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Tempos dos Gentios ou "tempos designados das nações". Segundo as Testemunhas de Jeová, é um período de tempo em que não existiria na Terra um governo de Deus. Teria a duração de "sete tempos", ou seja, de 2.520 anos. (Daniel 4:16, 23, 25, 32) Segundo Revelação 11:3, "1.260 dias" profeticos são 3 tempos e meio. São contados desde do ano da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor II e termina com restabelecimento do Reino de Deus. Para as Testemunhas de Jeová, o fim da Dinastia de David a destruição de Jerusalém ocorreu em 607 AC, em vez de 587 AC, contraria todas as evidências históricas disponíveis. Dessa forma, contando 2.520 anos a partir de 607 AC, chegamos a 1914.

Sua Origem Editar

Durante as primeiras décadas do Século XIX, começou a ser pregado largamente a Segunda Vinda de Cristo de modo visível e corpórea, tanto na Europa como na América do Norte. Nesse tempo, muitos estudiosos cristãos de vários países e de diferentes denominações, simultâneamente chegaram à conclusão pelo seus estudos das profecias da Bíblia, que a Segunda Vinda de Cristo estava perto. Tomaram este assunto muito a sério. O movimento adventista de William Miller fez vibrar a América com a mensagem de que Cristo viria em Outubro de 1844. Muitos de seus seguidores começaram a enfatizar que as igrejas fora desse movimento - representavam a Babilónia, a Grande.

Em 1859, o adventista Nelson Barbour ao reler os cálculos dos "1.290 dias" de Daniel 12:11, "1.335 dias" de Daniel 12:13 e "1.260 dias" de Revelação 11:3, pensou ter descoberto o erro de William Miller. O ponto de partida de Miller para a contagem dos "1.335 dias" estava errado. Todos estes cálculos deveriam começar em 539 EC, ano da conquista de Roma aos ostrogodos por Flávio Belisário, general do Império Bizantino.

Contando desde 539 EC 1.335 anos, a Segunda Vinda de Cristo seria Outubro de 1874, não Outubro de 1844. Sobre isto Charles Russell escreveu mais tarde: "A aplicação que o Sr. Miller fez dos três tempos e meio foi praticamente a mesma que nós fizemos, mas ele cometeu o erro de não começar os períodos de 1290 e 1335 dias no mesmo ponto". (Estudos das Escrituras Vol. 3 - Venha o Teu Reino, 1891, pág. 85-93, em inglês)

"... dentro de trinta anos após o início do Tempo do Fim (1.260 + 30 = 1.290), um trabalho de purificação ... começaria dentre o povo santo ... Contando de 539 EC, os "1.290 dias" simbólicos terminaram em 1829 ... um movimento religioso... geralmente conhecido como Segundo Advento ou Milleristas ... começou em 1829 ... o trabalho de separação ..." (Estudos das Escrituras Vol. 3 - Venha o Teu Reino, 1891, pág. 83-4 e 88, em inglês)

Em 1860, Nelson Barbour lê a obra Horae Apocalypticae do Reverendo Edward Bishop Elliott. Segundo a cronologia do Reverendo Christophen Bowen, apontava para 1873 como o fim dos 6.000 anos desde da Criação de Adão. Conclui que a Segunda Vinda de Cristo e o início do Reino de Cristo de 1.000 anos daria-se em Outubro de 1874, no sétimo milénio da criação de Adão. De acordo com a Cronologia bíblica em uso na época, a Criação de Adão ocorrera no Outono do hemísfero setentrional de 4.128 AC. Cada "dia" criativo era supostamente de 7.000 anos.

Mais tarde Russell escreveu que "embora a Bíblia não contenha nenhuma declaração direta dizendo que o sétimo milénio será a época do Reino de Cristo, o grande Dia Sabático de restituição para o mundo, ainda assim a venerável tradição não é desprovida de fundamento razoável." (O Tempo está Próximo, pág. 39) Compare isso com Mateus 24:36.


John Acquila Brown publicou em 1823 um cálculo escatológico pioneiro - que 2.520 anos eram a duração dos "sete tempos [ de anos ]" de Daniel Cap. 4. Começavam em 604 AC e terminavam em 1917 EC. As evidências provam que ele não relacionara os 2.520 anos com a duração dos "Tempos dos Gentios".

Barbour serve-se dos cálculos John Acquila Brown para relacionar que os "sete tempos" ou 2.520 anos são a duração dos "Tempos dos Gentios". Teria início em Outubro de 606 AC e terminava em Outubro de 1914 EC. Nos cálculos, os 70 anos de desolação de Jerusalém são relacionados com duração do Exílio de Judá, não com o domínio do Império Neo-babilónico. Em 1875, Barbour publicou os seus cálculos na sua revista Arauto da Manhã, partindo de 606 AC e chegando a 1914 como a duração dos "Tempos dos Gentios".

A partir de 1868, Barbour começou a divulgar suas ideias religiosas sobre o ano de 1874. A previsão de Barbour da Segunda Vinda de Cristo de modo visível não se cumpre em 1874. Barbour decide insistir com a data, alterando apenas o modo do seu cumprimento. Seria uma Vinda "invisível". Vale-se de Bemjamim Wilson ter traduzido o termo grego parousia, por "presença". (Mateus 24:37, 39, Emphatic Diaglott) Em 1875, Barbour publicou os seus cálculos na sua revista Arauto da Manhã, partindo de 606 AC e chegando a 1914 como a duração dos "Tempos dos Gentios".

Em 1876, Charles Russell escreveu no periódico de George Storrs que os tempos dos gentios [ "tempos designados das nações", NM ] terminavam em 1914. (Examinador da Bíblia, Outubro de 1876, Nova Iorque, pág. 27-8) Outubro de 1914 seria o fim do "Dia da Ira" de Deus, a vinda do Armagedom. (A Torre de Vigia de Sião de 12/1879, pág. 3; de 3/1880, pág. 2) "Nós apresentamos prova de que ... a batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso ... terminará em 1914, com a vitória completa sobre os governos terrestres". (Estudos das Escrituras Vol. 3, 1905, Editorial 26, em inglês) Isto envolveria "a completa destruição dos poderes ... deste mundo maligno - político, financeiro, eclesiástico". (Estudos das Escrituras Vol. 4, 1897, pág. 604, 622) Nunca predisse a ocorrência da I Guerra Mundial (1914-1918) e tampouco o que lhe sucederia.

A correção devida ao Ano Zero fixou o início do cálculo em 607 AC, sem contudo alterar o resultado. "Foi em 606 AC que terminou o Reino de Deus, que se removeu o diadema e toda a Terra foi entregue aos gentios. Os 2.520 anos contados desde 606 AC terminarão em 1914 EC." (Os Três Mundos, Nelson Barbour, 1877, pág. 83) "Providencialmente, estes Estudantes da Bíblia não se haviam dado conta de que não existe ano zero entre "AEC" e "EC" (ou "AD"). Mais tarde, quando uma pesquisa feita tornou necessário ajustar 606 AC para 607 AEC, eliminou-se também o ano zero, de modo que ainda valia a predição de 1914 EC." (A Verdade Vos Tornará Livres, 1943, publicado em português em 1946, pág. 242)

Charles Russell só começou a acreditar nisso, depois do fracasso sobre o ensino da Segunda Vinda visível. (A Harpa de Deus, Joseph Rutherford, 1921, pág. 238; Apocalipse Adiado, Prof. James Penton, pág. 310, nota 19; Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, Prof. Carl Olof Jonsson, pág. 26-7) Em 1876, Russell escreveu no periódico de George Storrs que os tempos dos gentios [ "tempos designados das nações", NM ] terminavam em 1914. (Examinador da Bíblia, Outubro de 1876, Nova Iorque, pág. 27-8) Em 1877, publicou o livro Três Mundos e a Colheita deste Mundo. Apresentava o conceito da presença invisível de Cristo do outono setentrional de 1874. Haveria um período de 40 anos até ao fim dos Tempos dos Gentios, iniciando com uma "colheita" de três anos e meio, de outono setentrional de 1874 até Primavera de 1878.


Em 1930, os cálculos adventistas sobre "1260 dias" proféticos de Revelação 11:3 que fixava o início do Tempo do Fim, são definitivamente rejeitados bem como as intrepertações relacionadas.

Em 1943 e 1944, a Sociedade Torre de Vigia (da EUA) fez importantes revisões na sua Cronologia bíblica. (A Verdade Vos Tornará Livres, 1943, publicado em português em 1946, pág. 171-6; Está Próximo o Reino, 1944, publicado em português em 1953, pág. 151-6) Eliminou Outubro de 1874 como a data da presença invisível de Cristo e o início do sétimo milénio. Em vez disso, a presença invisível de Cristo afinal começou em Outubro de 1914. O início do sétimo milénio é lançado para o ano de 1975. As datas de 1873 e 1874 baseava-se em intrepertações fantasiosas de textos biblicos da liderança das Testemunhas de Jeová. O mesmo se aplica a 1878, 1881, 1915, 1918 e 1925. Todos estes ensinos errados foram publicados como ensinos bíblicos.

70Editar

"O profeta Jeremias predisse que os babilónios destruiriam Jerusalém, e transformariam a cidade e o país numa desolação. (Jeremias 25:8-9) Ele acrescentou: "E toda esta terra [ Judá ] terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao rei de Babilónia [ Império Neo-babilónico ] por setenta anos." (Jeremias 25:11) Os 70 anos expiraram quando Ciro, o Grande, no seu primeiro ano, libertou os judeus e estes voltaram à sua pátria. (II Crónicas 36:17-23) Cremos que a leitura mais direta de Jeremias 25:11 e de outros textos é que os 70 anos contam desde quando os babilónios destruíram Jerusalém e deixaram a terra de Judá desolada. (Jeremias 52:12-15, 24-27; 36:29-31)" (Venha o teu reino!, 1983, pág. 187-8)

Para compensar a falta de evidências históricas a favor da Cronologia biblica da STV, os seus editores apelam para sua intrepertação de alguns textos biblicos.

"O profeta Jeremias predisse que os babilónios destruiriam Jerusalém, e transformariam a cidade e o país numa desolação. (Jeremias 25:8-9) Ele acrescentou: "E toda esta terra [ Judá ] terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao rei de Babilónia [ Império Neo-babilónico ] por setenta anos." (Jeremias 25:11) Os 70 anos expiraram quando Ciro, o Grande, no seu primeiro ano, libertou os judeus e estes voltaram à sua pátria. (II Crónicas 36:17-23) Cremos que a leitura mais direta de Jeremias 25:11 e de outros textos é que os 70 anos contam desde quando os babilónios destruíram Jerusalém e deixaram a terra de Judá desolada. (Jeremias 52:12-15, 24-27; 36:29-31)" (Venha o teu reino!, 1983, pág. 187-8)

Os 70 anos de Jeremias estão aplicados ao período desde a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor II até os judeus serem autorizados a regressar de Babilónia para Jerusalém. A conquista de Babilónia foi em 539 AC. A STV argumenta que os judeus voltaram para casa em 537 AC. A conquista de Jerusalém deu-se exatamente 70 anos antes, em 607 AC. Estes 70 anos eram um tempo de servidão, não desolação. Jeremias 25:11 nos dá o término dos 70 anos em 539 AC, quando a Babilónia caiu para Ciro. Também, o começo destes anos não tem nada a ver com a cqueda de Jerusalém, mas de domínio do Império Neo-babilónico.

Jeremias 29:10 "Pois assim disse Jeová: De acordo com o cumprimento de 70 anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar." O sentido original em hebraico permite ser interpretado assim: "Depois que os 70 anos do domínio de Babilónia estiverem completados, ..." Os 70 anos se referem à Babilónia e não aos Judeus ao seu cativeiro. Isto queria dizer que no fim dos 70 anos de domínio do Império Neo-babilónico, os exílados retonarão a terra de Judá.

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