AEC e 30 EC. Era da tribo de Judá e membro da Casa Real de David, tanto pela linhagem materna (direito natural) como paterna (direito legal). Foi criado em Nazaré, na Galileia. Jesus [ Yesous ], forma abreviada do hebr. Yahoshua (ou Yoshua, de onde deriva também Josué), significa "YHWH é salvação". (Lucas 1:31; Mateus 1:21)

Sua existência pré-humana Editar

Na sua existência pré-humana, ele é o arcanjo [ ou "principal dos anjos" ] Miguel [ "quem é semelhante a Deus" ]. É o filho primogénito e unigénito [ único que foi criado diretamente ] de YHWH, o Deus Todo-poderoso. Teve um papel importante na Criação, mas não foi co-criador. (Provérbio 8:24-25; Génesis 1:1, 26) É encarado como um ser divino ou de natureza divina, uma divindade ou um deus. Em Isaías 9:6, o Messias foi chamado de "Deus poderoso" (TNM) ou "Deus Forte" (ALA), não de o Deus Todo-poderoso.

Sobre o nascimento de Jesus Editar

O anjo Gabriel aparece a jovem virgem Maria, noiva de José, e anuncia que ela ficaria grávida por meio do Espírito Santo de Deus. Apesar das complicações que isso envolvia, ela deu de imediato seu consentimento. (Lucas 1:26-28, 34-38) De seguida, Maria visitou a idosa Elisabete, esposa do sacerdote Zacarias, no seu 6.º mês de gravidez. (Lucas 1:39-45) O anjo Gabriel apareceu a José, noivo de Maria, para explicar a gravidez de Maria. Depois disso, José tomou Maria como sua esposa. (Mateus 1:24-25)

Otávio César Augusto (de 31 AEC a 14 EC) ordenou a todos os habitantes do Império para se registarem na sua cidade natal. Esse decreto saiu quando Públio Quintílio Varo [ e não Públio Sulpício Quirínio ] era o governador da Síria. Por isso, José e Maria viajaram de Nazaré (Galileia) até a Belém (Judeia). Fizeram uma viagem de 120 Km com Maria em estado avançado de gravidez. Tendo completado o tempo de gravidez, Maria "deu à luz o seu filho, o primogénito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento." Quando Jesus nasceu, havia pastores "vivendo ao ar livre e mantendo de noite vigílias sobre os seus rebanhos." Por isso que Jesus foi registado em Belém. (Lucas 2:1-7)

Um anjo que anuncia o nascimento do futuro Messias aos pastores de Belém. Seguidamente, uma multidão de anjos aparecerem e louvaram a Deus. (Lucas 2:8-14) Os pastores vão conhecer o recém nascido e louvaram a Deus. (Lucas 2:15-20) Cumprindo a Lei, o bebé Jesus é circuncidado no 8º dia, e a sua apresentação no Templo é feita no 40º dia. Os idosos Ana e Simeão, ambos profetas, chegam a conhecer o futuro Messias e louvam a Deus. (Lucas 2:21-39)

Visita dos magos e ida para o Egito Editar

Quando apareceram astrólogos [ ou sacerdotes magos, gr. magoi ] em Jerusalém perante o Rei Herodes I, Jesus tinha cerca de 2 anos. Guiados por uma "estrela" [ ou luzeiro, gr. astor ] invulgar, eles procuravam o futuro Rei dos Judeus para lhe prestar homenagem [ gr. proskuneo ]. Depois de deixar Jerusalém, a "estrela" ia adiante deles até Belém. Ela se deteve por cima da casa onde estava Maria e o menino Jesus. Eles prostram-se diante o menino Jesus e presentearam Maria com dádivas: ouro, olíbano e mirra. Em sonho, eles recebem a ordem de Deus para não retornarem a Herodes I. Por isso, eles seguiram para o seu país por outro caminho. (Mateus 2:1-12; é aplicado de Oseias 11:1) A "estrela" invulgar, luzeiro ou ponto luminoso - visava permitir que Herodes mandasse assassinar o futuro Messias.

Quando Herodes percebeu que tinha sido enganado, mandou executar todos os meninos de Belém e arredores, de 2 anos de idade para baixo, segundo o tempo que tinha sido calculado. Nesse momento, um anjo apareceu a José em sonho e ordenou que pegasse em Maria e em Jesus e fugisse imediato para a província romana do Egito. (Mateus 2:13-15; é aplicado de Jeremias 31:15) Após a morte de Herodes, um anjo apareceu a José em sonho, mandando-os retornar. Como Herodes Arquelau, filho de Herodes I, governava na Judeia, retornaram para Nazaré, na Galileia. (Mateus 2:16-23)

Sua infância e adolescência Editar

Ele foi educado na Lei [ Torá ] e nos ensinos dos Profetas por José e Maria como todo o jovem judeu. Com José, seu pai adotivo, também apreendeu o ofício de carpinteiro. (Mateus 13:55; Marcos 6:3) Sua infância e adolescência foram resumidas em Lucas 1:40, 52. "E o menino continuava a crescer e a ficar forte, estando cheio de sabedoria, e o favor de Deus continuava com ele. ... E Jesus progredia em sabedoria e em desenvolvimento físico, e no favor de Deus e dos homens." Somente um episódio foi recordado – a viagem de Nazaré a Jerusalém na festividade da Páscoa quando Jesus tinha 12 anos. (Lucas 1:41-52)

Meios-irmãos de Jesus Editar

Mateus 13:55 e Marcos 6:3 cita como meios-irmãos de Jesus: Tiago (Gálatas 1:19; 2:9; Tiago 1:1), José, Simão e Judas (Judas 1), além de meias-irmãs. A crença de que Maria só foi virgem até o nascimento de Jesus se baseia nos Evangelhos, que diz que José "não conheceu" [ isto é, não teve relações sexuais ] Maria até que ela tivesse dado à luz. Ele ainda deveria ainda aguardar o término do tempo de purificação - mais 40 dias. A ideia chave é a convição de que na concepção de Jesus não houve relações sexuais. Este fato não retira o mérito de Maria e nem faz de Jesus um homem comum. Visto que a Igreja Católica, professa o dogma da virgindade perpétua de Maria, ensina que nestes textos irmãos e irmãs significam parentes próximos, na realidade, primos e primas.

Batismo e seu ministério terreste Editar

Com cerca de 30 anos no 15.º ano de Tibério César (setembro de 28/29 EC), Jesus foi batizado no Rio Jordão pelo profeta João, filho do sacerdote Zacarias e de Elisabete. Em seguida, o Deus Todo-poderoso ungiu-o com Espírito Santo. Deus reconheceu publicamente a Jesus como o Filho de Deus, o amado, por Ele aprovado. Nessa ocasião, surge o prometido Cristo [ gr. Christós, o mesmo que Messias, hebr. Meshiah, que significam "o Ungido" ]. O profeta João foi usado para anunciar aos judeus a chegada do Messias. (Lucas 3:3; João 3:16) Muitos imaginavam que o Messias seria um guerreiro que iria libertar os judeus do domínio romano [ dos gentios ] e ser o Rei dos Judeus. Isto aconceceu ao fim de "69 semanas" [ ou 483 de anos lunares ] após o decreto para reconstruir as muralhas de Jerusalém. Isso aconteceu no 20.º ano de Artaxerxes I, em nisã (março/abril) de 445 AEC. (Daniel 9:24-26; Neemias 1:1; 2:1-8) Neemias contou o 1.º ano de Artaxerxes a partir de julho de 465 AEC, quando Xerxes I foi assassinado.

Depois de batizado e Ungido, o Messias foi para o ermo de Judá onde ficou em oração e jejum por 40 dias. Neste tempo de isolamento e recolhimento, nos diz os Evangelhos que Cristo foi provado por 3 vezes por Satanás, o Diabo. (Mateus 4:1-13) Escolheu dentre os seus discípulos, 12 homens para serem seus apóstolos [ gr. apostolos, "enviados" ]. A 6 de sivã de 33 EC, decorria em Jerusalém a festividade judaica dos Pentecostes, fundou a Igreja Cristã do I século [ gr. ecclesia; lat. congregatio; assembleia local de cristãos, a comunidade cristã - numa região ou em todo o mundo ]. Os apóstolos tornaram-se colunas da Igreja Cristã e guardiões da Fé Cristã.

Solteiro e celibatárioEditar

Um assunto da sua vida terrestre no qual não existe controvérsia é de que o Messias foi celibatário e não constituiu família. Isso não era o seu objetivo. Os quatro Evangelhos não dizem nada a respeito deste assunto. Porém, alguns imaginam um envolvimento sexual e/ou afetivo com Maria Madalena [ ou Maria de Magdala ], e que com ela teve um filho.

A visão da transfiguração Editar

Uma noite Cristo subiu ao alto de um monte [ Monte Tabor ] para orar seguido pelos apóstolos Pedro, Tiago e João, estes últimos ambos filho de Zebedeu. (Lucas 9:27) Seus discípulos adormecem. Ao acordarem, eles percebem que Cristo (Messias) se transfigurou - seu rosto brilhava como o Sol e suas roupas ficaram brancas como a luz. Na visão da transfiguração, o Messias conversava com os profetas Moisés e Elias. Pedro, sem compreender bem o que estava vendo, sugere que se arme uma tenda para cada um. A mudança na aparência física de Cristo, era um vislumbre da glória de Cristo no Reino de Deus. Não era um contato mediúnico de Jesus com os espíritos de Moisés e Elias. Tampouco fundamenta a crença na reencarnação da alma. (Mateus 17:1-9; Marcos 9:2-10; Lucas 9:28-36)

A última noite Editar

Os discípulos se reuniram na sala de sobrado para celebrar a última Páscoa com Jesus. Ele lhes diz: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.” (Mateus 26:31; é aplicado Zacarias 13:7) Fez-lhes saber que um dos 12 apóstolos o irá trair. (João 13:18, 21; é aplicado o Salmo 41:9) Após a saida de Judas Iscariotes, Jesus instituiu a celebração anual da sua morte - a Santa Ceia - com os apóstolos fieis.

Lucas relata que "houve também entre eles contenda sobre qual deles parecia ser o maior." (Lucas 22:24) Disse ao apóstolo Pedro "que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos." (Lucas 22:31-32) Os discípulos são advertidos que iriam ser dispersos por causa ele, nessa noite. (Mateus 26:31, 56; Marcos 14:50; Isaías 53:1-12) A resposta de Pedro foi: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo." (Mateus 26:35) Jesus disse a Pedro: “Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces.” (Lucas 22:34) Mais tarde, Pedro negou por três vezes a Cristo por temor do homem. “E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” (Lucas 22:60, 62)

No jardim de Getsémani Editar

Mais tarde, Jesus se dirigiu para orar no jardim de Getsémani [ lit. "prensa de azeite" ], no sopé do Monte das Oliveiras, e seus discípulos o seguiram. Era a sua última noite antes da sua morte. (Lucas 22:53) “E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." Sua aflição mental fez que "seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão." (Mateus 26:39, 45; Lucas 22:44) Em pouco tempo chegou Judas com os guardas armados para deter-lo, junto com Judas Iscariotes. “Mas tudo isso aconteceu para que se cumpram as Escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram [ temerosos ].” (Mateus 26:46-56)

Seu julgamento Editar

O julgamento de Jesus é realizado apressadamente durante a noite. (João 18:28) É levado perante Anás, filho de Sete, antigo sumo-sacerdote (6 a 15 EC), e sogro de José Caifás. (João 18:12-14) Depois foi conduzido à casa de Caifás, o sumo-sacerdote (18 a 36 EC), onde fizeram-lhe falsas acusações e usaram falsas testemunhas. (Mateus 26:57-68) Depois, é levado perante o Sinédrio - o Supremo Tribunal judaico, que decide que ele deve ser pregado na stauros. (Lucas 22:66-71) É levado a Pôncio Pilatos, o procurador romano na Judeia, para que o mande executar. (Lucas 23:1-7) Pilatos não encontra nenhuma culpa em Jesus e remete o caso para Herodes Antípas I, governador da Galileia. Mas este remeteu-o novamente para Pilatos. (Lucas 23:8-11) Pilatos convocou novamente os lideres religiosos. Mas, a multidão instigada por eles clamava: "Crucifica-o! Crucifica-o!". (Lucas 23:18-21)

Eles coroaram com espinhos, o chicotearam com chicote romano, cuspiram e escarneceram dele. Os soldados repartem entre si a sua vestimenta e lançaram sortes para o ver o que cada um levaria. (Marcos 15:24 João 19:24) Fizeram-no carregar sua própria barra transversal da stauros. Por fim, foi pregado na stauros pelos pulsos e pés para morrer. Sobre sua cabeça, por ordem de Pilatos, foi colocado a inscrição na stauros por cima de sua cabeça: “Este é o Rei dos Judeus" escrita em grego, latim e hebraico. (Lucas 23:38) Pilatos quis que todos soubessem porque o Cristo iria morrer.

Sua morte, ressurreição e ascensão Editar

Desde a sexta hora [ das 12h00 ] até a nona hora [ as 15h00 ] houve um eclipse solar total. No momento da sua morte, ocorreu um violento sismo. (Mateus 27:45) Depois de confirmada a sua morte e antes do pôr-do-Sol [ início do Dia de Sábado, o 15 de nisã ], seu corpo foi removido da stauros. O seu sepultamento foi feito apressadamente. (João 19:31-34; Mateus 27:57-60) O túmulo foi selado com uma grande pedra, e junto dele, foi colocado uma guarda romana. Antes do amanhecer do 1.º dia da semana após o Dia de Sábado [ início do 16 de nisã ] ocorre a ressurreição. Ocorre um violento sismo e aparecem dois anjos. Os soldados que faziam a guarda ao túmulo fogem apavorados. Cristo permaneceu morto por aproximadamente 37 horas.

Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé, ao alvorecer do 1º dia da semana foram ao Seu túmulo. Elas encontraram o túmulo aberto e sem guardas. Um anjo as avisa que o Cristo (Messias) já tinha sido ressuscitado. Logo depois, Ele apareceu com um corpo diferente a Maria Madalena. (Marcos 16:1, 3; João 20:11, 17) De seguida, foi aparecendo aos seus apóstolos e outros discípulos. "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." (Lucas 24:39)

Ao fim de 40 dias, o Cristo ressuscitado conduziu seus discípulos para Betânia e levantando as mãos, abençoou-os. Depois, se afastou deles e se desmaterializou. Ascendeu à presença do Deus Todo-poderoso, o seu pai. (Lucas 24:50-51; Atos 1:9) Os cristãos aguardavam o fim da sociedade judaica do I Século, a Segunda Vinda de Cristo, o vindouro Reino de Deus e o Dia do Julgamento Final. Por meio de parábolas, alertou os cristãos a se manterem despertos e vigilantes.

Fontes históricas extra Evangelhos Editar

Nas Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo citou “Jesus, que foi chamado de Messias [ Cristo ]". Foi em Antioquia da Síria, por volta de 46 EC, que os discípulos de Cristo foram pela primeira vez chamados cristãos [ lat. christiani ]. (Atos 11:26) O historiador romano Tácito explicou que os cristãos derivaram o seu nome de Cristo - do Cristo sentenciado à morte por Pôncio Pilatos (26-36 EC) no tempo de Tibério César (de 14 a 37 EC)." (Anais, XV, 44, escrito em 115-117 EC) Segundo o romano Suetónio (65-135 EC), Cláudio César (de 41 a 54 EC) expulsou os judeus de Roma porque faziam grande alarido por causa do Cristo. Isso foi no 9.º ano de Cláudio, ou seja, em 49 EC. Compare com Atos 18:2.

Saiba Mais Editar

Bibliografia recomendada Editar

* E. P. Sanders, A verdadeira história de Jesus, trad. Teresa Martinho Toldy e Marian Toldy, 3.ª edição, Editorial Notícias, Cruz Quebrada, 2004, ISBN 972-46-1529-4

* Geza Vermes, Quem é quem no tempo de Jesus, trad. Tiago Rosa, Texto Editores, Lisboa, 2009, ISBN 978-972-47-3842-0

* Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa, 2007, ISBN 978-989-626-075-0

* Louis-Claude Fillion, Jesus Cristo segundo os Evangelhos, Civilização Editora, Porto, 2007 ISBN 978-972-26-2522-7

Ligações Externas Editar

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