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A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu uma carta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum) de 29/6/2008, com orientações sobre a "tradução e pronúncia, no âmbito litúrgico, do Nome de Deus significado no tetragrama sagrado - YHWH". A carta é assinada pelo cardeal Francis Arinze e pelo arcebispo Albert Malcom Rajith, respetivamente o então prefeito e secretário da congregação.

Segue-se abaixo um resumo da carta sobre o uso do Nome de Deus na Liturgia Católica:

I – Parte expositiva

a) Na Bíblia, o nome próprio do Deus de Israel, conhecido como tetragrama sagrado ou divino, está escrito com quatro letras consoantes do alfabeto hebraico na forma YHWH, traduzido sob diversas formas de escrita e pronúncia em nossas orações e cantos, por exemplo, “Yahweh”, “Jahweh”, “Javé”.

b) No Antigo Testamento, o santo nome de Deus revelado no tetragrama YHWH era expressão da infinita grandeza e majestade de Deus e, por isso, NÃO SE PODIA PRONUNCIÁ-LO, sendo, portanto, substituído, na leitura do texto sagrado, por uma denominação alternativa – ADONAY – que significa “Senhor”. (veja nota 1)

c) A tradução grega do Antigo Testamento, chamada Versão dos Setenta, usou regularmente o tetragrama hebraico com o vocábulo grego Kyrios, que significa “Senhor”. Uma vez que o texto dos Setenta constituiu a Bíblia das primeiras gerações cristãs de língua grega, em que também foram escritos todos os livros do Novo Testamento, os primitivos cristãos nunca pronunciaram o tetragrama Divino. (veja nota 2) Na tradução para o latim, o termo foi traduzido pelo vocábulo “Dominus”, correspondente tanto ao hebraico Adonay como ao grego Kyrios.

d) Na cristologia neotestamentária, o termo Senhor é reservado a Cristo ressuscitado, proclamando assim a sua divindade. (cf. Filipenses 2:9-11; Romanos 10:9; I Coríntios 2:8; 12:3; Romanos 16:2; I Coríntios 7:22; I Tessalónicenses 3:8, etc ...) (veja nota 3)

e) O fato de a Igreja ter deixado de pronunciar o tetragrama do Nome de Deus, além de um motivo de ordem filológica, expressa também a fidelidade à tradição eclesial, uma vez que o tetragrama sagrado nunca foi pronunciado em âmbito cristão nem traduzido em nenhuma das línguas em que a Bíblia foi traduzida. (veja nota 4)

II – Parte dispositiva

À luz do acima exposto, manda-se observar o seguinte:

1. - Nas celebrações litúrgicas, nos cantos e nas orações, não se use nem se pronuncie o Nome de Deus na forma do tetragrama YHWH.

2. - Nas traduções do texto bíblico para as línguas modernas, destinadas ao uso litúrgico da Igreja, empregue-se para o tetragrama Divino o equivalente Adonay /Kyrios: “Senhor”.

3. - Nas traduções, no âmbito litúrgico, de textos que tenham, um a seguir ao outro, o termo hebraico Adonay e o tetragrama YHWH, traduza-se Adonay por “Senhor” e “Deus” para o tetragrama YHWH”.

4. - Pedimos, portanto, que as equipas de liturgia e os responsáveis pelos cantos litúrgicos fiquem atentos a esta orientação da Congregação para o Culto Divino e façam as devidas adaptações. Na revisão dos Lecionários, do Missal Romano e do Hinário Litúrgico, a equipa de tradutores da CNBB seguirá esta orientação.

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