FANDOM


Sheshonk I [ shsk, translit. em hebr. Shishak , Sisaque ], foi o faraó fundador da XXII dinastia do Egito. Descende de uma importante família líbia residente em Bubastis (atual Tell Basta) - os Meshwesh ou Ma. Casou com Maat Ka-Re, filha do Faraó Psusennes II. Foi comandante-chefe do exército egípcio e conselheiro de Psusennes II. Sucedeu a seu sogro no trono do Egito. Sua capital era Djanet (chamada pelos gregos de Tânis, atual San al-Hagar), no nordeste do Delta do Nilo. Seu sucessor foi Osorkon I, seu filho. Foi encontrada a múmia de Sheshonk I nas escavações de 1938-1939. Para centralizar o poder real, retirou o poder da mão dos sacerdotes de Amon e extinguiu a linhagem dos sumos-sacerdotes. Instalou seu filho Osorkon, em Tebas. Os sacerdotes de Amon de Tebas tiveram dificuldade em aceitar esta dinastia - que a considerava estrangeira. Restabeleceu relações comerciais com Biblos (Gebal), o tradicional parceiro comercial egípcio na Fenícia, aumentando a prosperidade no início da dinastia.

Invasão de Canaã Editar

Sheshonk I já reinava na parte final do reinado de Salomão. (I Reis 11:40) No 5.º de Roboão, filho de Salomão, invadiu Canaã. Tomou diversas cidades fortificadas dos reinos de Judá e de Israel setentrional. (I Reis 14:25-26; II Crónicas 12:1-3, 9) Este sincronismo é muito importante.

O exército egipcio contava com 1 200 carros de combate, 60 mil cavaleiros e uma infantaria numerosa - que incluía líbios, suquins e etíopes. É discutível o percurso exato da campanha militar pelo caráter incompleto da lista do baixo-relevo de Sheshonk I no Templo de Ámon, em Karnak, quer pelas dificuldades de identificação de muitos lugares.

Roboão enviou a Sheshonk I os tesouros do Templo e do Palácio Real como tributo. Sheshonk I não sitia Jerusalém, embora tenha saido do Egito "contra Jerusalém" com intenção de a conquistar. Nessa ocasião, Jeroboão I fuge de Siquém (Tel Balata), a capital do seu reino, para o leste do Jordão. Após a invasão de Sheshonk, foram reconstruídos Siquem e Penuel (Tulul edh-Dhahab). Tirza (Tel el-Farah) foi elevada a capital.

Antes disso, o Rei Roboão tinha mandado fortificar cidades no Reino de Judá. Reconstruiu Belém, e Étão, e Tecoa, Bete-Zur, e Socó, Adulão, Gate, Maressa, Zife, Adoraim, Laquis , Azeca , Zorá, Aijalom e Hébron , cidades que se achavam em Judá e em Benjamim. Além disso, reforçou as fortificações e pôs nelas governadores militares, e suprimentos alimentares, e em todas as diversas cidades escudos grandes e lanças. (II Crónicas 11:5-12)

Tirza, Adão, Penuel, Reobe, Bete-Sã, Suném, Taanak, Megido, Socó, Gibeão, Aijalom, Betel, Bete-Horon, Gaza, Sharuhem, Gezer, Cades, Berseba, Arade Raba, Arade, Tamar,

Habitualmente se aceita que a invasão de Sheshonk I ocorreu em 925 AEC e o início do seu reinado, por volta de 945 AEC. Embora a atual cronologia egípcia tenha uma precisão relativa, definir datas absolutas é polémico. A datação por radiocarbono conduzida pelo professor Christopher B. Ramsey, da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), delimitou as datações anteriores, especialmente para o Antigo Império. Estas se mostram ser mais antigas alguns anos do que se estimava. (Science de 18/6/2010, vol. 328, pág. 1554-7, em inglês) Veja abaixo o tópico "Problemas cronológicos", sobre as dificuldades cronológicas com as datas convencionadas.

A arqueologia deste período: fragmento da estela de Sheshonk I encontrada em Megido durante escavações em 1935-1934; o baixo-relevo de Sheshonk I no Templo de Ámon em Karnak e a Estela de Dakhwa, do seu 5.º ano, achada no Sudão.

Problemas cronológicosEditar

O inicio da construção do Templo de Jerusalém ocorreu no 4.º ano de Salomão. (I Reis 6:1) O historiador judeu Flávio Josefo diz que isso ocorreu 143 anos e 8 meses antes da fundação de Cartago [ latiniz. de kart hadasht, "cidade nova" ] e 240 anos depois da fundação de Tiro. (Contra Apião, Livro 1, 17 e Antiguidades Judaicas, Livro 8, 31; Enciclopédia Verbo século XXI, vol. 8, col. 612-7)

Incertezas na data da fundação de Cartago

  • Atualmente, crê-se que tenha sido 62 anos antes de Roma - por volta de 814 AEC ( 753 AEC + 62 anos ). Cícero (106-43 AEC) fixou em 60 anos antes de Roma e 39.º ano antes da I Olimpíada ( 776 AEC + 39 anos ). (Sobre a República, Livro 2, 23) Segundo Marcos Patérculo, foi anterior a Roma em 65 anos. (História Romana, Livro 1, 6, 4) Segundo Pompeu Trogo, Cartago foi fundada 72 anos antes de Roma. Sérvio diz que 70 anos separam ambas fundações. (Aen., Livro 1, 12) As diferenças se explicam pela imprecisão dos cálculos e/ou por existir diferentes critérios.
  • Josefo diz que Cartago foi fundada no 7.º ano de Pigmalião, Rei de Tiro. (Contra Apião, Livro 1, 18) Foi fundada pela princesa tíria Elissa, irmã de Pigmaleão, ambos filhos do Rei Mattan I. (Virgílio, Eneida, Bertrand Editora, Lisboa, 2005, cap. 1; Pierre Grimal, Dicionário da mitologia grega e romana, Difusão Editorial, Lisboa, 1992, pág. 119)

Incertezas na data da fundação de Roma

  • Marcos Terêncio Varrão (116-27 AEC) fixou a fundação de Roma no ano 753 AEC. (Justino, Livro 17, 6, 9 e Orosio, Livro 4, 6, 1) A povoação inicial foi no Monte Palatino. Segundo os arqueólogos, na área existiram outros povoados anteriores a 753 AEC. Algumas das primeiras sepulturas remontam ao X século AEC. (Philip Matyszak, Crónicas da república romana - os governantes da Antiga Roma desde Rómulo a Augusto, Editorial Verbo, Lisboa, 2004, pág. 17-9) "É certo que os romanos não acreditavam nesta estória [ na lenda de Remo e Rómulo ], mas aceitavam-na ..." (Pierre Grimal, A civilização romana, Edições 70, Lisboa, 1984, pág. 18-9, trad. Isabel St. Aubyn)

Incertezas na data da fundação de Troia

  • Tiro foi fundada 1 ano antes de Troia [ gr. Τροία ou Ίλιον, transl. Ílion; em hitita, Wilusa ou Truwisa ]. O local foi identificado em 1873 pelo arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, no monte Hissarlik [ em turco, "lugar da Fortaleza" ], na planície dos Dardanelos, costa noroeste da Turquia. A Troia VII é frequentemente identificada como sendo a Troia homérica. A história da Troia arqueológica (aliás, várias cidades uma sobre a outra) continua tão envolta em mistério quanto a Troia mitológica. Tambem, a historicidade da Guerra de Troia continua a dividir opiniões.

Saiba Mais Editar

Bibliografia recomendada Editar

  • Grandes impérios e civilizações - o mundo egípcio, vol. 1, pág. 48, trad. Maria Emília Vidigal, Edições del Prado, Brasil e Portugal, 1996
  • Peter A. Clayton, Crónicas dos faraós - reis e dinastias do Antigo Egito, pág. 184-6, trad. Francisco Silva Pereira, Editorial Verbo, Lisboa, 2004)

Ligações Externas Editar

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

Também no FANDOM

Wiki aleatória