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As Testemunhas de Jeová creem que a Deus lhe proíbe a Transfusão de sangue. A condenação remonta a 1945. (A Sentinela de 1/7/1945 pág. 198-201, em inglês) As sanções para os transgressores só vieram em 1961. (Sangue, Medicina e a Lei de Deus, 1961, pág. 11, 13-4, em inglês; A Sentinela de 15/9/1961 pág. 559, em inglês) Com o fracionamento dos hemocomponentes, a transfusão de sangue total passou a ser uma terapêutica obsoleta em rápido desuso. Na grande maioria dos casos, a necessidade é de hemocomponente específico.

Não aceitam concentrado de hemácias ( ou eritrócitos ), concentrado de plaquetas ( ou trombócitos ), concentrado de leucócitos ( granulócitos ou linfócitos ) e transfusão autóloga com coleta pré-operatória. (O que a Bíblia realmente ensina?, 2005, pág. 128-131; Mantenha-se no Amor de Deus, 2008, pág. 215-8; Raciocínios à base das Escrituras, 1989, pág. 343-8; Como o sangue pode salvar a Sua vida, 1990; Despertai! de 22/11/1991 pág. 10; de 8/1/2000; A Sentinela de 15/6/2004 pág. 29-31; de 15/10/2000 pág. 29-31; veja o suplemento do Nosso ministério do Reino de 3/2007 e Cuidados e tratamentos médicos para famílias de Testemunhas de Jeová, 1991)

Origem da doutrina

As publicações da Torre de Vigia ensinam que "abster-se do sangue" significa não introduzi-lo de modo algum em seu corpo, quer por via oral, quer por via intravenosa. Rejeitam uma aplicação específica e limitada, posição partilhada pelas demais religiões cristãs e pelo Islão. (O que a Bíblia realmente ensina?, 2005, pág. 130 §13-6; Raymond Franz, Em busca da Liberdade cristã, 1991, Ed. Hagnos, cap. 9)

A primeira menção ao uso do sangue nas publicações da STV foi em 1892. Para Charles Russell, a proibição de Atos 15:28-29 era uma medida temporária para manter a harmonia entre os cristãos incircuncisos com os judeus recém convertidos ao Cristianismo. (A Torre de Vigia de Sião de 15/11/1892 pág. 349-52, em inglês; de 15/4/1909 pág. 4374, em inglês)

Em 1931, usando Génesis 9:4 [ "somente a carne com a sua alma - seu sangue - não deveis comer" ], as publicações da Torre de Vigia começaram a ensinar que era violação da Lei de Deus o contato entre o sangue animal com o sangue humano. Por isso, a vacinoterapia e soroterapia foram condenadas - proibição que durou até 1952. (A Idade de Ouro de 4/2/1931 pág. 294, em inglês) Veja Clayton James Woodworth.

A primeira condenação do sangue transfundido apareceu em 1943, na edição em inglês da A Sentinela de 22/12/1943. Em seguida, começou por radicalizar o seu entendimento. (A Sentinela de 1/12/1944 pág. 14, em inglês) Antes, os doadores de sangue eram elogiados. (A Idade de Ouro de 29/7/1925 pág. 683, em inglês; Consolação de 25/12/1940, em inglês) A proibição judaica de comer carne não sangrada ou indevidamente sangrada de animais - foi aplicada ao sangue humano transfundido.

Com a II Guerra Mundial a terminar, Hayden Covington disse a Edmund Gruss que, Frederick Franz viu a proibição de transfusões de sangue como forma de conseguir duas coisas: uma oportunidade de continuar a se falar da religião e criar um alvoroço na comunidade. Essa reação seria para convencer as Testemunhas que estavam sendo perseguidas e "sofrendo por causa da justiça", um sinal de que eles tinham "a Verdade". (Edmund Gruss , Os Quatro presidentes da Torre de Vigia, 2003)

Em 1945, o sangue transfundido errado, e que isso estava escrito na Bíblia. (A Sentinela de 1/7/1945, em inglês) Era uma nutrição intravenosa. Em 1966, foi comparada ao canibalismo. [ Na época, os transplantes de órgãos e de tecidos eram encarados como uma forma de canibalismo. ] (A Sentinela de 7/1/1966 pág. 401, em inglês)

"É errado sustentar a vida através da administração de uma transfusão de sangue ou plasma, glóbulos vermelhos ou de outros dos componentes do sangue? Sim! ... A proibição inclui todo o sangue." Isso inclui a coleta pré-operatória de sangue autólogo para reinfusão durante ou após a cirurgia. (Sangue, Medicina e a Lei de Deus, 1961, pág. 11, 13-4, em inglês; português em 1963) "Quer seja total ou em frações, o nosso próprio ou o de outra pessoa, transfundido ou injetado, é errado." (A Sentinela de 15/9/1961 pág. 559, em inglês) Os hemoderivados são proibidos. Em 1952, as vacinas e soros imunológicos deixaram de ser proibidos. (A Sentinela de 15/12/1952 pág. 764, em inglês; A Sentinela de 1/4/1962 pág. 223, em português)

Desde 1961, quem aceitar uma transfusão será excomungado e ostracizado. (A Sentinela de 15/1/1961 pág. 63-4, em inglês; A Sentinela de 1/12/1961 pág. 736, em português; Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino de Deus, 1992, pág. 184) Antes não era motivo para uma ação judicativa. Era um sinal de imaturidade cristã. (A Sentinela de 1/8/1958 pág. 478, em inglês)

Ao reconhecer que uma transfusão de sangue é um transplante de tecido celular líquido, a religião distanciou-se do argumento da nutrição intravenosa. Os riscos imunológicos e infeciosos associados ao sangue heterólogo são usados para dar credibilidade à sua posição religiosa. Reafirmam que "abster-se do sangue" é tão importante quanto abster-se da idolatria ou da fornicação. (As Testemunhas de Jeová e a Questão do sangue, 1977, pág. 41)

Os fatores de coagulação são uma questão da consciência. No tratamento das hemofilias na década de 1970, os pacientes foram orientados a aceitar fatores de coagulação só uma vez. (A Sentinela de 1/6/1974 pág. 352) Atualmente, os hemoderivados</u>, chamados pela STV de "frações menores" do sangue, não são proibidos. O uso de hemoglobina extraída das membranas de hemácias, chamada pela STV de "frações de hemocomponentes", não é proibido.

Decisão de consciência?

Cada Testemunha de Jeová garante que sua posição é uma "decisão de consciência pessoal baseada no seu estudo da Bíblia". A religião assume-se como defensora dos direitos constitucionais dos pacientes Testemunhas – direito à liberdade religiosa, de crença, de objeção de consciência, ao consentimento informado e de autodeterminação sobre o seu próprio corpo.

Negam que exista qualquer forma de imposição, controlo ou coação congregacional ou familiar, seja direta ou indireta. Negam quaisquer sanções para os transgressores, diretas ou indiretas. Dessa forma, elas desresponsabilizam a liderança da religião de quaisquer consequências adversas das decisões individuais de cada Testemunha.

Nesta questão, os ex-membros garantem não existe o direito à Liberdade de Crença. Em vez disso, estão sob intensa doutrinação equivocada e tendenciosa. Isto se aplica aos filhos menores de idade, cujos pais são ambos Testemunhas, desde de infância doutrinados tendenciosamente, muitos deles, precocemente batizados. Além disso, a liderança da religião omite, confunde ou dilui as contradições e incoerências da sua doutrina. Também fazem uso de informações enganosas, imprecisas ou ambíguas para iludir as autoridades judiciais e a Opinião Pública.

Procedimentos permitidos

Atualmente, são religiosamente permitidos um conjunto de procedimentos e técnicas, estratégias para conservação do sangue do paciente, bem como de bioprodutos produzidos por tecnologia recombiante.

  • uso de expansores plasmáticos - que não seja plasma ou sangue total
  • hemostáticos biológicos, incluindo compressas de colagénio e celulose (Kaltostat), colas e vedantes de fibrina (Tisseal), para auxiliar na coagulação
  • fluidos transportadores de oxigénio à base hemoglobina recombiante (rh-Hgb)
  • fluidos transportadores de oxigénio de perflúorocarbonos (PFC)
  • concentrados de fator de coagulação específico - existe fatores recombiantes
  • fatores de crescimento de leucócitos (G-CSF/GM-CSF) - existe fatores recombiantes
  • proteínas plasmáticas - interferão, interleucinas, fator plaquetário IV, albumina e imunoglobulinas
  • injeção de imunoglobulinas anti-D para profilaxia da incompatibilidade sanguínea materno-fetal
  • transplante de células-mãe hematopoiéticas (medula óssea)
  • hemodiálise - um processo de filtração do sangue - em que a maquina funciona como rins artificiais
  • hemodiluição isovolémica intraoperatória em circuito fechado
  • autotransfusão intraoperatória em circuito fechado
  • recuperação de sangue intraoperatória em circuito fechado - aspiração imediata do sangue derramado, seu processamento e reinfusão
  • procedimentos de aférese terapêutica
  • procedimentos de aférese de células-mãe coletadas da corrente sanguínea do paciente e coletadas do sangue da placenta e cordão umbilical (SCUP)

Em casos em obstetrícia

Problemas hemorrágicos em ginecologia e obstetrícia podem causar a morte da mulher grávida, do feto / recém nascido, ou de ambos. Apesar da importância do acompanhamento médico, é preciso entender que situações graves podem surgir. (Carta da Sociedade dos EUA de 16/12/2009, em inglês; em português, de 4/12/2010) Pode confrontar-se com uma transfusão de Urgência ( quando têm menos de 24 horas ) ou de transfusão de Emergência ( quando têm de ser imediata ) de hemocomponentes. Por isso, foi recomendado aos anciãos congregacionais o seguinte:

"Para garantir que nossos irmãos se beneficiem das informações desse artigo, talvez possam bondosamente aconselhar futuros pais a analisar ... a matéria da revista [ Despertai! de 11/2009 pág. 26-9, no artigo "Mães saudáveis, bebés saudáveis" ], incluindo a nota de rodapé sobre o valor de entrar em contato com a Comissão de Ligação com Hospitais (COLIHs) da região, conforme a necessidade. ...  COLIHs pode fornecer aos médicos um documento intitulado Estratégias clínicas para evitar e controlar a hemorragia e a anemia sem Transfusão de sangue em Obstetrícia e Ginecologia."

Médicos e enfermeiros TJs

No caso de enfermeiros que sejam Testemunhas, se a sua consciência permitir, podem administrar uma transfusão de sangue se for ordenada, por exemplo, por um médico. No caso de médicos que sejam Testemunhas, não podem ordenar uma transfusão. Numa equipa cirúrgica, além do cirurgião, o anestesista pode ordenar a transfusão. Em todos os casos, ... vão evitar ao máximo situações conflituosas ou ficar em zonas limítrofes. Por exemplo, podem declinar trabalhar no Serviço de Hemoterapia ... Não devem trabalhar no Serviço de Urgência. (Carta da Sociedade do Brasil de 2/10/1995; note A Sentinela de 15/11/1964 pág. 6820, em inglês)

Resistir à ordem judicial

Quão energicamente deve uma Testemunha a uma transfusão de sangue ordenada por um tribunal? (A Sentinela de 15/6/1991 pág. 31) Os editores da revista respondem: "Cada caso é um caso, de modo que não há nenhuma regra abrangente no que diz respeito a isto. ... a Lei Divina vem em primeiro lugar</u>; ela tem primazia</u>."

"Os cristãos da atualidade também têm de ser inabaláveis e estar firmemente resolvidos a não violar a Lei Divina, mesmo que isto os exponha a perigos no que diz respeito aos governantes seculares. A mais elevada lei do Universo - a Lei de Deus - exige que os cristãos se abstenham de sangue, da mesma forma que são ordenados a evitar a fornicação. ... (Atos 15:19-21, 28-29) Tal lei divina não deve ser encarada levianamente, como algo a ser obedecido somente se for conveniente ou se não apresentar problemas. A Lei de Deus tem de ser obedecida!"

"se parece que se pretende administrar uma transfusão de sangue com autorização judicial, o cristão poderá decidir não ser acessível para tal violação da Lei de Deus. Ao mesmo tempo, o cristão deve prudentemente procurar tratamento médico alternativo, fazendo assim genuíno esforço para preservar a vida e recobrar a plena saúde." [ Neste caso, são aconselhados usar o argumento de que "considera a transfusão como uma invasão de seu corpo e comparando-a ao estupro." ]

"Se o cristão fizer esforços muito enérgicos para evitar a violação da Lei de Deus sobre o sangue, as autoridades talvez o considerem violador da Lei ou o sujeitem a um processo judicial. Se isto resultar numa punição, o cristão poderá encarar tal situação como sofrer por causa da justiça. (I Pedro 2:18-20) Mas, na maioria dos casos, os cristãos têm evitado transfusões e conseguido recuperar-se com cuidados médicos competentes, de modo que não tem surgido problemas legais de longo alcance. E o mais importante de tudo é que eles têm mantido sua integridade ao Divino Dador da Vida e Juiz."

Existem sanções

Em assuntos de saúde, a religião garante que cada Testemunha toma suas próprias decisões perante Deus, segundo a sua consciência. "Tampouco é a questão do sangue uma resolução organizacional, mas uma crença sincera e pessoal." (Despertai! de 22/3/1995 pág. 19) Suas publicações dizem "quando certas práticas têm aspetos questionáveis ... pode se trazer isso à atenção. Cada um pode então ... decidir o que fazer." (A Sentinela de 15/12/1994 pág. 19) Raúl Josefino, advogado da religião em Portugal, assegurou: "No limite, a liberdade de receber sangue é uma opção da Testemunha. Ela pode consentir e recebê-lo sem sofrer qualquer tipo de recriminação". (Jornal Público de 17/12/1999, na secção Sociedade)

Devido ao Acordo da Bulgária de 9 de março de 1995, não é mais um motivo para desassociação. (Carta da Sociedade às COLIHs de 16/6/2000; A Sentinela de 15/2/1997 pág. 20; compare com Relatório da CEDH requerimento 28626/1995, ACTJ Bulgária vs. Bulgária, de 9/3/1995, parte II, pág. 4 §17) Se a pessoa não estiver arrependida, agora é prova do seu desejo de dissociar-se. Não é mais encarada como uma Testemunha - com todas as consequências associadas. (Carta da Sociedade às COLIHs de 16/4/2004)

Diz o manual Pastoreiem o rebanho de Deus, 2010, nas pág. 111-2:

  • "Se uma pessoa aceitar sangue, talvez por se sentir muito pressionada, a Comissão [ Judicativa congregacional ] deve procurar obter os fatos e avaliar a atitude da pessoa. Se ela estiver arrependida, a Comissão pode providenciar ajuda no espírito de Gálatas 6:1 [ "reajustar tal homem num espírito de brandura" ] e Judas 22-23 [ "mostrar misericórdia" ]. Visto que a pessoa está espiritualmente fraca [ isto é, não é mais considerada exemplar ], ela não se qualifica para privilégios especiais por um tempo, e talvez seja necessário remover certos privilégios básicos. Dependendo das circunstâncias, a Comissão talvez precise fazer um anúncio à congregação: «Os anciãos cuidaram de um assunto envolvendo o(a) irmão(a) [ nome da pessoa ]. Ficarão felizes de saber que pastores espirituais estão esforçando-se para prestar ajuda.»"
  • "Por outro lado, se os anciãos da Comissão concluírem que a pessoa não está arrependida, eles devem anunciar a dissociação. ... O coordenador do Corpo de Anciãos [ da congregação local ] deve aprovar o anúncio antes de um ancião o ler para a congregação. O anúncio deve dizer: «[ nome da pessoa ] não é mais Testemunha de Jeová.» ... Deve-se enviar prontamente ao Escritório [ da Filial ] um relatório sobre a dissociação, usando os formulários apropriados [ S-77 - Aviso de desassociação / dissociação ]. Veja cap. 7 § 33-34".

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